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Mercado futuro: seu guia completo sobre o tema

Francisco Holanda. 20/04/2020

Você já conhece o mercado futuro? Similar ao mercado de ações, esse ambiente tem sido muito procurado por investidores que visam a diversificação da carteira em renda variável, por meio de investimentos relativamente diferentes, como commodities. 

Nessa matéria você irá entender tudo sobre o mercado futuro. 

O que você irá conferir:

O que é mercado futuro?

Mercado futuro é um ambiente onde são negociados contratos de compra e venda de produtos que só serão realizados no futuro. Esses contratos recebem o nome de contratos futuros. Os produtos negociados são de diversos tipos, desde commodities como milho, café, boi gordo, até moedas, como o Dólar, e índices como o Ibovespa e o S&EP 500.

Esses contratos representam acordos de compra e venda, por um determinado preço em um determinado período no futuro. Com isso, o investidor poderá ganhar com a alta e baixa do valor definido no contrato, pois este irá oscilar de acordo com a oferta e demanda, assim como o valor de uma ação. Por isso, a lógica é bem parecida com a do mercado de ações.

Como em ações, a oferta e procura faz com que o preço do ativo oscile. Se o investidor adquire um contrato na baixa e vende na alta, ele ganha, se fizer o contrário, perde. Aqui, o investidor está apostando que o valor de seu contrato (e logo do produto desse contrato), irá se valorizar no futuro, e assim, espera ganhar com essa valorização. 

Vale lembrar que adquirir um contrato futuro não significa comprar nenhum produto, mas sim adquirir os direitos de oscilações do valor sobre ele.

Em outras palavras, você pode pensar que investir no mercado futuro é tão simples como investir em ações. Ao comprar um contrato futuro, você passa a ganhar com a alta dos seus preços e perder se o valor cair.

Claro que o contrário também é verdadeiro, afinal você pode apostar na queda do ativo e portanto, você ganha se de fato o preço cair. Nesse mercado sempre existem duas pontas envolvidas, uma parte que acredita na queda e outra na alta, e cada uma faz a sua aposta.

Assim como com os papéis, cada contrato futuro possui um “lote mínimo” que representa a quantidade negociada daquela commodity. Esse lote pode ser, por exemplo, em sacas de café, arrobas de boi gordo, dólares, juros ou pontos de algum índice. Cada contrato possui seu próprio código de negociação e assim, o investidor compra e vende os contratos diretamente pelo home broker.

Quanto é preciso para investir em mercado futuro?

Uma das vantagens de se investir nesse ambiente é que o investidor não precisa de dinheiro, mas sim de uma margem de garantia. Ela nada mais é do que uma espécie de “caução”, que garantirá que o investidor será capaz de arcar com as perdas, caso possua, decorrentes da oscilação do mercado.

Essa margem de garantia pode variar de acordo com o contrato o qual se investe, mas é interessante saber que ela não precisa ser necessariamente em dinheiro, podendo ser considerado outros ativos financeiros como CDBs, títulos públicos ou ações.

Em outras palavras, essa “caução” é necessária para investir nesse tipo de ativo, que  permite ao investidor alavancar seu dinheiro para operar mais contratos. 

De quanto é essa margem de garantia? Geralmente varia entre 3 a 16%, a depender do contrato. Isso significa que para você conseguir investir você terá que ter a porcentagem específica do contrato disponível como garantia, seja ela em dinheiro ou em outros ativos. 

Como receber ou pagar lucros e prejuízos?

Aqui é possível observar uma diferença em relação ao mercado de ações. Nesse ambiente, o investidor precisa vender suas ações para realizar seus lucros ou prejuízos. Os ganhos ou perdas nesse caso vem da diferença entre o preço de compra e o preço que você recebe na venda. 

Já no mercado futuro, não é necessário com que o investidor se desfaça de seus contratos para receber esse valor de lucro ou prejuízo, pois ele sempre vem no dia seguinte em forma de “ajuste diário” de posição. 

Isso significa que independente se você vende ou não seus contratos, o ajuste diário irá automaticamente lhe repassar os ganhos ou perdas que você possuir. Dessa forma, todos os dias, a B3 faz os ajustes, creditando o lucro daqueles que foram bem sucedidos no dia anterior ou debitando o prejuízo na conta daqueles que sofreram oscilações negativas. 

Como comprar os contratos futuros?

Como dito anteriormente, o passo para comprar esses contratos é idêntico ao de compra de ações. O investidor entra em sua corretora, em seguida em seu home broker, escolhe o contrato e realiza a compra. 

A escolha do contrato futuro se dará de acordo com os objetivos de cada um. Dependendo de quando você quer liquidar a operação, qual a rentabilidade você deseja, quais os riscos de cada contrato, qual o valor você tem disponível para investir e etc.

