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Pi + Toro: uma nova era começa agora

É oficial! O Banco Central, após análise sobre a negociação entre a Pi e a Toro Investimentos, aprovou a união das atividades entre as duas empresas.

A Pi distribui fundos de investimentos e títulos de renda fixa. A Toro, uma das principais corretoras independentes do país em renda variável, chega para aumentar a nossa oferta de produtos. Tudo isso foi pensado para que você tenha ainda mais alternativas de investimentos em um só lugar. 

Clientes e parceiros Pi podem ficar tranquilos. Por enquanto, nossa plataforma, serviços e atendimento continuam iguais. Estamos preparando os próximos passos dessa união e, assim que tivermos mais novidades, nós vamos te informar. 

Para ver mais detalhes sobre esta novidade acesse: https://somospi.com.br/

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Ciclo de alta da Selic tem início

Por Eduardo Jarra, Head de Macro e estratégia da Santander Asset Management.

Ao subir a taxa Selic em 0,75%, o Copom iniciou um ciclo de aperto dos juros, o que não ocorria em muito tempo. Em julho de 2015, a Selic subiu para 14,25%, encerrando aquele ciclo de elevação. Desde então foram dois ciclos de afrouxamento monetário, até a Selic atingir 2,0%, em agosto passado. Este mínimo histórico resultou da combinação entre a crise sanitária e uma economia com excesso de ociosidade e inflação muito baixa, com o Copom buscando reequilibrar os riscos.

Como os números de casos e óbitos infelizmente deixam claro, a pandemia do Covid-19 prossegue firme nesse estágio inicial da vacinação. A despeito disso, temos uma postura diferente por parte do Banco Central. Por quê?

Primeiro, a atividade econômica está numa situação diferente da observada em boa parte do ano passado, sugerindo não necessitar de um grau extraordinário de estímulos. Após a expressiva contração econômica no 1º semestre, tivemos importante recuperação na segunda metade de 2020, ainda que desigual entre setores, com os serviços ainda particularmente deprimidos. É provável que o recente endurecimento das medidas de restrição afete negativamente a economia, mas possivelmente não na mesma intensidade de 2020.

Além disso, apesar das restrições fiscais, o governo tem instrumentos eficientes pela ótica de políticas públicas para oferecer suporte à população e às empresas. Por exemplo, se a situação piorar adicionalmente, pode ocorrer prorrogação e/ou aumento no valor do auxílio emergencial, por ora orçado em R$ 44 bilhões para 2021.

Segundo, temos um contexto diferente para a inflação. É verdade que a economia trabalha com alto nível de ociosidade, o que deveria contribuir, em princípio, para uma inflação baixa. No entanto, não é isso que os dados correntes e as expectativas vêm mostrando. O próprio modelo do Banco Central já mostra um IPCA ao redor de 5,0% para este ano, portanto acima do centro da meta (3,75%). Isso traz o risco de o IPCA superar os 5,25% em 2021 (teto da banda) e de as expectativas para 2022 começarem a se mover para cima da meta de 3,5% desde já.

Esse comportamento da inflação, tão distinto do esperado algum tempo atrás, reflete diferentes fatores. O principal é o forte aumento de preço das commodities internacionais que, juntamente com a depreciação do Real, tem exercido forte pressão sobre os preços locais. Em particular, temos elevada inflação nos grupos de alimentação e de combustíveis, além de pressões de custo no setor industrial. A inflação de bens industriais também reflete certo desequilíbrio da oferta e demanda, com a primeira afetada pelas medidas de restrição no Brasil e no mundo e a segunda, pela maior procura em virtude dos programas de transferência do governo e da mudança na cesta de consumo das famílias, com mais bens e menos serviços.

Boa parte dessa pressão tende a se dissipar pelos próximos meses, especialmente se a moeda retornar para níveis mais compatíveis com os fundamentos de médio prazo. Mas é fato que a pressão de curto prazo tem durado mais que o inicialmente esperado e que a folga do Banco Central em termos de projeção de inflação versus a meta se exauriu.

Nesse contexto, a credibilidade do Banco Central é fundamental para evitar que pressões que seriam a princípio pontuais e/ou temporárias se propaguem para horizontes mais longos. Daí a importância de o Banco Central ter iniciado o ciclo de alta dos juros e adotado um discurso assertivo.

A responsabilidade do BC é ainda maior com o quadro desafiador para as contas públicas, que é fundamental para a manutenção da credibilidade de todo o regime econômico. O aumento da dívida pública, hoje ao redor de 90% do PIB, e o desafio de o país retornar para superávits primários nos próximos anos, sugerem um desconforto perene, e esse tema deve continuar fazendo parte do debate de política monetária nos próximos anos.

Olhando para frente, nesse ambiente de i. inflação e expectativas sob pressão ii. desafio fiscal iii. economia com recuperação relevante, o Copom seguirá ajustando os juros nos próximos meses. Acreditamos que a Selic retornará ao patamar de equilíbrio, estimado por nós em 6,0%, até o final deste ano.

Esse objetivo de manter a credibilidade do sistema e entregar uma inflação alinhada com as metas é uma das condições necessárias, ainda que não suficientes, para o retorno da confiança dos agentes econômicos e para a contínua recuperação da economia.

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Material de divulgação. Os investimentos apresentados podem não ser adequados aos seus objetivos, situação financeira ou necessidades individuais. o preenchimento do formulário API – Análise de Perfil do Investidor é essencial para garantir a adequação do perfil do cliente ao produto de investimento escolhido. Leia previamente as condições de cada produto antes de investir.

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As opiniões expressas refletem exclusivamente as visões e opiniões pessoais do(a) autor(a), que não necessariamente coincidem com as visões ou opiniões da Pi DTVM S.A. Todas as informações transmitidas foram desenvolvidas pelo(a) autor(a) de forma independente, sem vínculo com a Pi DTVM S.A. ou com outras empresas do conglomerado Santander. O único objetivo desta publicação é fornecer informações sobre o cenário atual. Este material não constitui nem deve ser interpretado como uma oferta de produto ou serviço. Este material pode conter informações sobre eventos futuros e estas projeções/estimativas estão sujeitas a riscos e incertezas relacionados a fatores que não podem ser controlados ou estimados precisamente, tais como condições de mercado, flutuações de moeda e da inflação, mudanças em órgãos reguladores e governamentais e outros fatores que poderão diferir materialmente daqueles projetados. As informações contidas neste material não foram desenvolvidas para nenhum cliente em particular e, portanto, podem não ser adequadas aos seus objetivos, situação financeira ou necessidades específicas. O cliente deve obter consultoria legal, financeira e contábil de profissionais de sua confiança antes de tomar qualquer decisão fundamentada na informação aqui contida. A Pi DTVM S.A. não se obriga a publicar qualquer revisão ou atualizar esse material frente a eventos ou circunstâncias que venham a ocorrer após a data deste documento. Este material é para uso exclusivo e seu conteúdo não pode ser reproduzido, redistribuído, publicado ou copiado de qualquer forma, integral ou parcialmente, sem expressa autorização da Pi DTVM S.A.

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Por que o Brasil precisa das reformas econômicas?

Texto escrito por Bresser Asset Management

Um tema recorrente nos últimos anos no Brasil é sobre a necessidade das “reformas econômicas”. Atualmente, há várias reformas econômicas tramitando no Congresso Nacional, como a Reforma Tributária, Reforma Administrativa, PEC Emergencial, Pacto Federativo, etc. Algumas reformas já foram realizadas, como a PEC do teto dos gastos, e a reforma da Previdência. Mas, qual é a real razão da urgente necessidade destas reformas no Brasil?

Para entender o objetivo e a necessidade das reformas econômicas, vamos inicialmente olhar para a evolução recente da dívida pública no Brasil. O Gráfico I a seguir mostra a evolução da dívida bruta e da dívida líquida em relação ao PIB, entre as anos de 2002 e 2020. As principais diferenças entre a dívida bruta e a líquida são as reservas cambiais e os créditos do governo federal com os bancos públicos, principalmente o BNDES.

Gráfico I – Evolução da Dívida Pública

Como podemos notar no Gráfico I, entre os anos 2002 e 2014, houve uma queda gradual e contínua da dívida pública, e a partir deste ano até a data mais recente, o movimento se inverteu e a dívida começou a crescer rápido. A dívida bruta atingiu cerca de 52% do PIB no seu ponto mínimo, no início de 2014, e a partir daí, passou a subir, e fechou o ano de 2020 em quase 90% do PIB. O ritmo atual de crescimento da dívida pública está em um patamar insustentável, e as reformas econômicas vêm justamente para estabilizar ou até mesmo reduzir a dívida dos patamares atuais.

A necessidade de uma dívida pública sustentável está relacionada com um ambiente mais favorável ao crescimento econômico. O crescimento da dívida reduz a confiança dos investidores, pois ninguém vai querer colocar os seus recursos em um país onde existe um risco alto do governo não conseguir honrar os seus compromissos. A estabilidade fiscal e confiança no governo são fatores necessários para o crescimento da economia brasileira, e esse deve ser um dos principais objetivos da política econômica do país.

Mas, o que faz crescer ou diminuir a dívida pública?

Os fatores principais que impactam a evolução da dívida pública são o déficit ou superávit primário, taxa de juros sobre o estoque atual da dívida e a taxa de câmbio. Aqui neste texto, o foco vai ser na evolução do resultado primário.

O gráfico II mostra a evolução das receitas e despesas primárias desde 2002, e a comparação com a inflação, tendo 2002 como base 100:

Gráfico II : Receitas e Despesas Públicas

Como podemos verificar no gráfico II, entre os anos de 2002 e 2013, houve um crescimento das receitas e despesas, em um ritmo bem superior à inflação. Este foi um período de crescimento do PIB muito grande, com uma conjuntura mundial favorável, e o país foi beneficiado pelo crescimento explosivo dos preços das commodities. O crescimento econômico também levou a uma expansão grande do crédito, tanto pelo setor privado como pelos bancos públicos, que ajudou a turbinar o crescimento econômico durante esse período. O crescimento das receitas criou espaço para a expansão também das despesas. Esse foi um período em que foram criados vários programas sociais importantes, como o bolsa família, FIES, Minha Casa Minha Vida, desoneração de impostos em vários setores, etc. Foi um período de superávits primários, que levou a uma queda da relação dívida/PIB durante esse período.

A partir de meados de 2013, a situação favorável para o crescimento econômico se inverteu. Os preços das commodities entraram em um ciclo de queda, e a queda de confiança no mercado interno levou à contração do crédito. O Brasil entrou em uma recessão muito profunda durante os anos de 2014 e 2015 e um crescimento muito lento a partir de 2016. As receitas do governo cresceram mais devagar nesse período. No gráfico II, é possível notar que a linha das receitas primárias está paralela à linha da inflação entre 2014 e 2019, isso significa que receitas cresceram acompanhando a inflação. Por outro lado, as despesas continuaram em ritmo de expansão. Há várias razões que explicam o crescimento das despesas, mas o principal é político: existem dificuldades para redução dos gastos devido às demandas grandes da sociedade por investimentos em saúde e educação. Os gastos com previdência social também cresceram a um ritmo mais forte, devido às características etárias da população brasileira.

O grande desafio atual para as autoridades econômicas é o de conter o crescimento da dívida pública através do aumento do superávit primário. Como não há espaço nem clima político para o aumento de impostos, as várias propostas de reformas visam fundamentalmente a redução das despesas.

No entanto, o desafio não termina aqui. O orçamento brasileiro é muito “engessado”, ou seja, grande parte das despesas são obrigatórias.

A tabela I mostra o resultado primário do Tesouro em 2019 e 2020:

Tabela I – Resultado Primário do Tesouro – 2020

Conforme podemos verificar na tabela I, em 2020, cerca de 65% das despesas foram com gastos previdenciários e gastos com pessoal. Há outros 28% de gastos com outras despesas obrigatórias, que incluem os gastos vinculados à saúde e educação. Sobram apenas 7% de gastos discricionários, isto é, o governo tem mais liberdade para mexer.
Apenas a redução das despesas discricionárias não é suficiente para que o governo consiga equilibrar o orçamento e mudar a trajetória de crescimento da dívida pública. Os gastos obrigatórios também precisam cair para que o orçamento fique equilibrado.

Concluindo, o grande desafio das autoridades econômicas é conseguir reduzir as despesas com a redução dos gastos obrigatórios, para levar a dívida pública em níveis sustentáveis, além de criar condições favoráveis para o aumento da confiança no país que leve ao crescimento econômico.

Por Bresser Asset Management

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Alice e o dólar no País das Maravilhas

Texto publicado originalmente na Carta da Equipe de Gestão – Jan/21, por Dahlia Capital, em 02 de fevereiro de 2021. Disponível aqui.

“Comece pelo começo e continue até chegar ao final: então pare.”

Lewis Carroll

Uma questão de ponto de vista

Com tiradas precisas e surpreendentes e uma linguagem simples e clara, “Alice no País das Maravilhas” se tornou um clássico da literatura mundial. Alguns talvez já tenham ouvido sobre as várias teorias filosóficas implícitas na obra de 1865, escrita por Lewis Carroll, pseudônimo do romancista inglês Charles Dodgson.

Alice, uma criança de sete anos, fugia dos estereótipos da época. Prestava mais atenção na vida do que nas regras. Quando um coelho branco carregando um relógio de bolso passou em sua frente, seus olhos não poderiam deixar de notar. Com um tanto de curiosidade e coragem, seguiu o animal, entrou em sua toca e mergulhou na passagem para o País das Maravilhas.

​Apesar das lógicas confusas e, sob nosso ponto de vista, incongruentes, a garota mostra uma rápida adaptação às novas regras e aos novos costumes locais. Não julga os personagens ou eventos sob a ótica aristocrata britânica e simplesmente acompanha a lógica dos personagens, parecendo não estranha-los.

Carroll foi também muito feliz em criar personagens marcantes: o Chapeleiro Maluco, a Lagarta Absolem, a Rainha de Copas e, claro, o Gato Cheshire. Este parece ser o único do País das Maravilhas que ouve Alice, apesar de sua malícia, de suas respostas enigmáticas e de, por vezes, colocá-la em apuros. O gato consegue sumir e aparecer à vontade, inclusive seu largo sorriso parece até ter vida própria.

