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Dividendos: é possível viver de renda?

Francisco Holanda. 31/03/2020

Dividendos é um dos top temas mais pesquisados por aqueles que desejam alcançar a independência financeira e viver de renda.

Para os que desejam investir em ações, ou já o fazem, os dividendos podem ser um “extra” para o bolso dos investidores, uma vez que, enquanto lucram com a compra e venda dos papéis, o investidor ainda irá ganhar recebendo parte dos lucros da empresa. 

Nesta matéria, você irá entender como poder receber dividendos, quais são suas vantagens e como encontrar as melhores opções do mercado. 

Confira: 

O que são dividendos?

Os dividendos são uma parte dos lucros das empresas repassados a seus acionistas como forma de remuneração. 

A maioria das empresas, geralmente as mais estáveis, fazem a distribuição de dividendos que funciona como uma maneira da empresa atrair investidores. Isso acontece uma vez que suas ações tendem a possuir menor volatilidade (por já serem empresas consolidadas). 

É natural com que sócios de uma empresa recebam parte do lucro. No caso das  grandes empresas de capital aberto na bolsa de valores, essa distribuição de uma parcela dos lucros acontece através de dividendos.

Toda empresa listada na B3 têm que obrigatoriamente dividir, no mínimo, 25% dos seus lucros com os acionistas de seus papéis. O dividendo é um meio com que a empresa distribui essa porcentagem de seus lucros líquidos.

A divisão desse lucro irá depender de quantas posições (ações) você possui naquela empresa. Ou seja, o pagamento é proporcional, e quanto mais ações você tiver, maior o valor de dividendos que recebe. Então, quem tem 500 ações de determinada companhia vai receber lucros proporcionalmente maiores em comparação com quem possui 100 ações da mesma empresa.

Outra forma de distribuição desses lucros pode ocorrer através dos Juros Sobre Capital Próprio (JCP). Sua principal diferença em relação aos dividendos é que ele é considerado  como uma despesa para a companhia e, assim, irá garantir um benefício fiscal a empresa. 

Além de serem obrigadas, as grandes empresas, que distribuem bons dividendos também o fazem pois suas ações não costumam variar muito. Isso significa que o valor que um investidor pode lucrar com a diferença entre compra e venda pode não ser tão significativo. Dessa forma, a distribuição dos lucros serve para atrair investidores a comprarem suas ações. 

Perceba que além desse tipo de pagamento atrair novos investidores,e valorizar as ações da empresa, esses lucros também podem ser uma opção aos que visam uma rentabilidade a longo prazo, uma vez que as melhores empresas pagadoras de dividendos costumam ser instituições sólidas que não são afetadas tão fortemente em momentos desafiadores. Ou seja, há nesses ativos  uma oportunidade de conseguir lucros mesmo em momentos onde a economia do país não está indo muito bem. 

No entanto, o investidor precisa saber que não há garantias concretas de pagamento por parte da empresa, mesmo para aquelas que têm um histórico positivo.

Uma empresa que distribui seus lucros pode aumentar os valores distribuídos, diminuir ou até suspender essa distribuição, em caso de mudanças no seu negócio. Se durante um período de tempo os lucros obtidos pela empresa diminuírem, por exemplo, o pagamento de dividendos no futuro poderá ser afetado. 

Quando uma empresa paga dividendos, ela provavelmente já possui uma governança corporativa sólida, onde o fluxo de capital é geralmente previsível. Por outro lado, empresas que ainda estão crescendo, como é o caso das small caps, por exemplo, precisam investir e expandir seus negócios e por isso costumam não distribuir os dividendos neste período.

Tipos de distribuição de lucros 

Vimos até que aqui é possível receber parte dos lucros de uma empresa ao se tornar acionista. Entenda como funcionam as formas de pagamento:

Em dinheiro

Os dividendos podem ser cotado em percentual (5% por ação, por exemplo) ou em reais (como, R$5 por ação) . Em muitos casos, o investidor poderá utilizar os valores recebidos para comprar mais ações daquela empresa.

Em ações

Nesse caso, o pagamento é feito através de ações adicionais em vez de dinheiro. Ou seja, no lugar de receber uma quantia em reais, o investidor irá receber mais papéis daquela empresa.