O momento certo para compra será encontrado com a ajuda de análise técnica, onde você precisa analisar gráficos, buscando por padrões e sinais de alta ou queda.

Para comprá-los, no entanto, você precisará entender os códigos dos produtos. Cada um possui em suas três primeiras letras os produtos que o representam. Confira:  

CONTRATOCÓDIGO
Boi GordoBGI
MilhoCCM
Café ArábicaICF
Índice S&P 500ISP
DólarDOL
MinidólarWDO
índice BovespaIND
Mini-índice BovespaWIN
Juros DIDI1

Depois dessas três primeiras , vem a letra referente ao mês de vencimento.

MÊS DE VENCIMENTOLETRA
JaneiroF
FevereiroG
MarçoH
AbrilJ
MaioK
JunhoM
JulhoN
AgostoQ
SetembroU
OutubroV
NovembroX
DezembroZ

Por fim, após essa letra, acrescentam-se dois números referentes ao ano que o produto vencerá. Exemplo: BGIJ21 que é um contrato de boi gordo que vence em abril de 2021.

Como são negociados os contratos futuros? 

Cada tipo de produto negociado no mercado futuro possui suas peculiaridades em relação ao lote mínimo, a cotação, sua margem de garantia e vencimento. Confira as características de cada um: 

Boi gordo

O lote mínimo para negociar esse tipo de produto é de um contrato, que representa 330 arrobas de carne bovina (4.950 kg). Por exemplo, o arroba está em R$ 200, o valor total do contrato (200 x 330) seria R$ 66.000. Isso significa que você precisa deste valor para comprar o contrato? Não. Lembre-se que você só precisa da margem de garantia para o produto. Com ela em torno de de 4%, por exemplo, você precisará de R$ 2.640 para conseguir investir. 

O contrato vence todo último dia útil do mês, o atual deixa de existir e o contrato de próximo vencimento passa a ser o mais negociado.

Café arábica

O contrato de café equivale a 100 sacas de 60kg (6 toneladas de café) cada uma. O preço da cotação do café que aparece no home broker, é o valor de 60 kg de café em dólares. Logo, se o contrato está valendo 200 dólares, e o dólar estiver cotado em R$ 4,00, cada saca teria o valor de 200 dólares x 4 reais = R$ 800,00 por saca. 

Como o contrato é de 100 sacas, o valor total do contrato seria de 100 sacas x 200 dólares x 4 reais = R$ 80.000,00.

A garantia  desse mercado é muitas vezes de 10%. Nesse caso, você precisa de R$ 8.000 para arcar com um contrato. Ele vence no 6º dia útil anterior ao último dia útil nos meses de março, maio, julho, setembro e dezembro.

Milho

O contrato do milho equivale a 450 sacas de 60 kg (27 toneladas). Se o preço da saca estiver a R$ 40, ele valeria R$ 18.000 (R$ 40 x 450).

A margem de garantia para investir em um contrato é em torno de 7% do total. Assim, para investir em um, seria necessário o valor de R$ 1.260. O vencimento ocorre sempre no 15º dia útil. 

Dólar cheio 

O lote mínimo para o dólar cheio é de cinco contratos e cada um com o valor de US$ 50.000. Ou seja, o valor necessário para negociar esses 5 contratos será de  (50.000 x 5) US$ 250.000, vezes a cotação para o real. Se a cotação do dólar estiver em R$ 4, o valor será de R$1.000.000. 

Se nesse caso a margem de garantia for de 10%, então para fazer o aporte, você terá de desembolsar R$ 100.000 pelo lote.

Aqui imagine que ao comprar esses 5 contratos (US$ 250.000) e eles receberem a valorização de 1%, você terá lucrado, US$ 2.500 ou R$ 10.000. 

Esse tipo de contrato vence no primeiro  dia útil do mês.  

Dólar Mini

O dólar mini é o produto para os pequenos investidores que não conseguem arcar com o valor de contratos de dólar cheio. O seu lote mínimo é de um contrato e consiste em US$ 10.000 ou R$ 40.000, em uma cotação de dólar a R$ 4.

Com uma margem de garantia de 10%, por exemplo, o investidor precisará de R$ 4.000 para comprar o contrato.

Assim como no caso do dólar cheio, o mini também possui vencimento para todos os meses, sempre no primeiro dia útil do mês de vencimento.

Leia mais: Confira 6 dicas de como investir em dólar

Índice Bovespa Cheio

O Ibovespa é um dos principais índices da bolsa brasileira e é composto pelas ações mais negociadas no mercado do país. O índice futuro então é um dos produtos negociados no mercado futuro que aposta na valorização do Ibovespa. 

Cada lote mínimo possui cinco contratos e cada contrato equivale a R$ 1, multiplicado pelos pontos do Ibovespa. Se o índice está em 60.000 pontos, por exemplo, o lote mínimo irá valer R$ 60.000. 