Mergulhando na toca do coelho

Uma das grandes teses do mercado na virada do ano foi que o dólar se enfraqueceria, frente às outras moedas. O indicador mais comum para se medir o valor do dólar no mercado é o DXY (“The US Dollar Index”), uma cesta de moedas, principalmente composta pelo euro, iene e a libra esterlina. O gráfico abaixo mostra a desvalorização do DXY desde meados do ano passado, saindo de 100 para 90,5 atualmente.

Qual o motivo dessa queda? A principal explicação é que os Estados Unidos foram um dos países que praticaram uma das políticas econômicas mais expansionistas desde a pandemia. Isso incluiu uma emissão significativa de dólares para financiar os programas de assistência à população.

Porém, não é possível explicar a tendência do dólar utilizando uma única visão. Em 2001, os estrategistas do banco Morgan Stanley cunharam o termo “The Dollar Smile” (o sorriso do dólar). Eles viam três cenários:

  • Forte crescimento (dólar forte): moedas também seguem crescimento econômico. Se os Estados Unidos crescem mais que as outras regiões, eles acabam atraindo mais capital (novos investimentos para expansão ou investimento em ações listadas em bolsa, por exemplo), fortalecendo a sua moeda.
  • Crescimento moderado (dólar fraco): o pior cenário para o dólar acontece quando o país cresce pouco, levando a uma “fuga” de capital para economias e mercados mais dinâmicos. Sempre levando em consideração termos relativos. Se outras regiões crescem relativamente mais que os Estados Unidos, o dólar tende a ficar mais fraco. 
  • Crise global (dólar forte): uma forte recessão americana pode impactar negativamente as outras economias do mundo. Além disso, empresas americanas podem ser forçadas a repatriar recursos para pagar compromissos em suas matrizes. Crises também forçam investidores a buscarem portos seguros ao redor do mundo, que tende a favorecer o dólar.

Ou seja, quando as coisas estão bem para os Estados Unidos ou muito mal para o mundo, o dólar sobe. Quando está mais ou menos, o dólar cai. O gráfico a seguir mostra essa relação:

O privilégio da moeda de reserva do mundo

O Fed, banco central americano, foi o que mais expandiu seu balanço durante a crise de 2020. Mas não foi o único. Seus colegas na Europa, no Japão e em outros países do mundo fizeram o mesmo. Até por aqui, o governo também o fez.

Existe uma diferença significativa entre os Estados Unidos e os outros países. De acordo com o BIS (Bank for International Settlements), o banco central dos bancos centrais, 85% das transações em moedas são feitas em dólares, além de ser 61% das reservas internacionais.

O que isso significa? Que quando o Fed emite novos dólares parte desse dinheiro fica nos Estados Unidos, mas uma boa parte vai para o exterior. O gráfico a seguir mostra o nível de reservas em trilhões de dólares detidas por instituições não americanas:

Pelo fato de o dólar ser a moeda de reserva do mundo, os Estados Unidos possuem um privilégio exorbitante. Enquanto esse status continuar, haverá sempre demanda no mundo por dólares. Sua capacidade então de estimular a economia através da impressão de moeda é bem maior que a de outros países.

Mas, por que isso tudo é importante para os nossos investimentos? Um dos fatores que afeta o dólar no Brasil é o que acontece com o dólar no mundo. O gráfico a seguir mostra o crescimento entre 2020 e 2022 para os Estados Unidos e os principais componentes do DXY, de acordo com o banco Goldman Sachs.

Desde meados de 2020, vivemos um cenário de sincronismo no sorriso do dólar. A aceleração do crescimento americano, poderia nos levar para o lado direito do sorriso, impactando também a relação entre o dólar e o real. Seguimos comprados em bolsas e no dólar.

O passado

Janeiro foi marcado por uma alta volatilidade nos mercados, principalmente no de ações. A performance da GameStop, ação americana que multiplicou por 17.3x de preço no mês, concentrou as atenções. É difícil ainda concluirmos se essa volatilidade mais alta dos mercados vai continuar ou não. Alice saberia.

Ou melhor, Alice não encararia esse movimento como uma aberração, mas sim que essas coisas acontecem e podem ser as regras desse jogo. Serão os mercados uma realidade paralela com regras inusitadas como o País das Maravilhas? Será que os preços dos ativos têm pouca relação com a economia “real”?

Ainda encontramos razão e racionalidade nos mercados, na maior parte do tempo. Nos afastamos de situações que fogem da nossa lógica. Porém, tentamos fugir da própria lógica consensual de mercado. A diversidade e a criatividade de nossa equipe nos ajudam a fazer isso. E, desde o início, resolvemos seguir um outro coelho branco.

Equipe de gestão,
Dahlia Capital

Créditos – Texto: Equipe de Gestão Dahlia Capital; Gráficos: Morgan Stanley, Goldman Sachs, Bloomberg e Dahlia Capital

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Vacinação e seus efeitos na economia brasileira

Por Eduardo Jarra, Head de Macroeconomia da Santander Asset Management

O ano de 2021 começou com o Covid-19 e seus efeitos permanecendo como tema dominante nos noticiários. A piora na curva de novos casos e óbitos, infelizmente, mantém elevados custos sociais. Consequentemente, os governos reagem, com alguns países voltando a reforçar as restrições de mobilidade. Ao mesmo tempo, a comunidade científica conquistou uma incrível vitória no combate ao vírus, com o desenvolvimento de vacinas em tempo recorde e o início do processo de imunização.


Nos próximos meses, a dinâmica desses fatores – evolução da pandemia, medidas restritivas e vacinação – será chave para determinar os impactos não apenas sociais como também econômicos nos diferentes países.
No caso brasileiro, há boas e más notícias, o que nos mantém vigilantes. De um lado, o processo de vacinação foi oficialmente iniciado, com duas vacinas autorizadas para uso emergencial, Coronavac e Oxford/AstraZeneca. Por outro lado, colhem-se sinais de desafios relevantes em termos de produção e logística, potencialmente levando a atrasos no programa nacional de imunização. Isso em meio ao aumento de novos casos e óbitos.


Após a forte contração observada no 1º semestre de 2020, o país apresentou retomada na atividade econômica no 2º semestre, mas sem evitar um PIB no ano com expressiva contração (o consenso dos economistas se encontra em -4,4%). Para este ano, a mediana dos analistas aponta para um crescimento ao redor de 3,5%.


Por ora, a piora na dinâmica do vírus não alterou essas projeções pois i) não houve um endurecimento das medidas de isolamento social de forma mais generalizada como tem ocorrido na Europa e ii) a premissa central continua sendo de um andamento adequado da vacinação.


É nesse ponto que o programa de vacinação assume um papel chave para o ano de 2021. Nos defrontaremos com cenários alternativos, a depender do sucesso ou atraso nesse programa.


Um possível caminho, que julgamos ser o mais provável, é avançarmos com um processo de vacinação adequado, reforçando a expectativa de normalização da economia. Ao longo desse processo, o setor de serviços, ainda afetado pela pandemia e pelas medidas restritivas, voltaria à normalidade, com criação mais expressiva de empregos nesse segmento da economia. Ao mesmo tempo, teríamos uma nova fase de melhora e consolidação dos níveis de confiança de empresas e famílias, com mais investimentos produtivos e consumo. Ou seja, ainda que gradual, seria um retorno ao período pré pandemia.


Existe, no entanto, um outro caminho alternativo marcado por atrasos na vacinação, com impactos negativos nos atingindo através de diferentes canais. Primeiro, porque a manutenção da crise sanitária por si só já traz custos sociais que, eventualmente, podem gerar um ambiente político ruidoso. Segundo, a atividade econômica, em particular o setor de serviços – justamente o mais intensivo em mão de obra – teria sua retomada comprometida e, assim, a criação de empregos na economia seria mais lenta.


Por fim, temos o efeito sobre as contas públicas. Numa situação como essa, na qual a economia e, especialmente, o mercado de trabalho, se encontram distantes da normalidade, é natural que o governo possa ter de aumentar seus gastos além do atualmente esperado. Um candidato natural seria um novo programa de transferência fiscal para a parcela da população mais necessitada, na forma de um auxílio emergencial ou ampliação dos atuais programas sociais, como o Bolsa Família. Ainda que necessário e plenamente justificável pela ótica social, tal incremento de gastos levará a uma elevação do déficit fiscal e da dívida pública, que atualmente já se encontram em níveis bastante pressionados.


Definitivamente a situação fiscal no Brasil é muito mais delicada do que a observada no período pré Covid-19. Isso tanto no histórico quanto na comparação com outras economias emergentes. Trata-se de um contexto potencialmente causador de efeitos secundários não desejados, com aumento do risco fiscal e da desconfiança dos agentes econômicos. Isso tende a provocar uma piora das condições financeiras com impacto negativo sobre atividade, além de um ritmo mais lento de recuperação do emprego e dos investimentos produtivos.


Ou seja, o impulso fiscal aliviaria os custos sociais mais imediatos, porém provocaria um aumento do risco fiscal percebido, atuando no sentido contrário a recuperação da economia no curto prazo e, especialmente, no período pós pandemia. Inclusive porque teremos um longo ajuste fiscal à frente, com a necessidade de reformas estruturantes, talvez ainda mais abrangentes e, assim, difíceis de serem aprovadas.


Dessa forma, estamos nos defrontando com uma situação na qual a aprovação das vacinas é uma notícia alentadora e aponta na direção de um cenário de recuperação consistente, porém ainda gradual e com as contas públicas necessitando de consolidação e reformas. Todavia, uma eventual falha nesse processo tem o potencial de causar uma espiral negativa de piora fiscal, aumento do risco, queda da atividade econômica e aperto de condições financeiras, num ciclo que se retroalimenta com efeitos perenes além de 2021.


Resumindo, temos um cenário base relativamente construtivo, porém permeado pelo risco de um cenário alternativo negativo.

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Mudanças no mercado acionário brasileiro | Forpus Capital

Por Forpus Capital em 20/12/2020

Na Forpus Capital, acreditamos que o mercado acionário brasileiro está passando por duas mudanças importantes. Nos últimos anos, a queda na taxa de juros fez com que as pessoas migrassem parte dos seus investimentos da renda fixa para a renda variável. Tal movimento, que levou a uma forte valorização do Ibovespa, principalmente nas ações de empresas de menor valor de mercado, vem perdendo força nos últimos meses.

Outra mudança foi o dólar sair de uma tendência de alta para uma tendência de baixa contra as principais moedas dos países desenvolvidos. A vitória do candidato democrata Joe Biden trouxe a expectativa de alívio nas tensões comerciais entre EUA e China, o que contribuiu para o enfraquecimento do dólar também frente às moedas dos países emergentes. Além disso, os bancos centrais têm injetado liquidez para estimular a recuperação econômica pós pandemia.

Entendemos que a combinação de dólar fraco e excesso de liquidez nos países desenvolvidos irá gerar uma maior procura por ativos de países emergentes nos próximos anos. Neste cenário, a bolsa brasileira tende a ser beneficiada pelo fluxo de investimentos estrangeiros, sobretudo nos papéis de maior liquidez num primeiro momento.

Forpus Capital

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Convivendo com a Crise Permanente

Por Luciano Sobral, em 14/12/2020

Um dos infinitos memes que ajudaram a tornar mais suportável este ano difícil mostra cenas do primeiro filme da franquia Os Vingadores (de 2012), com o Capitão América perguntando ao Brasil (encarnado em Bruce Banner/Hulk) como faria para não entrar em crise com o coronavírus. A resposta: “Este é meu segredo, capitão. Estou sempre em crise.”

“Este é meu segredo, capitão. Estou sempre em crise.”

De fato, desde perto do lançamento do filme, com o fim do grande ciclo global de commodities, o Brasil tem pulado de uma crise para outra – aí já contamos impeachment, recessão, greve de caminhoneiros, e, agora, uma pandemia. Depois de anos de instabilidade quase permanente, é muito difícil definir qual será a “normal” para qual a economia convergirá quando finalmente sair do olho do furacão.

No mundo dos preços ao consumidor, a inflação de 2021 pode ser vista como produto da correção de várias distorções temporárias que se acumularam ao longo de 2020, somado a um componente estrutural que vem sendo lentamente alterado durante esse período de crises sequenciais. Na NEO, acreditamos que, tudo considerado, caminhamos para um ano de IPCA subindo ao redor de 3%, o que fará com que outra normalização relevante para os mercados – a dos juros do Banco Central – possa ocorrer de forma bastante gradual, a partir da segunda metade do ano.

Dessas distorções, a mais notável é a dos preços de alimentos, que explicam praticamente toda a grande surpresa no IPCA dos últimos três meses de 2020: em setembro, o mercado (via pesquisa Focus, do Banco Central, 04/09/2020) esperava que o índice acumulasse variação de cerca de 1,8% no fechamento do ano. Agora, faltando apenas a divulgação de dezembro, essas mesmas expectativas estão em 4,21%. Nesse período, os itens classificados pelo IBGE como “alimentação no domicílio” tiveram alta de quase 10%, acumulando 21% em 12 meses – a maior alta desde 2003. 

Neste caso, felizmente, a tal normalização seria na direção de inflação mais baixa: choques em preços de alimentos raramente persistem por mais de poucos meses e não raramente precedem períodos de quedas nos preços. A intuição microeconômica vale aqui: preços altos, com o tempo, atraem mais produção (mais oferta) e substituição (menos demanda), empurrando preços para baixo ou, ao menos, contendo o movimento de alta. Esperamos que, ao longo de 2021, a alta em alimentação no domicílio desacelere significativamente, para perto de 5% ao ano.

Outra correção altamente esperada é nos preços que foram diretamente afetados pela pandemia, seja porque são regulados e tiveram reajustes adiados (como tarifas de eletricidade, anuidades de planos de saúde e mensalidades escolares) ou porque sofreram mudanças temporárias na procura (exemplo: aumento de busca de computadores para trabalho remoto) ou na produção (vide as várias notícias nos últimos meses sobre escassez e aumento de preços de matérias primas na indústria). Aqui, a resultante é de preços mais altos nesses itens, anulando, no índice de preços, parte da queda esperada na inflação de alimentos. 

