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As maiores crises econômicas mundiais e o coronavírus

Francisco Holanda. 17/04/2020

Em 1929, o mundo enfrentou a chamada “Grande Depressão” que ficou conhecida como uma das crises econômicas mais avassaladoras que o planeta havia enfrentado.

Em 2008, veio a crise do “subprime”, que levou à falência um dos maiores bancos norte-americanos e criou uma grande recessão que teve início nos EUA e logo se espalhou para toda a Europa. 

Hoje, em 2020, há uma discussão se a crise causada pela disseminação pandêmica do Covid-19 irá ultrapassar a extensão do caos que se vivenciou em 1929 e 2008.

O que muita gente não sabe, no entanto, é que crises econômicas são cíclicas e que as duas mencionadas acima não foram as únicas que os governos mundiais já tiveram de enfrentar no último século.. 

Por isso, nessa matéria, nós iremos entender mais sobre as maiores crises econômicas que o mundo já vivenciou, e ao fim, compará-las a atual causada pelo coronavírus. 

Quais crises econômicas você irá conferir: 

1929 – A Grande Depressão

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Europa encontrava-se completamente destruída pelo conflito. Isso abriu espaço para com que os Estados Unidos ocupasse uma posição chave de ajuda econômica aos países europeus, que fizeram a potência norte-americana entrar em uma grande prosperidade econômica, em um momento onde as exportações se multiplicavam para o velho continente. 

A partir de 1925, no entanto, a Europa passou a se recuperar economicamente, recuperando seu mercado consumidor e passando a demandar menos dos bens norte-americanos. A partir daí, os pais que que continuava em um ritmo frenético de produção, começou a sofrer os impactos de uma menor demanda por seus produtos que levaram a alta dos estoques e o preço de seus bens em queda. 

Com isso, não é difícil imaginar o que se seguiu. Múltiplas empresas foram à falência, o desemprego reinou sob 25% da população norte-americana, e em 29 de outubro de 1929, a Bolsa de Valores de Nova York despencou, com mais de 16 milhões de ações sendo vendidas.

O que se seguiu nos três anos seguintes foi uma queda abrupta do PIB mundial em 15%, e a produção norte-americana reduzida em quase 50%. 

Como consequência da crise, os países passaram a adotar mais medidas protecionistas e o capitalismo viu sua influência diminuir relativamente em muitos cantos do mundo, o que abriu espaço para uma maior aceitação ideológica nazi-fascista que assolou o mundo nas décadas seguintes. 

A recuperação da economia norte-americana foi gradual, mas deu início a partir de 1933, quando a partir do que ficou conhecido como New Deal, o país adotou medidas como a intervenção do Estado na economia, o controle das produções agrícolas e industriais, além da criação do seguro desemprego e de obras públicas para oferecimento de trabalho a desempregados. 

1980 – A crise dos países latino-americanos

No início dos anos 70, boa parte dos países latino-americanos passaram a se endividar rapidamente quando começaram a utilizar crédito barato em quantidade excessiva para projetos de infraestrutura. A abundância de crédito levou essas nações a alcançarem altas taxas de crescimento, por exemplo no Brasil que na época passou pelo chamado “Milagre Econômico” onde, entre 67 e 74, praticamente dobrou seu tamanho economicamente. 

Os problemas vieram, quando, também na década de 70, o mundo enfrentou os chamados “choques do petróleo”, que ocorrem em 73 e 79, onde houve uma explosão dos preços do petróleo que alavancaram um aumento da inflação nos Estados Unidos. Essa situação levou o país norte-americano a elevar seus juros para o controle da inflação, o que fez pesar o valor da dívida que os países latinos possuíam para com a potência, que possuíam dívidas pós fixadas, ou seja, que seriam pagas com base nos juros definidos no momento do pagamento.

Nesse cenário, a década de 1980, que também ficou conhecida como a Década Perdida para muitos países latino americanos, foi um momento de crescimento limitado e com severos problemas de inflação. Nesse período, o Brasil passou por uma hiperinflação, onde durante os anos de 80 a 89 o país possuía uma inflação em média de 233,5% ao ano. 

Em resposta à crise, boa parte dos países foi forçada a deixar de lado modelos econômicos para adotarem estratégias de crescimento promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). 

1994 – A crise mexicana

Uma série de crises econômicas atingiu o mundo na década de 90. A primeira ocorreu no México, que vinha recebendo um aumento da confiança dos investidores, quando aderiu ao Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). O PIB do país crescia e ele apostava em uma política fiscal monetária expansiva, com emissão de títulos mexicanos que garantiam seu pagamento em dólar. 

