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Taxa Selic: o que é e como ela influencia seus investimentos

Francisco Holanda. 11/12/2019

Quando o assunto é sobre o mercado financeiro é muito comum, ao ligarmos a televisão em jornais, nos depararmos com notícias relacionadas à Taxa Selic. Se não em jornais, você também se depara com o assunto na internet, revistas ou redes sociais.

Geralmente, a notícia mais comum sobre o assunto começa com: “O Comitê de Política Monetária diminuiu novamente a taxa básica de juros da economia para x% ao ano”.

Por ser um assunto recorrente, as pessoas passaram a se perguntar, o que é a Taxa Selic, para que ela serve, como ela influencia na vida das pessoas e muito mais. 

Além de impactar os juros praticados na economia do País, a Taxa Selic é também um dos principais indicadores dos investimentos em renda fixa. Dessa forma, entender os efeitos dela e saber interpretá-la é algo essencial para quem deseja investir e poupar de forma eficaz.

Este post foi feito para que você entenda de uma vez por todas esse assunto e conheça mais a fundo a importância da Taxa Selic, na economia do Brasil, e como ela impacta nossas vidas e nossos investimentos. 

O que você irá conferir: 

O que é Taxa Selic?

A Taxa Selic, ou a taxa básica de juros da economia no Brasil, é utilizada no mercado interbancário para o financiamento de operações de curtíssimo prazo (apenas um dia), que são lastreadas em títulos públicos federais.

A sigla Selic é uma abreviação para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Este sistema é um modelo computadorizado, que é utilizado pelo governo, e mais especificamente o Banco Central do Brasil. O sistema tem como objetivo controlar e registrar a emissão, compra e venda de títulos públicos federais.

Assim, a Taxa Selic é obtida pelo cálculo da taxa média ponderada dos juros praticadas  entre instituições financeiras na compra e venda dos títulos. 

Uma boa parte dos títulos públicos são comprados por grandes bancos. Por lei, esses bancos são obrigados a direcionar uma porcentagem de seus depósitos a uma conta do Banco Central. Essa lei é necessária para controlar o excesso de dinheiro que está em circulação na economia e assim evitar um aumento descontrolado da inflação.

Por conta das milhares de operações bancárias que são realizadas diariamente, é comum os bancos chegarem ao final do dia com porcentagens menores do que deveriam possuir em suas contas do Banco Central. Uma vez que os bancos são obrigados a respeitar a lei, eles se vêem obrigados a pegar empréstimos uns com os outros, para conseguirem cumpri-la. 

Esses empréstimos são geralmente de curto prazo, com duração de no máximo um dia. Assim como as pessoas oferecem bens materiais como garantia de financiamentos, como suas casas ou carros, os bancos dão como garantia títulos públicos que eles compram com o Banco Central do Brasil.

Mas por que é importante que você saiba isso? Para que você possa entender a diferença entre Taxa Selic Over e Taxa Selic Meta e para que elas servem. 

Diferença entre Over e Meta

A Taxa Selic Meta é aquela que é divulgada nos jornais e a que você está mais acostumado a ouvir. Ela representa, de fato, a taxa básica de juros da economia do Brasil, pois serve de parâmetro para outras taxas que são praticadas no mercado. Vale ainda lembrar que essa taxa tende a ser sempre a menor taxa de juros em nossa economia. 

Já Taxa Selic Over é a taxa de juros praticada quando um determinado banco empresta dinheiro para outro, usando como garantia os títulos públicos comprados no Banco Central,  como descrito anteriormente.

A Over é definida diariamente, por meio de um cálculo que considera a média de todas as transações com títulos públicos federais que ocorrem no sistema Selic. 

Em outras palavras, a Selic Meta é apenas uma referência que norteia as transações interbancárias, já a Selic Over é a que efetivamente, ou seja, na prática, é utilizada no mercado. Por sua vez, ambas as taxas são muito próximas e, historicamente, a diferença entre as duas fica em torno de 0,10 pontos percentuais, sendo a Taxa Over a que é ligeiramente inferior à Taxa Meta. 

Durante o post, trataremos sobre a Selic Meta, que é o termo mais utilizado e que possui uma maior relevância para se entender o assunto. 

Quem define a Taxa Selic e como? 

A Taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que é um órgão do Banco Central. Ele se reúne 8 vezes por ano, ou seja, a cada 45 dias e é composto pelos diretores do Banco Central. 

Durante a reunião, é definido se a taxa básica de juros irá subir, cair ou permanecer em seu valor atual durante os próximos 45 dias até sua próxima reunião.