O componente estrutural da inflação, que está por trás das chamadas medidas de núcleo, deve, na nossa opinião, permanecer. Dificilmente a retomada da economia ocorrerá com geração de empregos que rapidamente reponha as vagas perdidas com a pandemia ou compense a retirada do enorme volume de transferências do governo pagas em 2020. Com baixo crescimento da renda agregada e pouca pressão por aumentos de salários, os preços de serviços e outros bens devem ficar contidos, como estavam no pré-pandemia. 

Até a próxima manifestação do estado de “crise permanente” do meme, é para esse componente estrutural que o Banco Central deve direcionar a política monetária. Enquanto o desemprego alto persistir, os juros devem permanecer relativamente baixos. Quão baixos? Como dissemos acima, é muito difícil estabelecer o que é “normal” em uma economia que passa tanto tempo se recuperando de pancadas. Nossa estimativa é que a taxa Selic deve, ao longo dos próximos dois anos, refletir a meta de inflação convergindo para 3% e juros reais estruturais entre 2% e 3%, compondo, portanto, uma taxa nominal ao redor de 5,5%. 

O caminho até lá, partindo dos 2% atuais, pode ser demorado se de fato a recuperação da economia (e, sobretudo, dos empregos) for lenta. Pode ser acelerado em caso de derrapadas fiscais, dificultando ainda mais a retomada da atividade –por isso, entre outros motivos, acreditamos que não será o caminho a ser escolhido pelo governo. Tudo considerado, acreditamos que a taxa Selic terminará 2021 ao redor de 3% – ou zero, em termos reais. Temos pela frente, portanto, um período prolongado de juros excepcionalmente baixos, que deve favorecer setores da economia ligados a crédito (bens duráveis e imóveis, por exemplo) e contribuir com a recuperação do balanço das empresas que sobreviveram à “guerra infinita”, para tomar emprestado outro título dos Vingadores. 

“Estar sempre em crise” serve, ao menos, para evidenciar os aspectos mais resilientes da economia.  O Banco Central tem conseguido aproximar a inflação do centro da meta com juros em queda. A credibilidade resultante deve nos ajudar a atravessar mais um período difícil, de reconstrução e consolidação fiscal. Se isso parece desafiador agora, imagine com o entorno habitual de alguns anos atrás, com inflação e juros altos.

Luciano Sobral é economista-chefe da NEO Investimentos.

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Sem as reformas, o Brasil explode?

Por Sérgio Machado, sócio e gestor da Trópico Investimentos

O Brasil passa por um momento muito delicado, a inação do governo frente às necessidades  de ajuste de suas contas tem gerado um grande desconforto por parte dos investidores locais  e externos. 

A piora do quadro do endividamento do Tesouro Nacional (TN) que, alavancado pelo auxílio emergencial, deve fechar o ano na casa dos 95% do PIB, gera incertezas e custos adicionais para a economia em geral e os investidores em particular. 

Paralelamente temos o recrudescimento da espiral inflacionária que tem frustrado  seguidamente os otimistas e principalmente o Banco Central (BC), que permanece num discurso  negacionista e distante. 

A soma dos fatos nos leva a um cenário conturbado, onde o excesso de ruídos e a falta de  ações, tem redundado em uma piora constante da percepção dos riscos fiscais futuros. 

Hoje, existe um discurso monotônico pelas autoridades e seus arautos de que tudo se resume ao Fiscal, e que se não resolvido, não haverá saída. 

Concordo plenamente que o fiscal é o cerne do problema, mas temos outros menores, que se resolvidos permitiriam um melhor encaminhamento das soluções maiores. 

Temos a inflação incomodando, a moeda mais desvalorizada entre os pares e uma taxa de  juros incompatível com este mesmo Fiscal, tão propalado. A opção por não tomar atitudes imediatas e colocar a saída restrita a um único caminho, que já sabemos de antemão será tortuoso, poderá em um determinado momento gerar volatilidade, fuga de recursos e aumento da aversão ao país. 

Portanto, todo cuidado é pouco nos próximos meses, não esquecendo que temos vencimentos  de títulos públicos muito grandes à frente.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Pi Investimentos.

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Com Joe Biden na presidência, a era do dólar forte deve chegar ao fim

Por: Luis Afonso Lima, Head de Análise da MAPFRE Investimentos

O que podemos esperar da política monetária sob o governo democrata de Joe Biden? Como se  sabe, o período do mandato do presidente do Fed não coincide com o do presidente norte americano justamente para evitar a ingerência política. Também se pode dizer que o Federal Reserve já utiliza extenso arsenal para enfrentar a recessão em curso. A taxa de juros já se  encontra em níveis mínimos. Finalmente, pode-se dizer que a política monetária não será  preocupação prioritária para o Presidente eleito Joe Biden. Ou seja, não se deve esperar  mudanças no curto prazo na política monetária norte-americana já em curso. 

Photo by Jon Tyson on Unsplash

Mas o Presidente Biden pode querer deixar sua marca na política monetária no médio e longo  prazo. Isso ocorrerá quando o mandato de seu atual Presidente, Jerome Powell, terminar, em  fevereiro de 2022. Joe Biden poderá atender a apelos de progressistas por mudanças amplas no  Fed. A plataforma do partido democrata inclui reformas para tornar o Fed atento a questões  como a desigualdade social e racial. As demandas do partido também contemplam uma  regulamentação financeira mais rígida. E vale lembrar que a senadora democrata Elizabeth Warren, hoje voz importante em questões de regulamentação financeira, foi contrária à nomeação de Powell em 2018. 

O que isso significa para a paridade entre o dólar e outras moedas? A política monetária norte americana é condicionante importante.

Uma política monetária expansionista nos Estados Unidos, sem dúvida, distensiona os mercados financeiros no mundo. A perspectiva é de mais  liquidez por mais tempo, em benefício das condições financeiras, da menor aversão a risco, dos  preços dos ativos e das demais moedas de economias desenvolvidas e emergentes. Isso já está  acontecendo. Mercados precificam probabilidades futuras a valor presente. Não por acaso, a  moeda norte-americana vem se enfraquecendo. A depender da valorização do dólar nos últimos anos, há espaço para sua desvalorização adicional. A era do dólar forte acabou.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Pi Investimentos.

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A próxima oportunidade de investimento não é a última

por Oscar Camargo (CIO) e Bernard Tamler (Estrategista) da Gap Asset

A crise econômica decorrente do COVID-19 foi a mais rápida da história dos mercados financeiros recentes. Mostrou os primeiros sinais no início de janeiro, quando os mercados já voltavam suas atenções para os crescentes casos da doença na China. 

Com um mundo tão globalizado como o que vivemos, esperava-se, sim, que a doença se espalhasse para outros países. Na Gap, também entendíamos que a doença se espalharia. O que surpreendeu, contudo, foi a velocidade e a severidade das medidas de contenção e de combate ao vírus com a implementação dos lockdowns pelos principais governos do mundo. No carnaval, quando diversos governos europeus fecharam completamente suas economias, os mercados realizaram perdas de uma forma muito veloz, demandando do gestor de investimentos bastante discernimento e velocidade de reação. 

A GAP Asset, empresa com quase 25 anos no mercado, teve a experiência necessária para assimilar o panorama que se apresentava e a humildade e velocidade igualmente necessárias para alterar o cenário base de seus investimentos. Ao longo desse processo de decisão, o nosso gerenciamento de risco se mostrou imprescindível no manejo da crise de volatilidade dos mercados em consequência do avanço do COVID-19. 

Quando a volatilidade se eleva, é importante destacar que as posições se elevam na mesma magnitude e o gerenciamento de risco se mostra particularmente importante na administração dos ativos para preservação do capital.

A agudização da crise em março nos mostrou que viveríamos um “cenário de guerra” e que enormes gastos fiscais por parte dos governos seriam necessários. A política fiscal, nesse contexto, se mostrou mais importante que a política monetária. Não é suficiente, por exemplo, para um dono de restaurante apenas um financiamento mais barato (via taxas de juros mais baixas) se não há clientes em seu estabelecimento. Para sobreviver à crise, é necessária uma ajuda mais direta do governo. 

Nesse sentido, percebemos desde o início que os países desenvolvidos estariam mais preparados para lidar com a crise, na medida em que teriam mais espaço para aumentar seus gastos do que países emergentes. Esse maior espaço fiscal se justifica tanto pelo tamanho das dívidas como pelo fato de que países desenvolvidos são detentores de moedas de reserva de valor do mundo (por exemplo, o dólar americano). 

Separar a crise em capítulos foi um outro grande acerto da nossa equipe. Com a volatilidade tão elevada, o cenário de investimentos se altera significativamente a cada momento conforme o desenrolar dos diversos acontecimentos e notícias. Por exemplo, a saída do ex-Ministro da Justiça Sérgio Moro, ao fim de abril, causou enormes incertezas internas quanto ao Brasil. 

A nossa escolha, nesses momentos de grande incerteza, é de redução do portfólio como um todo, nos permitindo analisar com a segurança da preservação do capital qual será a direção mais favorável. Se entendermos que é o caso, depois retornamos para as posições, mesmo que a preços menos atrativos. Gerenciamento de risco também é preservação de capital e esse conceito tem nos permitido navegar com consistência por quase 25 anos de história.

Costumamos dizer na Gap que investimentos não são uma corrida de 100 metros com barreiras, mas sim uma maratona. Investidores devem sempre se aproveitar do poder de composição do juro composto. 

Além disso, a próxima oportunidade de investimentos… não é a última! Isso quer dizer que na tomada de decisão sobre realizar, ou não, um investimento temos sempre em mente que novas oportunidades de rentabilização se apresentarão no futuro. Por outro lado, perdas podem se tornar permanentes. Drawdowns (perdas em relação ao pico) são indicativos relevantes da qualidade de uma gestão.

 Afinal, tão importante quanto o ponto final é o caminho percorrido até chegarmos ao nosso destino. Por fim, escolher o tamanho correto dos investimentos é tão ou mais importante quanto a correta visão do cenário. As oportunidades no mercado são escassas e é fundamental aproveitá-las de forma eficaz e com a exposição adequada. 

Olhando para o futuro, em pouco menos de 40 dias os Estados Unidos irão decidir o seu próximo presidente. Ou melhor, esse processo já foi iniciado. Com o COVID-19, muitos cidadãos americanos irão votar por correio para evitar sair de casa, e em alguns Estados essa modalidade de votação já está aberta. Democratas e republicanos nunca estiveram tão distantes no espectro político como em 2020. Antes de entrar na análise das diferenças de políticas econômicas do presidente Trump e de seu concorrente, o ex-vice presidente, Joe Biden, é importante destacar a relevância para os mercados do voto por correio. 

Esse fator pode gerar enorme volatilidade e incerteza nos mercados, principalmente nos dias e semanas seguintes ao dia 3 de novembro, data oficial das eleições. Se de um lado os democratas acreditam na severidade do vírus e devem votar em massa por correio, de outro lado republicanos devem votar presencialmente no dia 3 de novembro. Essa distinção de comportamento entre democratas e republicanos já tem ocorrido nos comícios (virtuais vs presenciais). 

Assim, é possível que o resultado das eleições demore dias para ser efetivamente conhecido. E se a disputa for acirrada, também pode haver judicialização Estado a Estado para saber quem foi o vencedor.  

Do ponto de vista econômico, a expectativa é que o ex-vice presidente, Joe Biden, se eleito, tentará elevar os impostos corporativos que foram cortados pelo presidente Trump em 2017. Certamente é algo que prejudicará as empresas americanas e a bolsa. Por outro lado, a relação de Biden com a China provavelmente seria bem menos bélica do que a política que o presidente Trump tem adotado nos últimos anos. 

Além disso, um potencial governo Democrata deve trazer um novo pacote de estímulo fiscal. Caso Trump seja reeleito, a relação dos Estados Unidos com a China deve ficar ainda pior nos próximos anos, algo negativo para os mercados. Trump, por outro lado, deve manter os impostos reduzidos e continuar com a desregulamentação já ocorrida nos últimos anos, positiva para os mercados. Em suma, ambos os candidatos possuem fatores positivos e negativos para os mercados e em todos os cenários existem oportunidades de investimentos.

Como navegar por esse evento tão importante que decidirá a política econômica americana e global dos próximos anos e que, ao que tudo indica, se definirá em um contexto de muita volatilidade? A curto prazo entendemos que uma diminuição das posições de maneira geral pode se mostrar correta até que se tenha uma visão mais nítida do horizonte. Trata-se do que referimos acima como gerenciamento de risco. 

Se 2020 ensinou algo aos investidores é que os hedges  (proteções) nem sempre funcionam e um cuidado especial deve ser tomado no portfólio de investimentos. De fato, o único hedge realmente eficaz é uma redução na posição em si. 

Então, assim como o capitão de um navio deve, por vezes, aguardar as condições climáticas adequadas para retomar sua viagem, os gestores de investidores devem ter cautela e reduzir suas posições nesse momento de grande incerteza. 

O próximo horizonte de eventos político-econômicos, as eleições americanas, com certeza trará boas oportunidades de investimentos, é apenas uma questão de sabedoria e paciência para identificar a hora certa de retomar a viagem. 

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Selic a 2%: o que fazer com a renda fixa?

Por: Ulisses Nehmi, CEO da Sparta Fundos de Investimento

Nos dias atuais, se alguém tossir, todos ao redor desconfiarão que é Covid-19. Pouco importa se a pessoa engasgou ou se está recuperando de um resfriado. Em praticamente todos os lugares se fala desse vírus e como isso mudou nossas rotinas, então tudo e qualquer coisa parece ter sido causado por ele, mesmo que não seja. Isto é um viés cognitivo chamado viés de disponibilidade.

Nosso comportamento está sujeito a muitos vieses cognitivos. No viés da disponibilidade nossa mente dá mais valor para as informações disponíveis do que as informações que realmente importam. 

Com investimentos, estamos sujeitos aos mesmos vieses. Não raro, aplicações são apresentadas aos investidores ao lado do retorno em 12 meses, que é a informação disponível, quando a informação importante vem apenas nas letras miúdas: desempenho passado não é garantia de desempenho futuro. De certa forma, todos sabemos que nessa abordagem é improvável que o investidor escolha as opções que tiveram os piores retornos. Parece um insulto intelectual. Ao mesmo tempo, por terem sido apresentadas apenas algumas informações, nossa mente é levada a crer que aquelas são as informações importantes.

