Investir em ativos no exterior, pode parecer complicado para muitos investidores em um primeiro momento. Mas essa tarefa ficou mais simples desde que a B3 autorizou a negociação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) por qualquer investidor pessoa física em outubro. 

Desde então o tema ficou em alta e chamou atenção de diversos investidores, afinal, esse tipo de ativo é uma alternativa para quem deseja investir nas maiores empresas do mundo como Apple, Netflix, Amazon, Microsoft, Disney, entre outras, de forma simplificada, já que trata-sede certificados de ações emitidos em outros países, mas que são negociados no Brasil. 

Atualmente existem duas formas de investir neste ativo. A primeira é negociando o papel diretamente, sem intermediários. A outra alternativa é mais simples, já que é feita por meio de fundos de investimento. Nesta segunda opção, quem escolhe em quais BDRs investir é o gestor, que seleciona os ativos que mais tem aderência à estratégia elaborada por ele. 

Convidamos a Apex Capital, uma asset que conta com este tipo de ativo em seu portfólio, para entender como é feita a escolha dos BDRs, compreender quais fatores podem impactar na rentabilidade desse ativo, saber a diferença entre um BDRs e os ETFs listados em bolsa. 

Confira o bate-papo exclusivo do blog da Pi com Thiago Kapulskis, sócio da Apex Capital e Analista de Empresas, e Alexandre Salfatis, sócio da Apex Capital e Co-gestor.

Pi Investimentos: Quais fatores podem afetar a rentabilidade dos BDRs?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: As BDRs irão render a performance da ação objeto no exterior somada à variação cambial (USDBRL).  Quando se compra uma BDR, se não for feito um hedge, você está comprado também em USD x BRL.

Pi Investimentos: A valorização ou desvalorização dos BDRs reflete o que acontece com a ação no exterior?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: Sim, reflete com bastante fidelidade o preço da ação no exterior somada à variação cambial.  Todas as BDRs tem formadores de mercado na B3, o que limita a diferença de preço em relação à cotação nos EUA.  Por enquanto só existem BDRs de papéis que operam nos EUA (empresas locais ou que possuem ADRs).  Podem haver algumas distorções nos preços de fechamento já que o mercado brasileiro fecha um pouco antes do mercado americano, mas estas distorções tendem a ser corrigidas no dia seguinte.  A B3 inclusive colocou recentemente uma regra de marcação do preço de fechamento para tentar diminuir este efeito: se não há negócios na BDR durante o leilão, eles usam como preço de fechamento oficial o fechamento nos EUA convertido em BRL.

Pi Investimentos: Os BDRs também pagam dividendos e juros sobre capital próprio? Esses proventos são pagos ao fundo?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: JCP não existe lá fora. Os dividendos pagos no exterior são convertidos em BRL pelo custodiante e pagos aqui após a retenção de impostos/taxas como se fossem dividendos de papéis brasileiros.

Pi Investimentos: Qual a principal diferença entre investir em ações no exterior, BDRs e ETFs listadas na B3 para se ter exposição internacional?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: Entendo que a diferença é o modo de acessar o mercado, principalmente para investidores que tenham restrições ou dificuldades para operar no exterior.  Em termos de rentabilidade, não deveria haver diferença relevante.

Pi Investimentos: Como vocês escolhem as ações que compõem o fundo de investimento da Apex, presentes em nossa plataforma?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: Em relação às ações globais, nosso processo de investimento consiste em 3 partes. Primeiro, fazemos uma análise top down, que consiste na seleção e estudo profundo de temas/tendências de longo prazo, que acreditamos que seguirão por bastante tempo. Uma vez selecionados os temas, fazemos uma análise bottom-up, selecionando empresas que se encaixam nessas tendências de maneira relevante. Essa análise envolve tanto fatores qualitativos (modelo de negócio, gestão da empresa, entre diversos outros pontos) como quantitativos (% da receita exposta ao tema, se a empresa pode ganhar margem com as mudanças, etc). Em paralelo, também fazemos uma análise de valuation das empresas. Importante lembrar que, uma vez finalizado o processo de seleção das empresas, fazemos um acompanhamento profundo tanto da ação/empresa em si quanto do próprio tema/tendência que serve como base para o investimento.

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