Imagine que um investidor possui 200 ações de uma empresa X em carteira. Essa pessoa vai receber dividendos da empresa X também em ações. Digamos que a empresa tenha definido que pagará quatro ações para cada 100 em carteira. Então, neste caso, o investidor vai receber oito como pagamento.

Juros sobre Capital Próprio (JCP)

Muito semelhante aos dividendos mas nesse caso o investidor possui a tributação de 15% de Imposto de Renda retido na fonte. Apesar disso, a empresa pagadora possui isenção fiscal, e, por isso, ela pode vir a distribuir uma maior quantidade de lucros deste tipo.

Dividendo especial

Também conhecidos como dividendos one-time, esses são casos onde são feitos pagamentos especiais. Nesses casos, o pagamento é um ponto excepcional (fora da curva) na agenda de dividendos. Existem diversos motivos para isso ocorrer, por exemplo: uma empresa registrando aumento de caixa após vender parte do negócio ou por conta de mudanças na regulamentação.

Direitos de subscrição

Quando uma empresa emite novas ações, ela pode conceder aos seus acionistas o direito de subscrição, que basicamente consiste em  permitir que o acionista ou cotista consiga manter o mesmo nível de participação no negócio, mesmo depois do aumento de capital social, assim ele pode comprar ações antes do mercado, algumas vezes inclusive por um valor mais baixo do que será disponibilizado.

Dicionário de dividendos

O investidor que deseja começar a investir em ações com dividendos, precisa conhecer alguns nomes e termos muito utilizados nesse mercado. Conheça:

Índice de Cobertura de Dividendos

Esse índice é a relação que existe entre o lucro líquido de uma organização e os dividendos pagos aos seus investidores.

Com esse índice, os acionistas conseguem medir mais facilmente a capacidade que a empresa tem de pagar seus dividendos. Ele é calculado através da divisão do lucro total pelo valor do dividendo de uma determinada ação.

Planos de Reinvestimento dos Dividendos (PRD)

O plano de reinvestimento dos dividendos é basicamente um planejamento feito por uma empresa, com o objetivo de permitir que seus acionistas reinvistam os dividendos pagos em dinheiro automaticamente.

Tal reinvestimento será então programado para acontecer no dia da divisão das partes do lucro da empresa e pode acabar sendo uma oportunidade vantajosa para os acionistas que visam aproveitar o potencial de capitalização dela.

Normalmente, as empresas permitem que essa compra automática seja realizada sem comissões e com descontos.

Data de declaração

É nela que o Conselho de Administração da empresa irá anunciar a distribuição dos dividendos, bem como seus valores, a data de registro e pagamento.

Data ex-dividendo

O ex-dividendo ocorre quando novos acionistas não possuem mais direito em relação ao recebimentos dos dividendos declarado. 

O dia também conhecido como “data-ex”, ocorre quando os ex-dividendos são anunciados. Nesse caso, se um acionista comprar uma ação após essa data, quem irá receber a sua parte na divisão dos lucros é o vendedor da ação.

A data-ex normalmente acontece dois dias úteis antes da data de registro, pode variar em pagamentos que não são feitos em dinheiro.

Data de registro

A data de registro é o dia que as companhias utilizam para determinar quem são os seus acionistas. Essa data precisa constar na contabilidade da organização para que eles possam receber a sua parte dos dividendos. 

É nesse dia que também é definido quem irá receber procurações, relatórios financeiros e quaisquer outras informações relativas ao processo de distribuição de dividendos. 

Data de pagamento

Como o próprio nome já diz, essa data é o dia previsto para que os valores combinados sejam de fato pagos aos acionistas.

Carteira de dividendos: como criar a sua?

Os investidores que planejam viver da renda desses lucros, geralmente não compram apenas uma ação de uma empresa pagadora de dividendos, mas sim, adquirem ações de diferentes empresas, boas pagadoras de dividendos, que possuem boas perspectivas futuras. 

Essa carteira, nada mais será do que um conjunto de ações que o investidor adquire e que possui boas chances de trazer rendimentos vantajosos a médio e longo prazo com o pagamento de dividendos. 