Quando o investidor é perguntado sobre o que fazer com a renda fixa se a Selic está em 2%, parece implícita uma sugestão para fugir da renda fixa para ativos de risco. Essa é a pergunta que mais tenho escutado, mas não poderia estar mais errada, e por vários motivos.

Primeiro que renda fixa significa que existem um prazo e uma forma de cálculo do rendimento definidos. E em qualquer lugar do mundo, a renda fixa tem um papel importante na carteira dos investidores justamente por causa dessas características.

Segundo que os investimentos pós-fixados, corrigidos pela Selic, são apenas uma das modalidades. Enquanto os títulos públicos desta modalidade têm foco na liquidez, e por isso o retorno é equivalente à taxa Selic, os títulos privados podem trazer remunerações bastante atrativas, embora com uma liquidez menor. 

Os investidores estão acostumados a associar o termo renda fixa à ausência de risco por razões históricas: sempre tiveram muita oferta de fundos DI, poupança e CDB dos bancos comerciais. Existem, no entanto, outras modalidades tão ou mais importantes, como o pré-fixado e o indexado à inflação, e que geralmente tem retornos muito mais significativos. No Tesouro Direto é possível comprar um título pré-fixado de 5 anos com retorno de cerca de 6,5% ao ano. O que diferencia as modalidades é a forma como esse retorno será calculado ao longo do tempo.

A mudança de perfil de risco da carteira em direção a ativos de maior risco por conta do nível da Selic é outro erro. A construção de uma carteira de investimentos diversificada não depende do preço atual de nenhum ativo. Nem da Selic, nem do Ibovespa, nem do dólar, nem do crédito privado, nem dos fundos imobiliários. 

Essencialmente, ela depende do perfil de tolerância a risco do investidor, do seu horizonte de investimento e da sua necessidade de liquidez. A ilusão de controle pode ser confortável e os exercícios de futurologia por vezes são intelectualmente estimulantes, mas o investidor inteligente sabe que o futuro é incerto. Basta preparar sua carteira para isso. 

Assim, o investidor com uma carteira equilibrada terá parcelas com papéis distintos e complementares. A renda fixa é a base de qualquer carteira, e não teria como ser diferente. Na parcela pós-fixada, o foco é a previsibilidade e liquidez, para dar flexibilidade nas alocações (ou retiradas) e estabilidade na carteira. 

Na parcela pré-fixada ou indexada à inflação, esperam-se retornos mais elevados, ainda que com menor liquidez. Na renda variável, esperam-se retornos maiores, mesmo com oscilação ao longo do tempo. Ativos com moedas, geografias, tributação ou frequência de pagamentos diferentes, entre outras características, podem e devem ajudar a diversificar a carteira, tornando-a robusta para enfrentar de euforias a pandemias.

Então vamos ajustar a pergunta do título para a correta: como a Selic a 2% muda os investimentos em renda fixa?

Apesar de contraintuitivo, essa é uma excelente notícia.

Se antes era possível ter carteiras com retornos nominais elevados praticamente sem oscilações, esses tempos ficaram no passado. As oscilações fazem parte da vida dos investidores, inclusive na renda fixa, e são essenciais para corrigir distorções, geram oportunidades e mantêm o mercado em funcionamento saudável. Um entendimento correto desses movimentos deve trazer noites de sono mais tranquilas, além de retornos mais elevados. E é sempre bom lembrar da característica principal da renda fixa: os preços sempre convergem no vencimento para o valor pré-definido.

Além disso, a velocidade e a intensidade da queda da Selic nos últimos meses fomentaram um desenvolvimento sem precedentes do mercado de capitais. Multiplicam-se as opções de investimento e diversificação, e mercados gigantescos passaram a florescer da noite para o dia. 

Na renda fixa podemos citar como exemplo a remuneração pelo risco de crédito, que nunca foi tão elevada, trazendo esse mercado mais próximo as realidades praticadas nos mercados no exterior, mais desenvolvidos e com juros baixos há mais tempo. 

Além disso, os prêmios para alongar posições pré-fixadas ou indexadas à inflação estão em patamares recordes, outro ponto muito positivo para os investidores. E tudo isso deve favorecer quem tem carteiras equilibradas, mesmo que comece agora. O importante é dar o primeiro passo.

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A alta da bolsa está perto do fim? Ela cresceu rápido demais?

Por: Vokin Investimentos

Inflação ou deflação? Recessão ou depressão? Dólar para cima ou pra baixo? Juros para cima ou pra baixo? EUA ou China? Guedes fica ou cai? Vacina ou imunidade de rebanho? Teto dos gastos aguenta?

Atualmente, o nome do jogo é diversificação. Em momentos de incerteza, a diversificação é a melhor alternativa pela busca de retornos equilibrados, seja qual for o cenário.

E quem disse que não dá para diversificar somente comprando empresas? Apesar de relativamente pequena, nossa bolsa proporciona empresas suficientes para diversificar e nos expormos a diferentes fatores de risco. 

Dólar alto: exportadores. Dólar baixo: importadores. Recuperação em V: empresas cíclicas. Recuperação em L: empresas de consumo essencial. Inflação: empresas com baixo investimento em capital de giro. Deflação: empresas com investimento alto em capital de giro. Juros para cima: bancos. Juros para baixo: empresas que possuem endividamento mais elevado.

Vivemos hoje em mundo que testa limites até então não testados: nos últimos seis meses vimos diversas medidas monetárias e fiscais tomadas pelos principais governantes mundo afora que injetaram uma quantidade enorme de liquidez no sistema. Como consequência, houve queda dos juros reais para patamares negativos, favorecendo ativos de risco mesmo que a perspectiva de fluxos de caixa tenha se mantido ou até caído um pouco.

O Brasil, país que não tem moeda reserva e que tem histórico de indisciplina fiscal, para continuar se aproveitando de juros baixos – que financia déficits, e melhora as expectativas do setor privado através dos preços de ativos e abundância de dinheiro (ex: IPOs) – precisa manter o teto e controle sobre a despesa pública. Por isso é tão importante monitorar os desdobramentos políticos dos próximos meses.

O melhor cenário seria a aprovação de uma reforma administrativa, que sinalizasse um ajuste estrutural pelo lado das despesas. Mesmo que essa medida não evitasse o elevado déficit primário de 2020 e consequentes déficits nos próximos cinco anos, ajudaria a manter as expectativas sob controle, facilitando tanto para o tesouro nacional na gestão da dívida pública quanto para o Banco Central na gestão da liquidez.

Se o governo conseguir manter as expectativas quanto ao rigor fiscal, é possível que a bolsa se mantenha em alta. Alguns setores parecem ter exagerado para cima e outros foram desprezados, então é possível que vejamos correções em alguns papéis, mas a bolsa como um todo não sofra. Quem se beneficiará nesse cenário, em nossa opinião, são os investidores que fazem análises aprofundadas e não se deixam levar pelas ondas de otimismo e pessimismo do mercado.

Também é importante olhar o cenário externo. Nos Estados Unidos, ainda não temos certeza sobre o nível de atividade que se verificará após o fim da pandemia. Por mais que a retomada dos últimos meses tenha sido rápida em vários segmentos, o país ainda opera a um nível abaixo do pré-pandemia e não sabemos como e quando esse diferencial irá fechar, dado o nível de desemprego e as incertezas políticas de lá.

Riscos sempre tivemos e sempre teremos. O mais importante é comprar o que se entende, o que tem valor, e que muitas vezes está fora de moda ou do radar dos investidores de curto prazo, além de sempre diversificar. Independentemente do atual patamar do Ibovespa, existem diversas empresas que compõem o índice, ou inclusive fora dele, que apresentam excelentes perspectivas e potencial de valorização.

Equipe Vokin Investimentos

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4 dicas de especialista para investir bem em renda fixa

Com a Taxa Selic, que é a referência para todos os juros praticados no Brasil, na mínima histórica, tem muita gente achando que a renda fixa morreu. Isso não é verdade. Pelo menos, é o que defende o CEO da Sparta, Ulisses Nehmi, que falou sobre investir em renda fixa.

Em entrevista exclusiva para o blog da Pi, o gestor especializado em fundos de renda fixa trouxe algumas dicas para o investidor continuar aproveitando as oportunidades que esse mercado ainda reserva. Confira:

1. Busque eficiência:

Ulisses Nehmi: com os juros na mínima histórica, não dá mais pra tolerar produto ruim. O investidor precisa buscar alternativas mais eficientes. Os tradicionais fundos DI não vão dar mais os mesmos retornos obtidos no passado.

No semestre passado, o mercado de renda fixa ajustou um pouco os preços, o que é muito saudável. Foi importante para a reprecificação dos títulos. Olhando para a frente, as expectativas de retorno são muito melhores.

Fazendo uma analogia com o mercado de ações, é como se, antes, a bolsa estivesse cara. Mas os preços caíram e agora é um bom momento para comprar. Vemos agora esse cenário para alguns fundos de renda fixa.

2. Conheça os fundos de crédito privado:

UN: Os fundos de crédito privado são uma opção em relação aos tradicionais fundos DI, por exemplo. São eles que apresentam essa perspectiva mais favorável que eu citei acima. O investidor deve buscar opções pós-fixadas, que paguem retorno acima do CDI.

3. Avalie sua necessidade de liquidez:

UN: Olhando para os produtos de renda fixa que têm garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), como os CDBs, as LCIs e as LCAs, o investidor pode optar por abrir mão de liquidez para buscar um retorno maior. Hoje há títulos de renda fixa com prazo de vencimento mais longo, de até cinco anos.

O investidor deve avaliar se faz sentido ter uma pequena parcela da carteira de investimentos nesses produtos.

E se não estiver disposto a abrir mão da liquidez, uma outra opção podem ser os fundos de renda fixa, mas ponderando também o prazo para resgate. Sair do resgate em D+0 e migrar para um D+30 já pode fazer bastante diferença em termos de rentabilidade.

4. Invista em debêntures incentivadas através de fundos:

UN: Se eu tivesse que escolher uma única opção de investimento em crédito privado para falar seriam as debêntures incentivadas. Entretanto, vale destacar que fazer a análise de crédito desses títulos sozinho é muito complicado. Tem muito investidor que procura simplesmente a debênture que está pagando mais, mas, normalmente, isso acontece quando o risco é maior.

Quando você escolhe investir em debêntures através de um fundo, você conta com o suporte de um gestor profissional para fazer essa avaliação por você.

E aí? Gostou das opiniões do Ulisses sobre investir em renda fixa? Conta pra gente o que você achou nos comentários.

Leia também: Terceira Guerra Mundial nos investimentos?

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Como o acordo comercial entre EUA e China impacta seus investimentos?

Estados Unidos e China querem dar mais um passo rumo à solução da tensão comercial que pesa sobre os países há cerca de dois anos. Na semana passada, assinaram a primeira fase de um acordo comercial e agora procuram um consenso para evoluir para uma segunda etapa.

A primeira etapa do acordo envolveu a redução das tarifas norte-americanas sobre os produtos chineses e o compromisso da China comprar mais US$ 200 bilhões em produtos dos EUA. A segunda etapa ainda está em discussão.

“De forma geral, esse acordo é bastante positivo por diminuir o risco negativo sobre os mercados e a economia global. Quando a gente olha hoje para os dados econômicos, vemos sinais de recuperação nos emergentes. Ainda mais considerando o último ano de expansão monetária, acompanhada de expansão fiscal em alguns países”, explica o sócio-fundador e estrategista da Safari Capital, Elsom Yassuda, em entrevista exclusiva para o Blog da Pi.

E o Brasil também é beneficiado nesse pacote. Como pano de fundo, a guerra comercial era um fator que vinha contendo um pouco o desempenho da bolsa de valores brasileira, mas a tendência agora é que essa pressão diminua.

“A bolsa brasileira vem se beneficiando das mudanças estruturais importantes que aconteceram recentemente no país: a reforma da previdência e o mix de política monetária e fiscal. Sem o peso externo da guerra comercial, o desempenho do mercado brasileiro deve ser ainda melhor, de maneira geral”, avalia Yassuda.

Do ponto de vista setorial, entretanto, vale destacar que alguns segmentos da economia tendem a se beneficiar mais do que outros do acordo comercial. O agronegócio, por exemplo, tende a ser impactado negativamente, já que os EUA passarão a comprar mais da China e isso passa por gêneros agrícolas exportados pelo Brasil, como a soja, por exemplo.

Por outro lado, Yassuda destaca que os setores que já vinham se beneficiando do novo ciclo econômico doméstico, como bens de consumo e varejo, devem manter um desempenho favorável, após o acordo comercial entre EUA e China.

E como deve se comportar o investidor brasileiro com o acordo comercial?

O estrategista acredita que, de forma geral, o acordo comercial deve ser um catalisador para o mercado brasileiro como um todo, o que favorece que o investidor brasileiro continue tomando mais risco e buscando alternativas de investimento na renda variável.

“O acordo comercial entre EUA e China diminui o risco de recessão no horizonte de um ano. Muda o balanço de risco dos mercados, pelo menos no curto prazo. Os investidores globais vão buscar mais os mercados emergentes, aumentando a exposição a risco e saindo das classes de ativos mais seguras, como títulos públicos, dólar e ações norte-americanas. Os ativos dos mercados emergentes e das commodities se tornam mais atrativos. Temos à frente à eleição nos EUA, que deve conter um rali, mas as perspectivas para o curto prazo são favoráveis para o mercado brasileiro”, afirma Yassuda.

Leia também: Terceira Guerra Mundial nos investimentos?

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A dinâmica global nos investimentos | Franklin Templeton

Já parou para avaliar como os investimentos são afetados por movimentos internacionais? 

O ano de 2020 começou com os boatos de uma “Terceira Guerra Mundial”, depois de os EUA terem realizado um ataque contra o Irã nos primeiros dias de 2020.

E como isso afeta a bolsa de valores do Brasil e de outros lugares do globo? Como os investidores devem agir em momentos de tensão internacional como esse? 