Os problemas começaram em 1994, época pré-eleitoral, onde crescia a instabilidade política, déficits na balança comercial e uma sobrevalorização do peso (moeda mexicana). O dinheiro estrangeiro passou a ser retirado rapidamente e em 95, o PIB mexicano encolhia 6,3%.

Com a saída de capital, os créditos acabaram, a produção industrial caiu drasticamente e o desemprego no país chegou a 60%. Boa parte da América Latina sofreu o impacto. E as consequências sob os países do continente ficou lembrada como “Efeito Tequila”. 

1997 – A crise asiática 

A crise asiática veio após um período de fortes taxas de crescimento, superiores a 6% ao ano, que já atingiam os tigres asiáticos desde 1987.

A crise que teve seu ápice em 97, começou já em 95 quando um acordo internacional agravou a desvalorização da moeda japonesa e chinesa (Iene e Renmimbi, respectivamente) frente ao dólar norte-americano.

A valorização do dólar aumentou o endividamento externo, tornou as exportações dos países asiáticos menos competitivas e diminui o preço mundial de alguns dos principais produtos de exportação do continente.

Nesse cenário, uma série de ataques especulativos passou a alcançar as moedas da região. Em maio de 97, o primeiro país a ser atingido foi a Tailândia, que inicialmente tentou resistir a desvalorização da sua moeda, mas sucumbiu diante do fim de suas reservas. Três meses depois, os impactos já eram sentidos na Bolsa de Valores de Hong Kong. Países como Taiwan, Indonésia e Coreia do Sul recorriam ao FMI para obterem empréstimos na tentativa de minimizar os danos econômicos.

A crise também refletiu nas potências econômicas. Diversas ações internacionais sofreram quedas em 60% e a economia mundial ficou contida nos anos de 98 e 99. Por fim, os impactos também foram sentidos no Brasil, que logo após a queda de mais de 10% na bolsa de Hong Kong, também viu seus papéis desvalorizarem em cerca de 8% no mesmo dia.

1998 – Crise russa

Em grande parte, a crise russa se deu por uma transição mal sucedida e acelerada da economia planificada comunista da antiga URSS para a economia de mercado capitalista

Essa crise começou a demonstrar seus sinais já desde o colapso político da URSS e a desintegração territorial, que se sucedeu em 1991. A partir daí, a Rússia falhou em implementar políticas econômicas e não conseguiu reestruturar ou implementar setores produtivos em sua indústria. Com a falta de reestruturação necessária, as empresas começaram a falir e o país entrou em uma grave crise econômica, com taxas negativas em seu PIB, altas taxas de inflação e desemprego elevado que atingiu 15% da população e fez 35% dos russos viverem abaixo da linha da pobreza. 

Em 97, com a crise asiática, a situação da Rússia se torna ainda mais deteriorada, com a redução de crédito internacional e a queda dos preços das commodities exportadas. Com a escassez do crédito, a crise estoura em 98 quando o país decretou moratória de sua dívida externa e ao mesmo tempo também desvalorizou sua moeda.

2008 – A crise do subprime

Essa crise financeira foi considerada por muitos como a pior das crises econômicas desde a crise de 29. Ela ocorreu em linhas gerais devido a uma bolha imobiliária nos Estados Unidos, que derivou do aumento dos valores de imóveis e não foi acompanhado por um aumento na renda da população. 

Essa bolha foi basicamente o oferecimento de maior crédito por parte dos bancos, já desde os anos 90, que expandiu o crédito imobiliário e começou a atrair mais consumidores. A alta demanda, causou uma valorização dos imóveis, mas foi seguida com uma taxa de juros maior e derrubou o preço dos imóveis novamente. Quando a taxa de juros subiu, muita gente não teve como pagar as hipotecas e diversos bancos passaram a ficar descapitalizados. 

Ou seja, a consequência pela alta oferta inicial e posteriormente um aumento dos juros, causou a bolha imobiliária, já que as pessoas não conseguiam pagar mais juros sobre o valor emprestado, o que fez os bancos não terem dinheiro para realizar sua operações,  o que deu início a crise. 

Dessa forma, em 15 de setembro de 2008, que um dos maiores bancos americanos, o Lehman Brothers, declarou falência, o que consequentemente seguiu de uma gigantesca queda das principais bolsas mundiais e marcou o inicio de uma da maiores e mais graves crises econômicos que o mundo vivenciou.