Nessa discussão, os diretores avaliam a situação econômica e política do País para definirem o rumo da taxa. Logo, questões como a inflação, câmbio, reformas (como a reforma da previdência, a reforma tributária e reforma trabalhista), crises ou instabilidade política podem ser levados em consideração como fatores que poderão definir o novo valor da taxa básica de juros. 

Mas por que o Copom?

O Copom foi criado em 1996 com o objetivo de acompanhar e traçar a política monetária do Brasil. Dessa forma, esse órgão foi criado, entre outros objetivos, para estabelecer as diretrizes que dizem respeito à taxa de juros do País. 

Além de estabelecer importantes critérios sobre a economia do Brasil, o Copom também é responsável por: 

Qual a Taxa Selic hoje?

Na última reunião do Copom realizada no dia 05 de agosto, a Taxa Selic foi novamente reduzida em 0,25 pontos percentuais e está atualmente cotada em 2% ao ano, o menor patamar na história do país. 

Desde outubro de 2016, a Taxa Selic saiu do patamar de 14,25% ao ano e continuou sendo reduzida até então. 

Vale lembrar, que em meados de 1999, poucos anos após a Taxa Selic começar a ser medida, ela chegou a alcançar a máxima de 45% ao ano, o que demonstra a diferença entre o cenário atual e 20 anos atrás.

Histórico e evolução da Taxa Selic

A melhor fonte para a consulta do valor atual da Selic e seu histórico é o site oficial do Banco Central do Brasil. Lá você encontra todos os valores oficiais da taxa e ainda confere sua evolução ao longo do tempo. 

Confira a página abaixo: 

Tela de consulta da Taxa Selic – Fonte: Banco Central, maio de 2020

Nessa tela você pode conferir quando cada alteração ocorreu, a data de suas reuniões e ainda consegue conferir a Meta Selic e Selic Over, que foram mencionadas anteriormente. 

Nela é possível conferir como a Taxa Selic tem estado em queda, desde outubro de 2016, e mais abaixo iremos conferir o motivo dessa queda dos últimos anos e como isso afeta sua vida e seus investimentos. 

Na tela abaixo, que você pode conferir no site oficial da Receita Federal, temos uma consulta sobre os valores anuais e mensais da Taxa Selic, durante os últimos nove anos. Acompanhe: 

Taxa Selic mensal dos últimos nove anos – Fonte: Receita Federal, 18 de maio de 2020

O que significam os cortes na Selic?

A queda da Taxa Selic está intimamente ligada ao atual cenário econômico do País. O que significa que ela acompanha os movimentos da economia e tende a ser menor quando o Brasil voltar a crescer. 

Inicialmente, a taxa de juros foi criada para substituir a Taxa Referencial (TR), em 1996. Nessa época, seu maior foco era o controle da hiperinflação da época, que estava em uma média de 16,01% ao ano. Desde então, a Taxa Selic vem desempenhando o papel de ajudar com o controle econômico do País, por meio do controle do consumo e dos preços dos juros. 

Nos anos de 2015 e 2016, onde o Brasil passava por sua maior crise desde a redemocratização, a Taxa Selic estava em torno dos 14% ao ano, o que demonstrava a situação difícil em que o Brasil se encontrava.

Dessa forma, quando o Copom se reúne, os diretores avaliam a situação econômica e, geralmente, quando a economia está em crescimento, com inflação controlada, os juros tendem a entrar em um movimento de queda.

Os cortes na Taxa Selic acontecem para aumentar o consumo da população, uma vez que a inflação está em queda e o valor do crédito se torna mais acessível. Assim, as pessoas começam a buscar por mais empréstimos, o que aumenta a circulação de dinheiro no País e faz as pessoas consumirem mais. 

Ao mesmo tempo que esse movimento de queda de juros acontece, a inflação tende a crescer, uma vez que as pessoas estão gastando mais o que aumenta a demanda e diminui a oferta. Por isso, não se surpreenda se nos próximos anos o Brasil sofrer um aumento em sua inflação, que tende a ser um movimento natural que ocorre com a queda de juros. 

Por outro lado, quando a inflação começa a subir, por conta do aumento de gastos, a tendência é de que os juros também voltem a subir, para que isso contenha um aumento desenfreado da inflação e possa manter a economia em ordem.

Para as empresas, o corte da taxa de juros também é um movimento importante. Isso ocorre uma vez que os cortes podem diminuir o endividamento que elas possuem e permitem a elas aumentarem sua capacidade de produção, o que pode gerar maiores lucros e consequentemente maior competitividade das empresas no mercado. 