Quem respondeu essas perguntas pra gente foi o Frederico Sampaio, diretor de investimentos de uma das maiores gestoras de recursos do mundo, a Franklin Templeton. A asset conta com 73 anos de experiência no mercado e possui sob gestão cerca de US$ 709 bilhões.

No novo episódio do 3,14Cast, o gestor abordou como o humor do mercado é abalado por tensões e conflitos internacionais e como funcionam as reações em cadeia que sucedem esse tipo de movimento. 

O gestor nos tranquilizou ao afirmar de que a tensão EUA e Irã não passou de apenas um ruído de curto prazo no mercado e que maiores movimentos sobre isso são muito improváveis de acontecer.

Frederico destacou também o fundo de ações FRANKLIN VALOR E LIQUIDEZ FVL, que está disponível na plataforma da Pi e como esse fundo opta por uma estratégia diferente dos demais fundos de ações. 

Enquanto boa parte dos fundo de ações buscam correr atras do retorno do índice da bolsa, os fundos da Franklin montam um portfólio que busca o retorno absoluto.

Como se constrói o portfólio do fundo?

A Franklin Templeton concentra esforços em um número de empresas para buscar as melhores oportunidades. 

“Tenta-se ter uma abordagem que visa uma margem de segurança das empresas para minimizar as surpresas negativas e buscar as coisas que tenham uma boa assimetria de retorno”, afirmou Frederico.

A asset, que está presente em 33 países, também trouxe um pouco de sua visão otimista para o cenário brasileiro e externo para 2020.

O 3,14Cast está disponível nas principais plataformas de áudio e também em vídeo. Escolha o seu canal preferido e aproveite!

Confira outras matérias que rolaram sobre o 3,14Cast aqui.

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CDI+: A renda fixa aditivada

A renda fixa não morreu, já diz o mantra repetido em todo o mercado financeiro.

Mas o fato é que ela não está mais tão atraente como estava em 2016, quando a taxa de juros girava em torno de 14%.

Nos últimos anos, as reduções frequentes na taxa Selic e o controle da inflação, que está baixa para os padrões brasileiros, fez com que os investimentos em renda fixa passassem a sofrer com uma rentabilidade “reduzida”.

Agora, se você quiser buscar rendimentos mais atrativos, provavelmente terá que recorrer a outras estratégias de investimentos.

Muitos bancos já sabem disso e, para recuperar os ganhos, começaram a emitir seus títulos bancários atrelados ao CDI+.

E agora eles estão disponíveis para você na plataforma da Pi.

O CDI+ é um título híbrido. Como o próprio nome diz, esse tipo de investimento possui uma parte pré e outra pós-fixada.

Isso significa que, na ponta pré-fixada, você recebe uma rentabilidade, que já é informada no momento da aplicação.

Além disso, na parte pós-fixada, pode haver um rendimento adicional, desta vez atrelado a variação de um determinado índice. No caso dos produtos CDI+, disponíveis na plataforma da Pi, ele está indexado ao CDI.

Atualmente, o CDI está em 3,75% ao ano, enquanto o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, está em 3,27%. Dessa forma, os rendimentos de um título atrelado ao CDI+ tendem a ser maiores.

Este tipo de indexador é frequentemente utilizado em títulos de Crédito Privado como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), por exemplo. Porém, agora você pode encontrá-los também em emissões bancárias, incluindo os Certificado de Depósitos Bancários (CDBs).

Confira abaixo duas opções investimentos CDI+ que separamos para você.

O investimento inicial é de apenas R$ 1.000.

Para conhecer nossos produtos e outras opções de CDI+, acesse nosso catálogo.

Material publicitário. Para mais informações, acesse aqui. Os investimentos apresentados podem não ser adequados aos seus objetivos, situação financeira ou necessidades individuais. O preenchimento dos formulários API – Análise de Perfil do Investidor é essencial para garantir a adequação do perfil do cliente ao produto de investimento escolhido. Leia previamente as condições de cada produto antes de investir.

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Terceira Guerra Mundial nos investimentos?

Em meio à tensão no Oriente Médio, muitos investidores têm se mostrado cautelosos em relação a como proceder de agora em diante. Não há como negar que a situação entre Estados Unidos e Irã está realmente delicada e que a cautela é a palavra-chave do momento. Nesse cenário, como ficam seus investimentos?

O Chief Investment Officer (CIO) da TAG, Dan Kawa, destaca a importância de separar os efeitos desses acontecimentos no curto e no longo prazo.

“No curto prazo, temos uma conjunção de vetores. Ativos dos mercados norte-americano e europeu subiram muito no final do ano passado e podemos esperar uma correção de preço. Agora, com esse conflito entre EUA e Irã é natural esperarmos incertezas e volatilidade no curto prazo”, explica Dan.

“A médio e longo prazo, o que vai determinar se esses impactos serão permanentes ou pontuais será o tamanho que esse conflito terá. Mas estamos trabalhando com a probabilidade maior, que é a de que o conflito seja pontual, localizado e resolvido nos próximos meses”, acrescenta.

Confira a entrevista na íntegra:

Que investimentos serão impactados?

Dan Kawa – O primeiro impacto é sobre o preço do petróleo. Isso representa mais inflação e comprometimento do crescimento econômico. Muitos dos insumos necessários para esse crescimento estão vinculados ao petróleo. Mas, de forma geral, podemos esperar impactos sobre os mercados de ações, câmbio e juros.

Você está prevendo alguma alteração na sua estratégia de investimentos por conta desse cenário?

DK – Não mudamos nenhuma recomendação na carteira e nossa alocação em bolsa brasileira segue muito acima da média. Entretanto, na última semana de dezembro, começamos a comprar algumas proteções, opções de bolsa. Começamos a comprar antes dessa crise porque seguro não se compra quando a casa já pegou fogo. Então, estamos protegidos por no mínimo os próximos três a quatro meses.

Como o investidor deve se comportar nesse cenário?

DK – Com paciência e parcimônia, sem entrar em pânico e sem achar que está na Terceira Guerra Mundial. Para quem está investindo em fundos, é importante garantir que está escolhendo os gestores mais preparados para administrar esse cenário com as proteções corretas.

Quais suas expectativas para o mercado externo em 2020?

DK – O ano passado foi muito bom para os mercados de ações dos Estados Unidos e da Europa. Para 2020, espero moderação desses ganhos e um cenário mais desafiador. Talvez alguma estagnação nesse início de ano e dúvidas sobre a sustentabilidade da estabilização econômica.

Quais suas expectativas para o mercado brasileiro em 2020?

DK – Tenho uma visão muito positiva para o Brasil, com crescimento acima de 2% neste ano. Podemos ter alguma aceleração da inflação, mas ela deve continuar baixa. Pela primeira vez o Brasil vai destoar do resto do mundo. Europa, Estados Unidos e China tendem a crescer menos que nos últimos anos.

Quais investimentos valem a pena serem olhados este ano?

DK – Para este ano, é hora de buscar maiores alocações em renda variável. No mercado de crédito, fundos mais agressivos com perspectivas de retornos maiores também são uma boa pedida, mas, para isso, será preciso abrir mão de liquidez. Buscar fundos menos líquidos, mas mais rentáveis. Papéis com boas estruturas de garantia.

Gostou desse conteúdo? Conta pra gente nos comentários se você estão pensando em fazer alguma mudança nos seus investimentos por conta das tensões no Oriente Médio.

(Dan Kawa é gestor de uma das carteiras prontas disponíveis na nossa Plataforma. Conheça!)

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Conheça 10 vantagens de investir com a Pi Investimentos

A Pi é uma plataforma, do Santander Brasil, 100% digital que disponibiliza produtos de investimentos para o todos os públicos.

Com o surgimento de diversas serviços digitais é importante conhecer bem a empresa antes de decidir em quem você confiará seu patrimônio.  Assim, reunimos neste 10 vantagens de investir com a Pi Investimentos, que vão te ajudar nesse processo de decisão. Confira!

Continue lendo “Conheça 10 vantagens de investir com a Pi Investimentos”

Imposto de Renda 2021: Entenda como funciona

Antes de mais nada, o prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda (DIRPF) foi anunciado oficialmente e seguirá o padrão. Ele será entre 01 de março e 30 de abril. Você já sabe como declarar os seus investimentos? 

O leão – animal que representa o IR – é um imposto para todos os cidadãos que se enquadram em pelo menos um dos critérios determinados pela Receita Federal. Então, anualmente essas pessoas precisam prestar contas de seus rendimentos através da Declaração do Imposto de Renda. 

Alguns produtos de investimentos são passíveis de tributação. Ou seja, se você aplicou em pelo menos um deles, seus rendimentos devem ser tributados e declarados. Além disso, existem produtos de investimento isentos de tributação, mas que devem ser igualmente declarados. 

O que é preciso saber na hora de declarar o Imposto de Renda?

Essa e outras dúvidas serão respondidas ao longo desta matéria. Seja como for, a melhor forma de evitar problemas é estar bem informado.

Quem precisa declarar o Imposto de Renda?

A Receita Federal determina critérios para a obrigatoriedade de declaração do IR. Por exemplo. em 2020 os critérios foram:

  • Quem recebeu rendimentos tributáveis (salários, aluguéis ou outra forma de renda tributável), sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma anual foi superior a R$ 28.559,70 (média mensal de R$ 2.379,98);
  • Recebeu rendimentos isentos (como poupança, LCIs e LCAs), não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00.
  • Obteve ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto;
  • Operou em bolsas de valores, de mercadorias e/ou de futuros e assemelhadas;
  • Optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, cujo produto da venda seja destinado à aplicação na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da  Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005.
  • Obteve receita bruta anual em valor superior a R$ 142.798,50 em atividade rural;
  • Tinha, em 31 de dezembro de 2020, bens ou direitos de valor superior a R$ 300 mil;
  • Tornou-se residente no Brasil, em qualquer mês, e manteve-se nessa condição no dia 31 de dezembro de 2020.

Fonte: Receita Federal

A declaração do Imposto de Renda é fundamental para os que desejam crescer seu patrimônio. Sonegar impostos, mesmo que inconscientemente, pode gerar multas pesadas por parte da Receita Federal e outros problemas com a Justiça.

Mas como você viu, a depender da sua renda e patrimônio, você não precisará declarar o IR.

O que você irá conferir nesta matéria: 

  • O que é o Imposto de Renda?
  • Como funciona o Imposto de Renda?
  • Tabela do Imposto de Renda;
  • O que posso deduzir do Imposto de Renda?
  • Desconto completo ou simplificado?
  • Declarando seus investimentos no Imposto de Renda;
  • Restituição do Imposto de Renda;
  • Isenção do Imposto de Renda;
  • Como não cair na malha fina?
  • Perdeu o prazo?

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O que é Imposto de Renda?

Primeiramente, o IR é um tributo cobrado pelo Governo Federal sobre os ganhos das pessoas e empresas. 

Anualmente o cidadão, que se encaixa nos critérios, precisa apresentar à Receita Federal uma declaração de renda do ano anterior. Este documento, salvo raras exceções, deve ser enviado entre 1 de março e 30 de abril de cada ano.

O valor do imposto será proporcional à renda do cidadão seguindo uma tabela progressiva. Em outras palavras, essa tabela divide a população por faixas de renda e aplica uma alíquota de tributo para cada faixa. As alíquotas são o percentual da sua renda que será cobrado como imposto. Elas vão de 0% (isento) a 27,5% (teto). Apresentaremos essa tabela mais pra frente.

Nesse sentido, pode-se classificar o Imposto de Renda como um valor descontado sobre os rendimentos das empresas e dos trabalhadores no Brasil. Entre a lista de rendimentos tributáveis estão: salários, aluguéis, investimentos e prêmios de loterias.

Como funciona o Imposto de Renda

O IR pode ser retido mensalmente no salário do trabalhador, assim como também pode ser pago com base em outros rendimentos, como o come-cotas em alguns investimentos. Nesse sentido, com a declaração anual obrigatória, a Receita Federal verifica se o cidadão está pagando o proporcional ao que deveria. 

O programa da Receita Federal irá calcular quanto de imposto você deveria pagar e quanto foi pago. Quando a Receita detecta que o cidadão pagou menos impostos do que deveria, ele precisará compensar o valor. Eventualmente, se o contribuinte tenha pago um valor maior ele terá direito a restituição. A Receita divulga todo ano as datas de liberação dos lotes de restituição.

Se a pessoa precisar compensar o que foi cobrado o valor é informado assim que a declaração é preenchida. O pagamento pode ser feito por débito automático ou boleto.

Então, anualmente o contribuinte deve declarar seus rendimentos do ano anterior, como salários, investimentos, aposentadorias, aluguéis e seus bens como imóveis, veículos, jóias ou objetos de arte, com valores a partir de 5 mil reais.

A Receita Federal divide o IR em duas categorias: o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). 

Para pessoas físicas, as alíquotas variam de acordo com a renda. Já para pessoa jurídica, a alíquota aplicada incide sobre o lucro.

Você pode fazer o download do Programa Gerador da Declaração (PGD) DIRF direto no site da Receita Federal. Depois de transmitir a declaração você pode acompanhar o processo acessando o extrato no ECAC clicando aqui.

Tabela de Imposto de Renda

Para entender o cálculo do valor que o contribuinte deveria pagar de IR, a Receita Federal utiliza tabela abaixo.

Com ela o contribuinte verifica qual o percentual que será aplicado sobre sua renda ao pagar o imposto.

Base de cálculo anual (R$)Alíquota (%)Parcela a deduzir do IRPF (R$)
Até 22.847,760Isento
De 22.847,77 até 33.919,807,51.713,58
De 33.919,81 até 45.012,60154.257,57
De 45.012,61 até 55.976,1622,57.633,51
Acima de 55.976,1627,510.432,32
Dados utilizados em 2020

Fonte: Receita Federal

O que posso deduzir do Imposto de Renda?

Você pode listar algumas despesas feitas no ano para abater na declaração. Posteriormente, você pode usar essas despesas para reduzir o valor do imposto a ser pago. Para essas despesas damos o nome de deduções de IR.

Por exemplo, gastos para dedução são:

  • Educação;
  • Saúde;
  • Contribuição à previdência social (INSS) ou privada;
  • Gastos com dependentes;

Ao mesmo tempo, também existem casos de dedução do imposto devido, que diminui o valor do imposto a ser pago. Isso acontece nos casos de doações e aluguéis, para sublocações.

