Por Sérgio Machado, sócio e gestor da Trópico Investimentos

O Brasil passa por um momento muito delicado, a inação do governo frente às necessidades  de ajuste de suas contas tem gerado um grande desconforto por parte dos investidores locais  e externos. 

A piora do quadro do endividamento do Tesouro Nacional (TN) que, alavancado pelo auxílio emergencial, deve fechar o ano na casa dos 95% do PIB, gera incertezas e custos adicionais para a economia em geral e os investidores em particular. 

Paralelamente temos o recrudescimento da espiral inflacionária que tem frustrado  seguidamente os otimistas e principalmente o Banco Central (BC), que permanece num discurso  negacionista e distante. 

A soma dos fatos nos leva a um cenário conturbado, onde o excesso de ruídos e a falta de  ações, tem redundado em uma piora constante da percepção dos riscos fiscais futuros. 

Hoje, existe um discurso monotônico pelas autoridades e seus arautos de que tudo se resume ao Fiscal, e que se não resolvido, não haverá saída. 

Concordo plenamente que o fiscal é o cerne do problema, mas temos outros menores, que se resolvidos permitiriam um melhor encaminhamento das soluções maiores. 

Temos a inflação incomodando, a moeda mais desvalorizada entre os pares e uma taxa de  juros incompatível com este mesmo Fiscal, tão propalado. A opção por não tomar atitudes imediatas e colocar a saída restrita a um único caminho, que já sabemos de antemão será tortuoso, poderá em um determinado momento gerar volatilidade, fuga de recursos e aumento da aversão ao país. 

Portanto, todo cuidado é pouco nos próximos meses, não esquecendo que temos vencimentos  de títulos públicos muito grandes à frente.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Pi Investimentos.

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