A partir de 2018, a economia passou por um movimento gradual de melhora, com a expectativa de novas reformas, como a da previdência, a trabalhista e a tributária, e uma diminuição da inflação.

Com o cenário cada vez mais positivo e a entrada de investimentos estrangeiros chegando no País, isso estimulou ainda mais uma queda da Taxa Selic ao longo dos anos. 

Muitos analistas inclusive defendem que a Taxa Selic pode chegar a patamares ainda menores, o que poderia levar o País em um futuro não tão distante a chegar a uma Taxa Selic negativa, como já acontece em muitos países desenvolvidos como nos Estados Unidos. 

É por isso que muitos gestores defendem que o Brasil está chegando próximo ao “mundo real dos investimentos”, que seria a ideia de que a queda da taxa de juros não é um cenário preocupante e sim diferente e mais próximo da realidade. 

Como a Taxa Selic influencia sua vida?

Como mencionado anteriormente, a queda da Taxa Selic possui entre seus objetivos o aumento de consumo da população. 

Com a queda da taxa de juros, os bancos podem, na teoria, oferecer empréstimos e crédito com juros menores e consequentemente mais acessíveis para a população. Já na prática isso pode não ocorrer, uma vez que muitos bancos, mesmo com a possibilidade de diminuírem os juros cobrados, não repassam para a população essa diminuição e continuam oferecendo juros altos.

Mesmo assim, um cenário com juros em queda, é um cenário com a oferta de crédito mais barato, o que tende a aumentar a busca da população por bens e serviços e tende a aumentar o preço desses mesmos bens, que como resultado, pode gerar um aumento da inflação. 

Vale ainda lembrar, que uma vez que as empresas começam a aumentar suas produções nesse tipo de cenário, elas conseguem gradualmente crescer seu número de funcionários, o que ajuda a diminuir a taxa de desemprego do País.

Como a Taxa Selic influencia seus investimentos?

A Taxa Selic está intimamente ligada com os rendimentos de diversos investimentos. Os cortes causam efeitos visíveis e muitas vezes imediatos no mercado financeiro, principalmente sobre as aplicações em renda fixa. 

Abaixo, descrevemos como cada investimento é influenciado pela Taxa Selic. Confira:

1) Taxa Selic e a Caderneta da Poupança 

Atualmente a poupança ainda é o investimento mais procurado pelos brasileiros. Esse ativo está diretamente conectado com a Taxa Selic pois segue a seguinte regra: 

Dessa forma, uma vez que a Selic está atualmente em 2% ao ano, o rendimento da poupança passa a ser apenas 70% desse valor, ou seja um rendimento de cerca de 1,40% ao ano. 

Isso significa, que quanto menor estiver a Taxa Selic menor será o rendimento da poupança. Isso faz com que o retorno desse tipo de investimento seja um dos menos vantajosos para os investidores. 

Outro fator importante sobre a queda da Selic é que quanto menor for a taxa, mais próximo o rendimento da poupança poderá chegar a perder para a inflação.

O rendimento real da poupança, ou seja, o valor que efetivamente vai para o seu bolso, é o retorno da poupança descontando o IPCA (principal índice que mede a inflação).

Basta apenas que o investidor saiba o valor atual da inflação e faça o cálculo para descobrir quanto de fato ele está ganhando com a poupança. Isso demonstra como um cenário de queda da Taxa Selic, se torna negativo para os que investem na poupança.

2) Taxa Selic e o Tesouro Direto 

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional que permite aplicação em títulos da dívida pública do Brasil, com o objetivo de angariar capital para financiamento de suas dívidas e projetos.

Alguns desses títulos do Tesouro Direto possuem suas rentabilidades diretamente atreladas à Taxa Selic, como é o caso do Tesouro Selic. Seu rendimento é semelhante ao comportamento da taxa básica de juros, logo, se a Taxa Selic diminui, o Tesouro Selic passa a entregar retornos menores e vice-versa.

Atualmente os títulos disponíveis no Tesouro Direto são indexados à Selic, à inflação ou são prefixados, mas o que mais sofre com as movimentações da Selic é de fato o Tesouro Selic.

3) Taxa Selic e o CDI

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é um índice utilizado semelhante ao da Taxa Selic Over e, dessa forma, seu valor é sempre próximo ao da Taxa Selic, bem como também sofre alterações quando a taxa de juros é alterada. 

A diferença entre o CDI e a Selic Over é que essa última utiliza como garantia de empréstimos os títulos públicos. Já os títulos que são negociados com a taxa do CDI oferecem como garantia os próprios títulos privados dos bancos que estão negociando. 

