A alta da bolsa está perto do fim? Ela cresceu rápido demais?

Por: Vokin Investimentos

Inflação ou deflação? Recessão ou depressão? Dólar para cima ou pra baixo? Juros para cima ou pra baixo? EUA ou China? Guedes fica ou cai? Vacina ou imunidade de rebanho? Teto dos gastos aguenta?

Atualmente, o nome do jogo é diversificação. Em momentos de incerteza, a diversificação é a melhor alternativa pela busca de retornos equilibrados, seja qual for o cenário.

E quem disse que não dá para diversificar somente comprando empresas? Apesar de relativamente pequena, nossa bolsa proporciona empresas suficientes para diversificar e nos expormos a diferentes fatores de risco. 

Dólar alto: exportadores. Dólar baixo: importadores. Recuperação em V: empresas cíclicas. Recuperação em L: empresas de consumo essencial. Inflação: empresas com baixo investimento em capital de giro. Deflação: empresas com investimento alto em capital de giro. Juros para cima: bancos. Juros para baixo: empresas que possuem endividamento mais elevado.

Vivemos hoje em mundo que testa limites até então não testados: nos últimos seis meses vimos diversas medidas monetárias e fiscais tomadas pelos principais governantes mundo afora que injetaram uma quantidade enorme de liquidez no sistema. Como consequência, houve queda dos juros reais para patamares negativos, favorecendo ativos de risco mesmo que a perspectiva de fluxos de caixa tenha se mantido ou até caído um pouco.

O Brasil, país que não tem moeda reserva e que tem histórico de indisciplina fiscal, para continuar se aproveitando de juros baixos – que financia déficits, e melhora as expectativas do setor privado através dos preços de ativos e abundância de dinheiro (ex: IPOs) – precisa manter o teto e controle sobre a despesa pública. Por isso é tão importante monitorar os desdobramentos políticos dos próximos meses.

O melhor cenário seria a aprovação de uma reforma administrativa, que sinalizasse um ajuste estrutural pelo lado das despesas. Mesmo que essa medida não evitasse o elevado déficit primário de 2020 e consequentes déficits nos próximos cinco anos, ajudaria a manter as expectativas sob controle, facilitando tanto para o tesouro nacional na gestão da dívida pública quanto para o Banco Central na gestão da liquidez.

Se o governo conseguir manter as expectativas quanto ao rigor fiscal, é possível que a bolsa se mantenha em alta. Alguns setores parecem ter exagerado para cima e outros foram desprezados, então é possível que vejamos correções em alguns papéis, mas a bolsa como um todo não sofra. Quem se beneficiará nesse cenário, em nossa opinião, são os investidores que fazem análises aprofundadas e não se deixam levar pelas ondas de otimismo e pessimismo do mercado.

Também é importante olhar o cenário externo. Nos Estados Unidos, ainda não temos certeza sobre o nível de atividade que se verificará após o fim da pandemia. Por mais que a retomada dos últimos meses tenha sido rápida em vários segmentos, o país ainda opera a um nível abaixo do pré-pandemia e não sabemos como e quando esse diferencial irá fechar, dado o nível de desemprego e as incertezas políticas de lá.

Riscos sempre tivemos e sempre teremos. O mais importante é comprar o que se entende, o que tem valor, e que muitas vezes está fora de moda ou do radar dos investidores de curto prazo, além de sempre diversificar. Independentemente do atual patamar do Ibovespa, existem diversas empresas que compõem o índice, ou inclusive fora dele, que apresentam excelentes perspectivas e potencial de valorização.

Equipe Vokin Investimentos

Participe da discussão

1 comentário

  1. Li e entendi que tudo vai depender da análise feita. Isto todos já sabem. Que orientação tiramos deste texto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.