Lembre-se de que todos os valores colocados na declaração precisam estar de maneira idêntica aos informados em comprovantes de rendimento ou de pagamento. 

Desconto completo ou simplificado?

Enquanto você faz sua declaração anual de Imposto de Renda você deverá escolher entre declaração com imposto simplificado ou completo.

Ao optar pelo desconto simplificado no lugar de calcular o desconto para cada despesa listada é aplicado um desconto de 20% sobre sua renda, limitado a R$ 16.754,34. Com esse desconto você pode mudar de faixa e consequentemente de alíquota, podendo assim ter imposto a restituir futuramente. 

Você pode optar pelo desconto simplificado independentemente dos rendimentos recebidos e do número de fontes pagadoras.

No modelo completo você precisará de comprovação de todos os gastos que irá deduzir para não cair na malha fina, então guarde todos os recibos e notas fiscais de gastos dedutíveis. Da mesma forma, caso você tenha contratado um plano de previdência PGBL ou tenha mais de R$ 16.754,34 para deduzir, considere este modelo de desconto.

Antes que cometa erros, sempre que tiver dúvidas sobre como fazer sua declaração de Imposto de Renda é recomendável procurar um contador profissional que te auxilie.

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Declarando seus investimentos no Imposto de Renda

Você deve declarar seus investimentos de acordo com o ‘informe de rendimentos’, documento onde constam todos os dados sobre os valores a serem declarados. A instituição financeira que gerencia suas aplicações deve fornecer esse documento. 

Da mesma forma, investimentos isentos de IR, como Letras de Crédito (LCI), Letras de Créditos do Agronegócio (LCA) ou a própria caderneta de poupança, devem constar no documento. No entanto, vale reforçar que esses investimentos não sofrerão tributação e apenas precisam estar listados na declaração.

Preencha a declaração com atenção e cuidado.

Antes que comece a preencher os dados referentes aos seus investimentos na declaração de Imposto de Renda, é fundamental ter em mãos as informações referentes a suas aplicações, que irão constar no informe de rendimentos.

Na Pi, por exemplo, os investidores terão acesso ao informe de rendimentos na própria plataforma, dentro do menu “Informe de Rendimentos”. Esse documento traz os valores que você vai declarar. Da mesma forma que pode trazer também em quais abas e sob quais códigos cada produto deve ser declarado. Mas caso tenha dúvidas busque a ajuda de um contador de confiança.

Contudo, tenha cuidado ao realizar a declaração para não cometer erros de digitação dos valores ou qualquer outro equívoco. Os mínimos erros podem conflitar com informações da Receita e gerar complicações. Atente-se também para não confundir códigos ou informá-los nos campos errados, uma vez que a tributação para cada campo pode ser diferente. 

É necessário que você informe os rendimentos e resgates que fez no ano anterior. O valor inicial, no entanto, não precisa ser listado, uma vez que o que interesse da Receita é apenas no lucro obtido. 

Confira um exemplo: 

Você investiu R$ 2.000,00, em fevereiro de 2020, e resgatou o valor em novembro, com um lucro líquido de R$ 100,00. Então, o que interessa à Receita é que o investidor informe o valor de lucro e não o valor inicial investido.

Restituição do Imposto de Renda

A restituição do IR ocorre quando a Receita Federal detecta que o contribuinte pagou mais impostos do que deveria ter pago. Então, ele terá direito a receber de volta parte do valor. Nesse sentido o contribuinte recebe esse valor até o mês de dezembro do mesmo ano em que foi declarado o IR.

Atente-se que os primeiros a declarar o IR geralmente recebem a restituição antes que os retardatários. A Receita paga os valores restituídos em lotes liberados seguindo o calendário divulgado anualmente.

Isenção do Imposto de Renda

Eventualmente, a Receita Federal divulga os critérios de obrigatoriedade para a declaração do IR. Em 2020 ficaram isentas do IRPF pessoas que tiveram renda anual abaixo de R$ 28.559,70, assim como quem não se enquadrou em nenhum dos critérios de obrigatoriedade listados no começo da matéria. Entretanto, a Receita Federal ainda não divulgou se fará alterações para o ano calendário de 2021.

Mas há casos específicos, nos quais o cidadão pode solicitar a isenção do imposto. Entre eles estão os rendimentos relativos à reforma, aposentadoria ou pensão de pessoas portadoras de doenças graves, incluindo cegueira, esclerose múltipla, AIDS, alienação mental, cardiopatia grave, entre outras. 

Ainda assim, para solicitar a isenção do Imposto de Renda, é preciso apresentar um laudo pericial que comprove a moléstia.

Como não cair na malha fina?

Malha fina é como conhecemos o processo de verificação de inconsistências da declaração do Imposto de Renda. Nesse sentido, ela age como uma espécie de “peneira” para os processos de declarações que estão com alguma pendência ou irregularidade.

Em 2020, mais 1 milhão contribuintes enfrentaram esse problema, pois a Receita Federal tem aperfeiçoado cada vez mais suas análises na hora de cruzar informações.

Então, para não ter que pagar multas ao passar por esse transtorno, existem algumas dicas que o contribuinte pode utilizar:

  • Não omita rendimentos. Não tente esconder da Receita rendimentos que você obteve, pois essa é sempre a maior razão dos que caem na malha fina;
  • Digite números e vírgulas cuidadosamente. O valor declarado deve ser idêntico aos descritos nos recibos e comprovantes. Bem como o mínimo erro pode dar a entender que você está sonegando impostos;
  • Lembre-se de informar os rendimentos da sua conta bancária;
  • Lembre-se de inserir os rendimentos com aluguéis ou pensões alimentícias;
  • Informe sua movimentação na bolsa de valores;
  • Declare apenas despesas as quais consiga comprovar e que se encaixem nas deduções.

Neste momento, você já deve saber que tentar enganar a Receita Federal, para pagar menos impostos, é considerado crime de sonegação. Além disso, ao ser pego, o contribuinte, poderá, além de pagar uma multa, estar sujeito a cumprir pena de dois a cinco anos de prisão.

Contudo, para evitar que isso aconteça, caso o contribuinte tenha notado algum erro em sua declaração ou que esqueceu de informar algum dado, ele poderá apresentar uma retificação junto à Receita, por um prazo de até cinco anos. 

Esse é o período que o órgão realiza a malha fina e, após detectarem erros, o contribuinte poderá ser chamado para prestar esclarecimentos. 

Caso o contribuinte já tenha feito a retificação, a Receita irá considerar como uma demonstração de que ele não agiu de má-fé, o que poderá reduzir as chances de uma pena de prisão, por exemplo. 

Para os que têm a obrigatoriedade de declarar, mas não o fazem, ficarão impedidos de realizar uma série de atividades como: prestar concurso público, pegar empréstimos, renovar passaportes, abrir contas em banco etc. 

Perdeu o prazo?

A data final para apresentar a declaração, normalmente, é no dia 30 de abril. Após essa data, o contribuinte estará atrasado. 

Seja como for, o processo para resolver isso é o mesmo da declaração formal. A diferença é que o contribuinte terá de pagar uma multa de 1% ao mês, calculada sobre o total do imposto devido, ainda que integralmente pago, sendo que o valor mínimo é de R$ 165,74 e o valor máximo é de 20% do imposto sobre a renda devido. 

Concluindo, a declaração do Imposto de Renda pode parecer um bicho de sete cabeças, mas com informação e atenção você conseguirá preenche-la e evitar maiores transtornos.

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BDRs simplificam a vida de quem busca investir no exterior

Investir em ativos no exterior, pode parecer complicado para muitos investidores em um primeiro momento. Mas essa tarefa ficou mais simples desde que a B3 autorizou a negociação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) por qualquer investidor pessoa física em outubro. 

Desde então o tema ficou em alta e chamou atenção de diversos investidores, afinal, esse tipo de ativo é uma alternativa para quem deseja investir nas maiores empresas do mundo como Apple, Netflix, Amazon, Microsoft, Disney, entre outras, de forma simplificada, já que trata-sede certificados de ações emitidos em outros países, mas que são negociados no Brasil. 

Atualmente existem duas formas de investir neste ativo. A primeira é negociando o papel diretamente, sem intermediários. A outra alternativa é mais simples, já que é feita por meio de fundos de investimento. Nesta segunda opção, quem escolhe em quais BDRs investir é o gestor, que seleciona os ativos que mais tem aderência à estratégia elaborada por ele. 

Convidamos a Apex Capital, uma asset que conta com este tipo de ativo em seu portfólio, para entender como é feita a escolha dos BDRs, compreender quais fatores podem impactar na rentabilidade desse ativo, saber a diferença entre um BDRs e os ETFs listados em bolsa. 

Confira o bate-papo exclusivo do blog da Pi com Thiago Kapulskis, sócio da Apex Capital e Analista de Empresas, e Alexandre Salfatis, sócio da Apex Capital e Co-gestor.

Pi Investimentos: Quais fatores podem afetar a rentabilidade dos BDRs?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: As BDRs irão render a performance da ação objeto no exterior somada à variação cambial (USDBRL).  Quando se compra uma BDR, se não for feito um hedge, você está comprado também em USD x BRL.

Pi Investimentos: A valorização ou desvalorização dos BDRs reflete o que acontece com a ação no exterior?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: Sim, reflete com bastante fidelidade o preço da ação no exterior somada à variação cambial.  Todas as BDRs tem formadores de mercado na B3, o que limita a diferença de preço em relação à cotação nos EUA.  Por enquanto só existem BDRs de papéis que operam nos EUA (empresas locais ou que possuem ADRs).  Podem haver algumas distorções nos preços de fechamento já que o mercado brasileiro fecha um pouco antes do mercado americano, mas estas distorções tendem a ser corrigidas no dia seguinte.  A B3 inclusive colocou recentemente uma regra de marcação do preço de fechamento para tentar diminuir este efeito: se não há negócios na BDR durante o leilão, eles usam como preço de fechamento oficial o fechamento nos EUA convertido em BRL.

Pi Investimentos: Os BDRs também pagam dividendos e juros sobre capital próprio? Esses proventos são pagos ao fundo?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: JCP não existe lá fora. Os dividendos pagos no exterior são convertidos em BRL pelo custodiante e pagos aqui após a retenção de impostos/taxas como se fossem dividendos de papéis brasileiros.

Pi Investimentos: Qual a principal diferença entre investir em ações no exterior, BDRs e ETFs listadas na B3 para se ter exposição internacional?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: Entendo que a diferença é o modo de acessar o mercado, principalmente para investidores que tenham restrições ou dificuldades para operar no exterior.  Em termos de rentabilidade, não deveria haver diferença relevante.

Pi Investimentos: Como vocês escolhem as ações que compõem o fundo de investimento da Apex, presentes em nossa plataforma?

Thiago Kapulskis e Alexandre Salfatis: Em relação às ações globais, nosso processo de investimento consiste em 3 partes. Primeiro, fazemos uma análise top down, que consiste na seleção e estudo profundo de temas/tendências de longo prazo, que acreditamos que seguirão por bastante tempo. Uma vez selecionados os temas, fazemos uma análise bottom-up, selecionando empresas que se encaixam nessas tendências de maneira relevante. Essa análise envolve tanto fatores qualitativos (modelo de negócio, gestão da empresa, entre diversos outros pontos) como quantitativos (% da receita exposta ao tema, se a empresa pode ganhar margem com as mudanças, etc). Em paralelo, também fazemos uma análise de valuation das empresas. Importante lembrar que, uma vez finalizado o processo de seleção das empresas, fazemos um acompanhamento profundo tanto da ação/empresa em si quanto do próprio tema/tendência que serve como base para o investimento.

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A renda fixa tirou um “período sabático”, mas não morreu

Nos últimos meses, o brasileiro acompanhou uma queda acentuada da Taxa Selic, índice que é referência para todos os juros praticados no país. Com esse índice em queda livre (confira quadro abaixo) e atingindo seu menor patamar histórico, há quem defenda que a renda fixa morreu, mas isso não é verdade. É o que defende Marilia Fontes, sócia-fundadora e analista em renda fixa da Nord Research. 

Em entrevista exclusiva para o blog da Pi, a especialista conta que a renda fixa pode até ter tirado um “período sabático”, mas não morreu. Além disso, ela fala sobre a expectativa da próxima reunião do Copom, explica o atual momento do Tesouro Selic e dá dicas de onde investir com a taxa de juros baixa. 

Nos próximos dias, o COPOM se reúne para definir a taxa Selic. Qual a sua expectativa para o resultado? Quais pontos são relevantes no discurso?

Marilia Fontes: Minha expectativa é que o Copom mantenha a Selic estável em 2% e não altere de forma relevante o discurso. As expectativas de inflação para este ano e o ano que vem ainda estão abaixo da meta, e mesmo com a aceleração recente dos números temos folga até que ela comece a incomodar. 

Nos últimos meses, com a queda da Selic, muito se ouviu falar que a renda fixa morreu? Isso é verdade? 

Marilia Fontes: A renda fixa como gerador de ganhos agressivos com marcação a mercado de fato ficará adormecida por um tempo. Todas essas questões de piora fiscal fizeram com que o mercado exigisse taxas mais altas do Tesouro para financiar a dívida. Esse aumento de taxa trouxe prejuízos de marcação a mercado. Mas a alta e queda das taxas é cíclica, e novas oportunidades podem voltar a qualquer momento. 

Eu diria que a renda fixa ativa tirou um sabático, mas não morreu. Agora, a renda fixa sempre servirá como controle de risco para qualquer carteira de investimentos. Mesmo diversificando sua carteira, você nunca irá deixar de ter uma parcela em ativos mais conservadores. E a renda fixa sempre irá te ajudar nisso. 

Nas últimas semanas, o investidor, que sempre viu no Tesouro Selic um porto seguro, viu a rentabilidade do investimento ficar no vermelho. Por que isso aconteceu? 

Marilia Fontes: Foi um movimento técnico, que aconteceu porque o Tesouro teve que emitir um volume financeiro muito grande, para pagar os gastos com a pandemia. O aumento dos leilões assustou o mercado, que não teve tempo suficiente para absorver esse lote maior, e acabou pedindo mais prêmio. As taxas agora já voltaram bem. Se o governo mantiver a âncora fiscal do Teto de Gastos, esses prêmios vão voltar completamente. 