Se a margem de garantia for de 16%, resultará no valor de R$ 9.600 para investir. O vencimento se dá sempre nos meses pares.

Conheça mais sobre o Ibovespa:

Mini índice bovespa

Aqui é a mesma lógica do dólar, ou seja, serve para os investidores que não conseguem arcar com os contratos cheios. 

Cada lote mínimo possui um contrato e cada contrato equivale a R$ 0,20, multiplicado pelos pontos do Ibovespa. Com os mesmos 60.000 pontos e uma margem de garantia em 16%, seria necessário R$ 1.920 para investir.

S&P500

Um índice como o Ibovespa, o S&P500  é considerado um dos índices mais importantes do mundo, uma vez que representa as ações das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Isso significa que ao operar esses contratos, o investidor está negociando um índice atrelado a empresas como Apple, Google, Disney, Coca-Cola, etc.

Cada ponto desse índice vale U$ 50,00, mas não se assuste ao comparar o preço do ponto do S&P 500 ao do Índice Bovespa, pois o primeiro possui uma pontuação em média, muito menor, por volta de 2.000 pontos.

Se o contrato de S&P 500 está em 2.000 pontos, por exemplo, isso quer dizer que cada contrato valeria U$ 100.000,00 ou R$ 400.000, em uma cotação do dólar a R$ 4.

Vantagens do mercado futuro

1 – Liquidez

Enquanto o mercado de ações negocia em torno de 10 bilhões de reais por dia, o mercado futuro já chegou a negociar em torno de 100 bilhões de reais em um único pregão. Este volume, gera uma alta liquidez que facilita aos investidores comprarem ou venderem seus contratos.

2 – Diversificação

Por meio do mercado futuro o investidor não fica preso somente a papéis. Nesse ambiente, ele terá a oportunidade de diversificar sua carteira com bens que sempre foram muito negociados, como boi e café. 

3 – Facilidade 

A negociação no mercado futuro é relativamente simples, bem como no mercado acionário. Além de também ser feito através do home broker, boa parte das estratégias utilizadas no mercado de ações também são aplicáveis no mercado futuro, seja para o Day Trade ou para curto prazo.

4 – Alavancagem 

Como vimos anteriormente, para investir em contratos futuros o investidor não necessita do valor do contrato operado em dinheiro, já que ele não pagará ou receberá por ele, mas unicamente por sua oscilação, o que permite a alavancagem.

Como não existe custo adicional para alavancagem, a vantagem aqui  está no aumento do potencial de ganho ou do risco da operação na mesma proporção. 

5 – Flexibilidade 

No mercado futuro é possível apostar tanto na alta quanto na baixa de um ativo. Por exemplo, se a perspectiva para o dólar é de queda, o investidor poderá optar por vender ao invés de comprar. Assim, quanto mais o dólar cair, mais ele ganhará.

Quais os riscos do mercado futuro e como se proteger?

Assim como em qualquer outro tipo de investimento, quanto maior é a oportunidade de retorno, maiores são os riscos. Ao mesmo tempo em que o mercado futuro é um ambiente de grandes oportunidades, ele também expõe o investidor a riscos que precisam ser compreendidos na hora de realizar este tipo de investimento. Conheça alguns deles: 

Risco de alavancagem 

Ao lidar com alavancagem, o risco é semelhante e geralmente proporcional ao potencial de ganho. Ou seja, se o investidor tem a oportunidade de ganhar 10x mais, ele também precisa assumir um risco 10x maior.

Por isso, é preciso estar ciente dos riscos antes de começar a investir, uma vez que resultados negativos em operações alavancadas podem trazer prejuízos relevantes e até mesmo superiores ao valor aplicado pelo investidor. 

A dica aqui é: entre em uma operação uma vez que saiba o quanto pode perder nela e apenas se estiver confortável com este risco. Para saber se você estará ou não confortável, vale realizar seu teste de perfil de investidor (suitability) para entender qual a sua aptidão ao risco.

Risco de alteração de margem

Aqui, o risco é que caso a margem suba, o investidor que está posicionado em contratos futuros pode ser obrigado a reduzir sua exposição ou a aportar mais recursos.

Para evitar esse tipo de risco, é recomendável que o investidor sempre tenha disponível, um valor maior do que a margem exigida por aquele contrato.

Risco dos ajustes diários

Como dito anteriormente, os contratos futuros são reajustados diariamente de acordo com sua oscilação, ou seja,  os resultados são pagos ou recebidos diariamente e, por isso, é fundamental que o investidor sempre tenha caixa de um valor suficiente para arcar com eventuais ajustes negativos. Caso ele não tenha esses recursos para arcar com ajustes,  poderá enfrentar cobranças elevadas de juros ou ser forçado a encerrar sua posição.

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Para mais informações sobre a Pi, acesse: somospi.com.br

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