Após uma recusa inicial do governo norte-americano, de aplicar dinheiro público no setor privado, para tentar salvar algumas instituições financeiras, as bolsas ao redor do mundo começaram a colapsar, pois os investidores, temendo a recessão que isso causaria, passaram a resgatar sua aplicações, o que diminui a liquidez do mercado. Nos dias seguintes a falência do Lehman, as bolsas mundiais já registravam quedas na casa dos 30%.

A renda coletiva de muitas famílias norte-americanas registrou queda de mais de 25%. entre os anos de 2007 e 2008. O índice S&P 500, o maior da bolsa americana, caía cerca de 45%, enquanto o desemprego chegava a seu maior percentual desde 1983. 

Em dois anos, apesar dos esforços dos bancos centrais para injetar milhões de dólares na economia mundial, a crise se espalhou e alcançou a zona do euro e atingiu principalmente Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e a Itália. 

No Brasil, e em geral nos mercados emergentes, a crise foi sentida com menor intensidade. Na época, o presidente Lula se referiu a crise como sendo apenas uma “marolinha”, que significava na sua crença de que ela não seria muito sentida no país. 

Mesmo assim, o índice BOVESPA ainda viu suas ações caírem e o preço do dólar aumentar. Isso porque em momentos de crise, os investidores retiram seu capital de mercados mais arriscados e o realocam para pontos mais seguros. Com isso, houve uma expectativa de crescimento econômico reduzida e uma redução da previsão do PIB para o país. Muitos economistas também defendem que o Brasil passou a sentir os efeitos da crise nos anos de 2014 e 2015, onde o passou por sua pior recessão desde a redemocratização.

2020 – A crise do coronavírus 

A epidemia do Covid-19, que teve início em dezembro de 2019, e se espalhou por todos os continentes nos meses seguintes, tem causado o questionamento de qual a gravidade econômica que ela trará para o mundo em comparação com as outras crises já vivenciadas. 

O fato é de que ela já é de fato diferente das demais, uma vez que foi causada por um vírus, e não por situações econômicas monetárias de qualquer país. Vemos que comumente, as outras crises possuem características similares: decorreram de problemas no setor financeiro de algum país (ou grupo) específico. 

Já essa crise possui características próprias, pois decorre de causas naturais, assim como outras epidemias que o mundo já havia presenciado (como a gripe espanhola, de 1918 a 1920). Ela abalou tanto a demanda quanto a oferta dos países, que se viram obrigados a utilizarem do isolamento social como forma de evitar uma maior disseminação da doença. 

As bolsas mundiais reagiram em pouco tempo. Em março, quando o vírus já haviam se alastrado o Ibovespa registrou quedas na casa dos 30%, o que demonstrava o pavor dos investidores em relação a uma possível recessão global. 

No entanto, não há um episódio histórico, de crise econômica mundial derivada de um vírus natural, que possa fornecer insights ou previsões sobre quais serão as consequências econômicas futuras para esse momento

O FMI defende que a crise do coronavírus irá causar o pior desempenho da economia global desde a Grande Depressão, de 1929. O mesmo também realizou estudos que preveem uma diminuição do PIB brasileiro em 5,3%, o pior resultado desde 1901. A análise do PIB brasileiro pelo FMI, no entanto, é mais pessimista do que análises do mercado local, que estimam uma redução do PIB brasileiro em cerca de 1,96% para 2020.

Um consenso entre muitos economistas no entanto é de que a crise deve ser mais severa nos países desenvolvidos, que já vinham alcançando altas taxas de crescimento nos últimos anos. As projeções do órgão são de que os países mais ricos devem retrair suas atividades em 6,1%, enquanto os países emergentes, como o Brasil, devem recuar suas atividades em torno de 1%.

O fato é de que as crises anteriores deixaram lições que podem ser utilizadas pelos governos para mitigar o dano econômico. Medidas de estímulo fiscal e monetário e a emissão de moeda estão entre algumas das ações, que segundo economistas, o governo poderá utilizar.

O momento é único na história e isso é um fato. Enquanto enfrentamos a crise, previsões precisas sobre o impacto final que a crise trará são um tanto difíceis de acontecer. A extensão do isolamento social irá ditar quais serão as consequências. E no fim, quando a economia voltar a girar, serão realizadas análises mais precisas do impacto que a crise trouxe. No momento, só nos basta esperar e ficar em casa

Assista também:

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