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Como o acordo comercial entre EUA e China impacta seus investimentos?

Jenifer Corrêa. 23/01/2020

Estados Unidos e China querem dar mais um passo rumo à solução da tensão comercial que pesa sobre os países há cerca de dois anos. Na semana passada, assinaram a primeira fase de um acordo comercial e agora procuram um consenso para evoluir para uma segunda etapa.

A primeira etapa do acordo envolveu a redução das tarifas norte-americanas sobre os produtos chineses e o compromisso da China comprar mais US$ 200 bilhões em produtos dos EUA. A segunda etapa ainda está em discussão.

“De forma geral, esse acordo é bastante positivo por diminuir o risco negativo sobre os mercados e a economia global. Quando a gente olha hoje para os dados econômicos, vemos sinais de recuperação nos emergentes. Ainda mais considerando o último ano de expansão monetária, acompanhada de expansão fiscal em alguns países”, explica o sócio-fundador e estrategista da Safari Capital, Elsom Yassuda, em entrevista exclusiva para o Blog da Pi.

E o Brasil também é beneficiado nesse pacote. Como pano de fundo, a guerra comercial era um fator que vinha contendo um pouco o desempenho da bolsa de valores brasileira, mas a tendência agora é que essa pressão diminua.

“A bolsa brasileira vem se beneficiando das mudanças estruturais importantes que aconteceram recentemente no país: a reforma da previdência e o mix de política monetária e fiscal. Sem o peso externo da guerra comercial, o desempenho do mercado brasileiro deve ser ainda melhor, de maneira geral”, avalia Yassuda.

Do ponto de vista setorial, entretanto, vale destacar que alguns segmentos da economia tendem a se beneficiar mais do que outros do acordo comercial. O agronegócio, por exemplo, tende a ser impactado negativamente, já que os EUA passarão a comprar mais da China e isso passa por gêneros agrícolas exportados pelo Brasil, como a soja, por exemplo.

Por outro lado, Yassuda destaca que os setores que já vinham se beneficiando do novo ciclo econômico doméstico, como bens de consumo e varejo, devem manter um desempenho favorável, após o acordo comercial entre EUA e China.

E como deve se comportar o investidor brasileiro com o acordo comercial?

O estrategista acredita que, de forma geral, o acordo comercial deve ser um catalisador para o mercado brasileiro como um todo, o que favorece que o investidor brasileiro continue tomando mais risco e buscando alternativas de investimento na renda variável.

“O acordo comercial entre EUA e China diminui o risco de recessão no horizonte de um ano. Muda o balanço de risco dos mercados, pelo menos no curto prazo. Os investidores globais vão buscar mais os mercados emergentes, aumentando a exposição a risco e saindo das classes de ativos mais seguras, como títulos públicos, dólar e ações norte-americanas. Os ativos dos mercados emergentes e das commodities se tornam mais atrativos. Temos à frente à eleição nos EUA, que deve conter um rali, mas as perspectivas para o curto prazo são favoráveis para o mercado brasileiro”, afirma Yassuda.

Leia também: Terceira Guerra Mundial nos investimentos?

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