Para escolher ações de empresas é essencial analisar sua conjuntura como um todo. Sua estabilidade diante de crises, a competência da gestão e do conselho da empresa, qual sua saúde financeira, seu histórico de lucros, os riscos que ela sofre para crescer, qual produto oferece, seus diferenciais no mercado, etc. 

Tenha também atenção à periodicidade dos pagamentos. Muito provavelmente não adiantará a empresa pagar valores altos a seus acionistas uma vez a cada cinco anos. Pode ser mais interessante ao investidor, principalmente se ele deseja viver dessa renda, que esse pagamento seja de um valor competitivo, mas com uma maior frequência, como mensal ou trimestralmente.

Além disso, aplicar em poucas ações, apenas porque elas pagam dividendos não é uma estratégia recomendada por muitos analistas. Uma dica muito comum é que os investidores foquem na diversificação das ações, paguem elas dividendos ou não. 

Em muitos casos, os valores de dividendos podem ser decepcionantes, por exemplo, o caso de algumas small caps que ainda estão em crescimento. Por isso, ao invés de compor sua carteira apenas com empresas que pagam dividendos, o investidor pode optar por ações com potencial de crescimento como um todo e outros produtos disponíveis no mercado financeiro.

O consenso comum é: possuir uma carteira diversificada com diversos ativos diferentes que muitas vezes irão ajudar a mitigar os riscos.

Saiba mais sobre como escolher boas ações para montar seu portfólio:

Dividend Yield: o que é e como calcular?

Dividend Yield (DY),  traduzido para o português como Rendimento de Dividendo, é um indicador que mede a performance da empresa de acordo com os proventos pagos aos seus acionistas. Ele basicamente mostra a relação entres os dividendos distribuídos e o preço atual da ação da companhia.

Como calculá-lo?

Para calcular o Dividend Yield você só precisa dividir o valor de dividendos pagos em determinado período pelo preço individual da ação antes dessa distribuição de dividendos. Depois, basta multiplicar esse resultado por 100. Veja a conta: 

Como exemplo vamos imaginar que um investidor possua ações da Empresa X em sua carteira e, neste ano, vá pagar R$5,00 de dividendos por cada ação. Suponha que o preço do ativo estivesse em R$50. Neste caso, o DY seria de 10%.

R$5,00 dividido por R$50 = 0,1 vezes 100 = 10

Desse percentual é possível observar que, cada ação retornou 10% em dividendos da Empresa X neste período.

Fazer esse cálculo e encontrar o valor do DY possibilita aos investidores realizar comparações dos rendimentos dos dividendos entre empresas que ele esteja interessado em investir. Se ele busca por aquelas que pagam os melhores dividendos, ele deverá encontrar as que possuam os maiores valores de Dividend Yield.

É válido lembrar que o indicador pode variar à cotação do papel, assim, baixos valores de ações que estão desvalorizadas podem dar à empresa uma falsa impressão de que ela é uma boa pagadora de dividendos. 

Muitos analistas no entanto defendem que esse índice deve ser utilizado para complementar uma análise mais profunda sobre cada ação. Em outras palavras, defende-se que o DY não é fator suficiente na hora de tomar a decisão de comprar ou não uma ação. 

Taxas e impostos dos dividendos

Assim como qualquer outro investimento, o investimento em ações, distribuam elas dividendos ou não, sofrem a cobranças de taxas e impostos; É necessário ao investidor que esteja sempre informado sobre esses pontos. Conheça:

Taxa de corretagem

A taxa de corretagem é o valor pago à corretora para que ela possa efetuar uma transação junto à Bolsa de Valores. Esse valor pode ser fixo ou variável algo que é definido pela própria corretora.

Taxa de Custódia

A taxa de manutenção da custódia cobre os gastos que a corretora possui junto à Câmara de Ações para guardar as ações dos investidores.

Emolumentos e Taxa de Liquidação

Os Emolumentos e a Taxa de Liquidação são cobrados pela Câmara de Ações e pela B3.

Esses valores garantem ao investidor o registro de todas as ordens que são enviadas pelas corretoras.

Ambas a taxas são cobrados por meio de um percentual fixo sobre o preço total que foi negociado. Eles também variam de acordo com o tipo de operação realizada (Day Trade e Normal).