Qual a importância da manutenção do “teto de gastos” para os investimentos em renda fixa? E qual a relação do atual cenário político está relacionado com a rentabilidade do Tesouro Selic?

Marilia Fontes: O teto de gastos é crucial, pois é a única forma de vislumbrarmos uma queda da dívida sobre PIB ao longo dos anos. Caso ele seja flexibilizado, a dívida pode seguir em um patamar crescente e até explosivo. Nenhum investidor em sã consciência financiaria um governo com dívida alta e crescente. Neste caso, teríamos problemas sérios de financiar a dívida, as taxas subiriam muito, como subiram em 2015, durante o governo Dilma. 

Uma das frases mais conhecidas do mercado financeiro é “nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. Como o investidor pode diversificar seus investimentos em renda fixa? 

Marilia Fontes: Eu gosto muito de diversificar entre emissores diferentes. O investidor pode usar o Tesouro Selic do governo, mas pode também usar os CDBs, LCIs e LCAs dos bancos. 

Além disso, temos também as debêntures, CRIs e CRAs das empresas que são excelentes formas de aumentar o retorno da sua carteira de renda fixa. Claro que tudo isso deve ser feito com uma análise criteriosa do risco de crédito desses emissores. Mas é possível achar boas taxas com riscos moderados. 

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Top 6 filmes sobre o mercado financeiro para assistir ainda em 2020

Nos últimos anos, o interesse sobre o universo de investimentos tem aumentado de forma considerável no país. Segundo dados da B3, mais de 3 milhões de brasileiros já aplicam em bolsa e a tendência é que esse número cresça nos próximos anos.

E, à medida que o interesse por investir aumenta, também existe a necessidade de se expandir o conhecimento no assunto. Há quem recorra a fontes tradicionais como cursos, livros, vídeos educativos, entre outras alternativas.

Uma das opções mais lúdicas e divertidas, são os filmes. Em poucos minutos, eles são capazes de contar histórias e trazer conhecimento em meio à uma trama envolvente, que te prende em frente à TV do começo ao fim. 

Nesta matéria, separamos para você seis filmes sobre o mercado financeiro que você precisa assistir para conhecer e entender melhor o mundo dos investimentos. 

#1 O Lobo de Wall Street (2013)

A trama traz à tona a ambiciosa vida de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor de títulos mobiliários, que se utiliza de brechas do sistema financeiro para enriquecer de forma rápida e ilegal, criando um verdadeiro império em Wall Street. O envolvimento de Belfort com esquemas ilícitos, fraudes e gastos excessivos é o foco do longa que mostra como o destino do executivo se torna insustentável à medida que seus métodos começam a chamar a atenção das autoridades norte-americanas.

O filme traz lições importantes sobre o que não se deve fazer no mercado financeiro. Ele é dirigido por Martin Scorsese e foi indicado em diversas categorias do Oscar, entre elas a de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para Leonardo DiCaprio. 

Você pode conferir o filme: Amazon Prime Video e na HBO GO. 

#2 A Grande Aposta (2015)

A história vencedora do Oscar de melhor roteiro adaptado, conta a história de quatro gestores do mercado financeiro norte-americano que conseguem antecipar o colapso da economia mundial da crise de 2008.  

No filme, um grupo de gestores apostam que a bolha imobiliária estouraria a qualquer momento nos Estados Unidos. A partir de então, eles iniciam uma saga para compreender como esse colapso acontecerá e, principalmente, como eles podem faturar em cima da crise que está por vir. 

A proposta do longa é mostrar como é possível lucrar em meio a uma das maiores crises econômicas de todos os tempos. com um insight poderoso e nadando contra a maré de especialistas do assunto em todo mundo. 

De forma didática e divertida, o filme tenta trazer explicações sobre o “economês” da crise e mostra o outro lado do colapso, aquele onde os protagonistas acabam lucrando com a situação.

Você pode conferir o filme: Netflix, NOW, Claro Vídeo e no Itunes. 

#3 Grande demais para quebrar (2011)

O filme é baseado no livro homônimo do jornalista Andrew Sorkin que relata com detalhes o drama da crise econômica de 2008, mas dessa vez pelos olhos do Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson. 

O nome da obra é baseado em uma tese econômica que ganhou força com a crise daquele ano e que transmite a ideia de que caso grandes empresas ou instituições financeiras quebrem, isso poderá acarretar sérias consequências para toda a economia global, numa espécie de efeito dominó, como foi o caso do banco Lehman Brothers na crise conhecida como  “subprime”

O enredo da história se concentra na busca do secretário e de sua equipe econômica, junto com grandes nomes de Wall Street, de alternativas para salvar a economia norte-americana de um colapso em meio a uma das maiores e mais profundas crises econômicas da história. 

Você pode conferir o filme: HBO GO

#4 O Mago das Mentiras (2017)

O filme é baseado na história real de Bernard Madoff, um dos maiores investidores Wall Street e também responsável por um dos maiores esquemas de fraudes financeiras da história dos Estados Unidos, conhecido como “Esquema Ponzi”. 

A trama traz a importância de investidores entenderem sobre esquemas de pirâmide financeira, que prometem rendimentos milagrosos, mas que, na verdade, não passam de golpes que visam atrair o dinheiro de pessoas mal informadas. 

O longa dá a visão de Madoff sobre seu esquema, e como ele consegue o manter por anos, enganando até autoridades reguladoras norte-americanas.

A história de Madoff mostra como ele fora responsável por uma fraude de US$65 bilhões, criando falsas aplicações em fundos de investimentos inexistentes por quase duas décadas e responsável por gerar uma fortuna bilionária para ele e sua família. 

Você pode conferir o filme: HBO GO

#5 Jogo do Dinheiro (2016)

O filme conta a história de Lee Gates (George Clooney), um âncora de televisão que apresenta o programa “Money Monster”, em que oferece dicas e informações sobre ações do mercado financeiro. 

A trama tem seu início marcado com a invasão do programa por um desconhecido armado que obriga Lee a vestir um colete com explosivos. O invasor, ordena a emissora que permaneça com o programa ao vivo, ameaçando o apresentador, caso a atração saia do ar. 

A partir daí, inicia-se uma investigação para descobrir quem é o sequestrador, qual a sua motivação e, principalmente, para libertar Lee. Durante o decorrer da história diversos temas são abordados entre eles, a corrupção mundial e como o mercado financeiro global está totalmente conectado. 

Você pode conferir o filme: Amazon Prime Video, Claro Video, Globoplay e Itunes.

#6 Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011)

Esse é mais um título que trata sobre a crise de 2008. Contudo, neste longa, a história se passa durante apenas em um dia e traz à tona analistas do setor de riscos de uma grande corretora que está realizando demissões em série. Após a demissão da pessoa responsável pelos riscos, um analista descobre que a instituição em que trabalha deverá “quebrar” no dia seguinte. 

Ao se dar conta que a empresa está prestes a falir, uma reunião de emergência com o alto escalão da companhia ocorre.

O destaque do longa está em observar o uso agressivo de derivativos complexos por alguns dos maiores bancos americanos, sem a avaliação e entendimento apropriado dos riscos envolvidos, fato que agravou ou até mesmo ocasionou a crise econômica na época.

Você pode conferir o filme: Amazon Prime Video e Looke. 

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Juros futuros: o que são e como funcionam

A variação da taxa básica de juros da economia (Selic) é um dos movimentos mais constantes no mercado financeiro. A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, se reúne para decidir o futuro da taxa de acordo com a situação econômica do país naquele momento.

O que muitas pessoas não sabem é que a variação da Selic impacta também o funcionamento de todo o mercado financeiro. Com isso, alguns investidores passaram a aplicar em um ativo que busca blindar as oscilações do mercado: os contratos de juros futuros. 

O que são e como funcionam os contratos de juros futuros?

Os contratos são negociados através de derivativos sejam opções ou futuros. Esses instrumentos são contratos negociados entre duas partes que buscam apostar sobre a expectativa da taxa de juros, entre o dia da negociação e uma data futura. Nela, os dois agentes envolvidos firmam um compromisso de compra e venda baseado na taxa de juros esperada para a data de vencimento.

Ao negociar juros futuros, ou contratos de DI Futuro, como são mais conhecidos, os investidores apostam qual será o valor da taxa em um determinado período no futuro e tenta lucrar com essa negociação.

Quem negocia esses contratos considera que, embora no presente, a taxa de juros seja x, suas interpretações o levam a crer que em determinada data ela será y.

A partir disso, o investidor se prepara para o novo contexto, buscando negociar contratos futuros para lucrar o máximo possível e o faz apostando na alta ou queda dos juros por meio dos contratos.

A previsão da taxa de juros no futuro é criada a partir de análises de agentes econômicos que se baseiam em diferentes fatores que impactam o futuro da Selic na economia. Alguns fatores analisados são: 

  • Expectativas e resultados do PIB;
  • inflação;
  • taxa de desemprego;
  • fuga de capitais;
  • câmbio e balança comercial;
  • dívida pública;
  • política monetária e fiscal do governo

Por exemplo: imagine que a economia atual apresente sinais de que possuirá uma inflação alta em dois anos. Em períodos de inflação alta, a Selic também tende a subir para frear o consumo da população. Nesse cenário, muitos investidores passarão a apostar na elevação da Selic no futuro e tentarão lucrar caso estejam corretos. 

O Contrato Futuro de DI1 negociado pela B3 tem valor notional de R$100 mil na data de vencimento, e o valor na data de negociação (PU) é igual ao valor de R$ 100 mil descontado pela taxa negociada. Como a posição é atualizada diariamente pela Taxa DI através da dinâmica de atualização do PU pelo fator de correção, o investidor que carrega a posição até o vencimento recebe ajustes diários que somados equivalem à diferença entre a taxa de juro contratada e a realizada, sobre o montante financeiro da operação. 

Mas por que a Taxa DI?

Essa taxa é originalizada do já conhecido CDI (Certificado de Depósito Interbancário) que representa os juros médios praticados nos empréstimos entre bancos. A DI está geralmente próxima à Selic – servindo como principal índice de referência do mercado de renda fixa.

O objetivo dos contratos de juros futuros

Como dito no início da matéria, a oscilação na taxa de juros pode possuir efeito direto e prejudicial para boa parte do mercado, como empresas que terão de pagar mais juros em seus empréstimos (em caso de alta da Selic) e bancos que terão de cobrar menos em seus empréstimos (em caso de baixa). Logo, com um ambiente tão volátil e dinâmico, os contratos DI Futuros trabalham para prover mais estabilidade e proteção aos investidores.

Ao fixar os valores da Selic para diferentes prazos no futuro, os contratos futuros funcionarão como uma espécie de “blindagem” para o mercado. Uma vez que a taxa para uma data futura já foi previamente definida, o investidor não precisará se preocupar com sua variação até lá.

Logo, a utilização mais comum deste derivativo é como instrumento de proteção e gerenciamento de risco.

Tomadores de créditos ou papéis que possuem sensível exposição ao risco da variação da taxa de juros, podem mitigar seu risco comprando o derivativo na ponta contrária de sua operação. (EX: LTN-CASADA em Tesouraria ALM)

Além do mais, é um instrumento que permite uma exposição maior a variação da taxa juros devido a sua possibilidade de alavancagem ; assim sendo utilizado também para especulação.

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4 investimentos para sair da poupança ainda em 2020

A poupança continua sendo o investimento favorito da maioria dos brasileiros. Segundo dados do Banco Central de 2018, cerca de 157 milhões de brasileiros, ou 7 a cada 10, ainda investem nesse ativo. 

De acordo com levantamento do Valor Investe, só em maio de 2020, a poupança arrecadou R$ 37,20 bilhões, mais que o dobro do que foi depositado no ano inteiro de 2019 (R$ 13,32 bilhões).

Atualmente, com a taxa Selic em sua mínima histórica (2% ao ano), a poupança passa a render cada vez menos e já é considerada um dos investimentos com menor retorno no mercado. 

Até o momento em que esta matéria foi escrita, a poupança possui um rendimento de apenas 1,40% a.a. Como exemplo, imagine que você decida investir R$ 1.000 na poupança. Em um ano, você terá o retorno de apenas R$ 1.014,00. 

Os investidores que aplicam na poupança, são geralmente aqueles mais conservadores, com certa aversão ao risco, que buscam alta liquidez (facilidade para sacar o dinheiro) e ou pouco conhecimento sobre o mercado financeiro. 

Por isso, nessa matéria, você conhecerá algumas opções de baixo risco, com rendimento superior a poupança e com aplicação simples aqui pela Pi. 

Confira:

#1 Certificado de Depósito Bancário (CDB) 

O CDB é um título de renda fixa no qual o investidor empresta seu dinheiro a uma instituição financeira, e em troca, após período pré-determinado, o investidor recebe o valor de volta com o acréscimo de juros. 

Mas quanto rende um CDB? 

A resposta é: depende

Depende, porque boa parte dos títulos de renda fixa, como os CDBs são atrelados à taxa DI ou CDI, como é mais conhecida. Quando um título oferece uma rentabilidade de 100% do CDI, significa que ele entregará o valor dessa taxa como rentabilidade. 

Geralmente, o valor do CDI é próximo ao valor da taxa Selic. Atualmente, com a Selic em 2%, o 100% do CDI entrega 1,90% ao ano. Daí fica simples de entender:

A poupança oferece 1,40% ao ano, enquanto o 100% do CDI oferece 1,90% a.a.

Confira o exemplo a seguir.

InvestimentoValorTempo de aplicaçãoRendimentoValor final
PoupançaR$ 10.0002 anos1,40% a.a (70% da Selic)R$ 10.280
CDBR$ 10.0002 anos 1,65 a.a (100% do CDI com desconto de 17,5% de IR)R$ 10.330

Dessa forma, você pode observar que, o investidor que aplicou no CDB ao invés da poupança, teve um retorno maior de R$ 50, mesmo após o desconto da alíquota do Imposto de Renda. 