Logo, se os bancos negociam títulos privados entre si, eles utilizam o CDI como índice. Mas, assim como a Selic Over, o CDI geralmente possui 0,10 pontos percentuais a menos do que a Selic Meta, o que faz com que os dois (Over e CDI) sejam basicamente a mesma coisa. Se atualmente, a Selic está em 2% ao ano, o CDI e a Over tendem a estar em 1,90% ao ano.

Sendo assim, quando a Selic cai, o CDI também cai e vice versa. Dessa forma, todo investimento de renda fixa que utiliza o CDI como índice benchmark é influenciado pelos movimentos da Taxa Selic. 

Confira abaixo os principais ativos que utilizam o CDI como índice: 

Como ganhar mais que a Selic?

Com a queda da taxa de juros os investidores começaram a procurar por investimentos mais vantajosos, com maiores rentabilidades, uma vez que os investimentos atrelados à Taxa Selic já não oferecem retornos tão altos. 

Por muito tempo, com a taxa de juros em alta, muitos investidores se acostumaram com a facilidade de investimentos em renda fixa, como a poupança, que ofereciam bons retornos.

Nos últimos anos no entanto esse cenário mudou e os investidores agora estão buscando recuperar a rentabilidade que eles possuíam, por meio de outros ativos. 

Abaixo, descrevemos alguns investimentos que podem ter rendimentos superiores  à Selic. 

1) Investimentos que rendem mais de 100% do CDI 

Uma opção são os investimentos indexados ao CDI, que oferecem mais de 100% do índice. Esses investimentos geralmente são oferecidos por bancos ou empresas menores que o governo e, dessa forma, precisam remunerar mais do que a Selic para atrair investidores. 

Dessa forma, não é difícil encontrar produtos que ofereçam 110% ou 120% do CDI, uma vez que esses bancos ou empresas precisam oferecer melhores ofertas para atrair possíveis investidores.

Na Pi você encontra diversos investimentos que oferecem esse tipo de rentabilidade, entre eles os mais comuns, como descritos anteriormente são: CDBs, LCIs, LCAs, etc.

Ainda é importante ressaltar que os riscos desses tipo de ativos variam conforme rating (saúde) de crédito de cada emissor, além disso esses produtos contam com a segurança do FGC – Fundo Garantidor de Crédito, que cobre investidores em até R$ 250 mil, por CPF e instituição financeira, com limite de R$ 1 milhão.

2) Investimentos na bolsa de valores

Outra opção para quem busca investimentos mais arrojados, com rentabilidades maiores, são os investimentos em ações da bolsa de valores. 

Em meio ao cenário de queda da Taxa Selic, muitos investidores começaram a procurar pela bolsa de valores em busca de maiores retornos.

Vale lembrar que quando os juros ficam menores as empresas têm mais acesso ao crédito, o que faz com que elas produzam mais e consequentemente possam possuir ações mais valorizadas, o que atrai muitos investidores para esse mercado.

O risco, no entanto, já é muito maior, uma vez que o risco de mercado (volatilidade de preços) se torna mais presente, e pode fazer com que muitos investidores percam dinheiro. Vale sempre conhecer seu perfil de investidor para que conheça mais a fundo a sua aptidão a riscos.

3) Fundos de Investimentos 

Outra opção que pode possuir rentabilidades mais vantajosas são os fundos de investimentos. Os gestores desses fundos possuem uma liberdade maior para montar estratégias que possam bater a rentabilidade da Selic ou do CDI.

Os fundos multimercados que você encontra na plataforma da Pi, são fundos que misturam diversos ativos, como ações, títulos públicos, crédito privado, etc, dessa forma, conseguem oferecer rentabilidades diferenciadas. 

Esses fundos são ainda uma opção para quem não conhece muito sobre investimentos, mas deseja investir, uma vez que quem faz toda a estratégia de compra e venda são os gestores profissionais dos fundos. 

Na Pi você encontra investimentos com rentabilidades diversas. Basta abrir sua conta e fazer seu teste de perfil de investidor para que descubra quais os investimentos podem se encaixar melhor em seus objetivos futuros. 

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Material publicitário. Para mais informações, acesse aqui. Os investimentos apresentados podem não ser adequados aos seus objetivos, situação financeira ou necessidades individuais. O preenchimento dos formulários API – Análise de Perfil do Investidor é essencial para garantir a adequação do perfil do cliente ao produto de investimento escolhido. Leia previamente as condições de cada produto antes de investir.

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