Imposto de Renda (IR)

O Imposto de Renda (IR) é cobrado apenas de pessoas físicas que vendem seus papéis acima de R$20.000,00 por mês.

Nesses casos, será cobrado 15% de imposto de renda sobre o lucro menos os custos.

Ao realizar uma operação Day Trade, no entanto, o imposto de renda cobrado sobre o lucro auferido menos os custos da operação será de 20%.

Como viver de dividendos?

Uma pergunta muito comum dos investidores que desejam investir nesse tipo de ativo é se realmente é possível viver de dividendos. A resposta é: depende. Depende do seu momento de vida, do tamanho das suas despesas e principalmente do valor que você tem disponível para investir. 

Um consenso comum sobre esse assunto é de que é necessário disciplina e planejamento para conseguir viver de dividendos. Esses dois pontos dizem respeito principalmente a usar os lucros recebidos das ações como ferramenta para alcançar maiores lucros, por meio do reinvestimento.  

Em outras palavras, torna-se mais possível viver de rendimentos quando o investidor utiliza de seus lucros recebidos em dividendos, para comprar mais ações. Dessa forma, as novas ações poderão impulsionar os valores de lucro a receber. 

Podemos pensar que essa estratégia é semelhante da ideia dos juros compostos, no que é conhecido como juros sobre juros, que são acumulados não apenas sobre o dinheiro investido, mas sobre os juros acumulados anteriormente. 

Confira um exemplo:

A ação da Empresa X vale R$ 50 e ela paga 10% em dividendos por cada ação. Com isso, entende-se que o investidor irá ganhar R$ 5 por cada ação. No entanto ao invés de resgatar o dinheiro, o investidor decide comprar mais papéis  da companhia. 

No ano seguinte, a mesma empresa faz um novo pagamento adicional de 10% de dividendos sob cada ação. Ao invés de ganhar apenas R$ 5, o investidor irá lucrar agora  R$ 5,50, caso tenha reinvestido o valor do ano passado.

Aqui trazemos um exemplo com valores pequenos, mas imagine se esse mesmo investidor possuísse 100 ou 200 das ações dessa mesma empresa e de diversas outras? Aqui entra a importância de disciplina, para que o investidor mantenha seu compromisso em reinvestir seus dividendos, e o planejamento, para que ele pense nos lucros dos dividendos a longo prazo. 

Além disso, a quantidade de capital a ser investido também é essencial para os que pensam em viver dessa renda. Imagine aqui que possuir poucas ações pode não trazer retornos muito grandes, mas o contrário poderá acontecer com quanto mais dinheiro o investidor tiver para aplicar. 

Como investir em dividendos?

Como você viu até aqui, investir em dividendos nada mais é do que investir em ações que paguem essa parte do lucro das empresas. Por conta disso, o processo não é diferente do que simplesmente comprar ações. 

Confira o passo a passo:

1 – Abra conta em uma corretora de valores; 

2 – Transfira dinheiro da sua conta corrente para a corretora; 

3 – Abra o home broker da corretora e procure pela ação que deseja investir; 

4- Selecione o número de ações que deseja comprar daquela empresa e pronto, você se tornou um acionista da empresa. 

Ações que podem pagar bons dividendos em 2020

Na lista abaixo trouxemos uma tabela com as ações e o dividend yield superior a 4% projetado para o ano de 2020 pela Economatica. 

A Economatica explicou que que levou em consideração apenas as ações com volume financeiro médio de negociação superior a R$ 5,0 milhões por dia em 2019; de empresas que registraram lucro em 2018; e de empresas cujo lucro nos nove primeiros meses de 2019 correspondeu a no mínimo  75% do lucro acumulado no ano de 2018.

Confira as 10 primeiras da lista: 

Empresa/códigoDividend Yield
Itaú Unibanco ON (ITUB3)8.76%
Wiz S.A (WIZS3)7,87%
Itaú Unibanco PN (ITUB4)7,56%
Taesa (TAEE11)6,06%
Banrisul (BRSR6)5,75%
Bradesco (BBDC4)5,54%
ABC Brasil (ABCB4)5,44%
brMalls (BRML3)5,40%
Bradesco ON (BBDC3)5,35%
Cemig (CMIG4)5,26%

Fonte: Economatica

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