Vale lembrar, que é comum encontrar CDBs que ofereçam uma rentabilidade maior do que 100% do CDI, como 120% ou chegando em opções de até 170%. Nesses casos, no entanto, o valor provavelmente deverá permanecer aplicado por um período maior. 

Além da forma de rentabilidade explicada acima, conhecida como pós-fixada, na qual o rendimento do título acompanha as variações do CDI, o investidor também poderá encontrar CDBs com rentabilidade prefixada. 

Em ativos prefixados, o investidor sabe no momento da compra do título o valor da taxa de juros que irá receber no vencimento, por exemplo: 3% ao ano. Dessa forma, ele consegue calcular, junto ao valor investido, qual será o seu retorno após o prazo determinado. 

De uma forma ou de outra, a rentabilidade de um CDB dificilmente será menor do que a poupança, o que consequentemente torna o ativo mais atrativo. 

#2 Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) 

Muito similares aos CDBs, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, são títulos de renda fixa destinados a captar recursos que financiem os setores imobiliário e agrícola. 

Quando agricultores ou donos de imóveis vão ao banco pedir por empréstimos para investirem em seus respectivos negócios, esse valor poderá ser financiado com recursos vindos de LCAs e LCIs emitidas e comercializadas pelo banco. 

A principal vantagem desses dois títulos é a sua isenção de Imposto de Renda, o que os tornam mais lucrativos ao final da aplicação. 

Além disso, outra vantagem desses títulos, assim como com o CDB, é a sua proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege os investidores em aplicações de até R$ 250 mil por instituição financeira e CPF, em caso da instituição vir a falir. Na prática, isso significa que se a instituição quebrar, seu dinheiro será ressarcido, com o acréscimo da rentabilidade. 

A rentabilidade oferecida por esses títulos é similar ao de um CDB, ou seja, você poderá encontrar opções que perseguem o índice do CDI (100%, 120% do CDI) ou alternativas prefixadas, na qual o investidor saberá no momento da aplicação o valor que receberá de juros. 

Essas letras de crédito, no entanto, possuem uma liquidez menor, onde geralmente só é possível resgatar o valor no momento de vencimento do título. Por isso, mesmo com uma rentabilidade maior do que a poupança, garanta que você não precisará do dinheiro aplicado até o vencimento do título. 

#3 Tesouro Selic 

O Tesouro Selic é um título público oferecido por meio do Tesouro Direto, no qual o investidor empresta seu capital ao governo e recebe o valor com juros ao final da aplicação. Como o próprio nome sugere, o Tesouro Selic tem a sua rentabilidade atrelada à taxa Selic, ou seja, atualmente entrega um valor de cerca de 2% ao ano. 

Esse título é uma aplicação geralmente mais rentável que a caderneta de poupança, pois este entrega 100% da Selic, enquanto a poupança, apenas 70%, como visto anteriormente. Além disso, o Tesouro Selic possui uma aplicação inicial de apenas R$ 100 e também possui liquidez diária, o que permite ao investidor sacar o dinheiro quando necessário.

Por fim, mesmo que não possua a garantia do FGC, como os demais títulos acima, esse título público possui um risco de crédito baixo pois é garantido pelo próprio Governo Federal, o melhor credor do mercado brasileiro. 

#4 Fundos DI

Os fundos DI funcionam como os demais tipos de fundos de investimento, onde você investe seu dinheiro, junto a outros investidores, em uma gestora que irá administrar e aplicar seu dinheiro de acordo com uma estratégia pré-estabelecida. 

Os fundos referenciados DI, são fundos de renda fixa que obrigatoriamente devem possuir ao menos 95% de seu patrimônio total investido em títulos atrelados ao CDI ou à Selic. Dessa forma, um fundo DI investe em títulos públicos ou privados, ambos de baixo risco obrigatoriamente.

Por ser um fundo que visa ativos de baixo risco, as rentabilidades também são menores, quando comparado por exemplo, a fundos de ações, que investem em um mercado muito mais arriscado e volátil. Por outro lado, boa parte dos fundos DI, ainda conseguem oferecer retornos superiores à poupança.

O baixo risco, é uma das características mais conhecidas desse tipo de fundo, uma vez que ele aplica em sua boa parte, em títulos públicos, que são garantidos pelo Tesouro Nacional, e em títulos privados com baixo risco de crédito.

Gostou da matéria? Conheça todas as alternativas descritas acima no catálogo da Pi. 

Investimentos isentos de imposto de renda: quais são e como funcionam?

Todo investidor que busca por investimentos rentáveis, começa a comparar vantagens e desvantagens dentre as opções do mercado. 

Entre as maiores vantagens que um ativo pode oferecer, está a isenção do Imposto de Renda (IR) que é cobrado, principalmente, em fundos de investimento e ações.

Nos títulos de renda fixa entretanto, não é tão incomum encontrar ativos que isentem o investidor deste tributo, tornando assim, o investimento mais lucrativo. 

Por isso, nesta matéria você conhecerá 6 investimentos isentos de IR e como eles funcionam.

Confira: 

#1 Caderneta de Poupança 

O ativo mais conhecido e popular entre os brasileiros, a Caderneta de Poupança oferece uma das menores rentabilidades do mercado atualmente, mas conta com a isenção do Imposto de Renda. 

Nesse investimento, todo o lucro derivado dos juros compostos não possui a cobrança do imposto e ainda oferece liquidez diária para seus aderentes. 

Apesar de muito conhecida, a poupança atualmente oferece uma rentabilidade de apenas 1,40% ao ano (em setembro de 2020), o que equivale a 0,70% de rendimento ao mês. Essa baixa, é devido ao cenário de juros baixos no país em 2020, o que impacta diretamente nos resultados que a poupança oferece. 

Leia mais: O rendimento da poupança ainda vale a pena? 

#2 Debêntures incentivadas 

As debêntures são títulos de renda fixa no qual quem investe está emprestando dinheiro para uma determinada empresa privada para financiamento de seus projetos. Em troca, o investidor receberá, na data determinada, o valor que investiu com o acréscimo de juros.

As debêntures incentivadas são ativos isentos do Imposto de Renda, pois o dinheiro arrecadado por meio delas é utilizado por empresas que financiam obras ou serviços de infraestrutura para o país, como estradas, aeroportos e parques, por exemplo.

Para ajudar as empresas com esses projetos que são benéficos ao país, o Governo Federal decide não cobrar o IR, para incentivar mais investidores a comprarem esse tipo de título e assim acelerar os projetos de desenvolvimento do Brasil. Justamente por isso, elas se chamam “incentivadas”.

Leia mais: Debêntures incentivadas: o que são e suas vantagens ao investir

#3 LCI e LCA 

As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, são títulos de renda fixa destinados a captarem recursos que financiem os setores imobiliários e agrícolas respectivamente. 

Quando agricultores ou donos de imóveis vão ao banco pedir por empréstimos para investirem em seus respectivos negócios, esse valor poderá ser financiado com recursos vindos de LCAs e LCIs emitidas e comercializadas pelo banco. 

A principal vantagem desses dois títulos é a sua isenção de Imposto de Renda, o que os tornam mais lucrativos ao final da aplicação. 

Outra vantagem desses títulos é que assim como a poupança, as LCIs e LCAs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege os investidores em aplicações de até R$ 250 mil por instituição financeira e CPF, em caso da instituição vir a falir. 

#4 CRI e CRA

CRI e CRA são siglas para Certificados de Recebíveis Imobiliários e Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Esses também são títulos de renda fixa isentos do Imposto de Renda para pessoa física e muito similares aos LCIs e LCAs, só que geralmente mais rentáveis. 

Os CRIs e CRAs são títulos de renda fixa securitizados. Por securitizados entende-se aqueles que transformam créditos a receber – como parcelas de uma venda ou pagamentos de um financiamento – em títulos que podem ser adquiridos por investidores e negociados no mercado financeiro.  

Imagine, como exemplo, uma construtora. Os imóveis que ela vende são quitados a longo prazo, pois são geralmente parcelados por um longo período. Caso a construtora precise desse dinheiro antes do final das parcelas para um próximo empreendimento, ela poderá “empacotar” os pagamentos futuros de seus clientes em um CRI, para vendê-lo no mercado. 

Quem organiza o processo, compra as dívidas e as emite no mercado para investidores, são as empresas securitizadoras. Dessa forma, a construtora irá receber o valor que precisa antecipadamente e as parcelas a serem quitadas irão diretamente para a securitizadora e o investidor que comprou o certificado no mercado.

A principal diferença entre os CRIs e CRAs é sua origem. O primeiro é um título ligado ao setor imobiliário, como construções, contratos de aluguéis ou financiamentos. Já o segundo tem como lastro empréstimos relacionados ao setor de agronegócio, como fatores de produção, industrialização e insumos ligados ao setor.

Leia mais: CRI e CRA: conheça tudo sobre esses títulos de renda fixa

Rentabilidades desses ativos

Após conhecer as opções isentas do Imposto de Renda, você precisará entender também como funcionam as rentabilidades desses títulos. Com exceção da poupança, ativo que possui sua rentabilidade atrelada à Taxa Selic, os demais ativos apresentados nesta matéria possuem uma dinâmica de retorno similar. Confira abaixo: 

Remuneração prefixada: o investidor sabe no momento da compra do certificado o valor da taxa de juros que irá receber, no vencimento daquele título (por exemplo, 3% ao ano). Dessa forma, ele consegue calcular junto ao valor investido quanto terá ao final da aplicação.

Remuneração pós-fixada: aqui o investidor saberá apenas qual índice que servirá de referência para a remuneração desde o início. Esse indicador geralmente é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), principal índice da renda fixa atrelado à rentabilidade da taxa Selic. Dessa forma, se um título oferece 100% do CDI ao final da aplicação, em setembro de 2020, ele oferecerá 1,90% ao ano. 

No entanto, o retorno efetivo da aplicação é desconhecido, pois seguirá as variações do indicador. Se ele subir ou cair ao longo do tempo, a remuneração poderá ser maior ou menor.

Vale lembrar que também é comum encontrar títulos com a fórmula CDI mais uma taxa. Por exemplo: 100% do CDI + 3% ao ano – o que torna o título mais atraente para investidores que querem apostar tanto no futuro de um índice e garantir uma rentabilidade fixa.

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A Fórmula Mágica de Joel Greenblatt

Joel Greenblatt é um investidor no mercado de ações que, ao longo de 10 anos, entre 1985 e 1994, geriu um fundo com retornos acima de 40% ao ano. Esse desempenho foi um dos melhores da história. Com o seu conhecimento sobre o mercado, ele identificou algumas características que poderiam ajudá-lo a filtrar um grupo de ações que teriam a capacidade de bater o mercado consistentemente ao longo do tempo. A isso ele deu o nome de “Fórmula Mágica”.

Apesar do nome chamativo, essa fórmula não envolve promessas mirabolantes ou qualquer ilusão de ganho rápido e fácil. O que faz ela ter sucesso e demonstrar bons resultados é o fato de se basear em características que envolvem tanto a qualidade da empresa quanto o seu preço no mercado, ajudando a encontrar empresas lucrativas e baratas.

Greenblatt utiliza dois parâmetros para selecionar empresas: o Retorno sobre o Capital e o “Earnings Yield” (Retorno de Lucro).

Para o Retorno sobre o Capital, há algumas fórmulas que podem ser utilizadas, como o ROA (Retorno sobre Ativos, o Lucro Líquido dividido pelo Ativo declarado em seu balanço) ou o ROE (Lucro Líquido / Patrimônio Líquido).

O “Earnings Yield” também pode ser obtido de algumas formas. Uma delas é através do Lucro por Ação dividido pelo Preço (o inverso do famoso indicador Preço / Lucro). Outra, preferida pelo autor, é usar o EBIT (Lucro antes de Juros e Tributos, que representa o lucro operacional da companhia) dividido pelo Valor da Firma, que é o Valor de Mercado acrescido da Dívida Líquida da empresa.

A partir daí, o investidor deve ranquear as empresas listadas em relação aos dois parâmetros. No caso do Retorno sobre o Capital, o ranking deve ser decrescente. Ou seja, nos primeiros lugares devem estar as empresas com maior retorno. No caso do Yield, o ranking deve ser crescente, priorizando aquelas que possuam o menor índice.

Depois, a classificação de cada empresa deve ser somada nos dois rankings. Exemplo: se a empresa ABCD ficou na posição 5 no ranking de Retorno sobre o Capital e na posição 10 no ranking de Earnings Yield, sua pontuação final seria de 15.

Por fim, uma nova ordenação é realizada com a pontuação final das empresas, priorizando as de menor pontuação. Greenblatt sugere fazer isso a cada ano e comprar as 30 melhores empresas do ranking.

Por mais simples que seja, a Fórmula Mágica tem um ótimo histórico. De acordo com o próprio Greenblatt, um estudo mostrou que, ao longo de quase 20 anos, uma carteira de investimentos baseada na fórmula teria um retorno anual médio de 23,7%, contra 12,4% do mercado como um todo.

Não necessariamente o investidor deveria aplicar seu dinheiro apenas através dessa fórmula. Consideramos que, com um pouco de esforço e seleção ativa de investimentos, é possível ter retornos melhores e mais consistentes. Mesmo assim, achamos que é útil conhecer a fórmula pois os conceitos nos quais ela se baseia, de retorno sobre o capital e preço, nunca deixarão de ter importância para o investidor de longo prazo, e é por isso que ela permanece relevante.

O próprio Joel Greenblatt escreveu um livro, disponível em português sob o título de “A Fórmula Mágica de Joel Greenblatt para Bater o Mercado de Ações” que detalha mais a criação da fórmula e os testes de validação realizados. É uma leitura fácil e rápida que recomendamos, mesmo para os que não pretendem investir através da fórmula mágica.

Seja como for, independente de seus critérios de seleção, nunca deixe de tentar encontrar empresas que entreguem altos retornos e que não estejam negociadas a preços excessivos. Essa combinação tende a dar ótimos frutos.

Onde investir 1000 reais? Conheça algumas opções

Para aqueles que ainda não possuem o hábito de investir ou não conhecem ao certo o mercado financeiro, aplicar com valores como 1000 reais pode ser o pontapé inicial para o mundo dos investimentos. 

É comum que pessoas que tenham essa quantia guardada, se sintam confusas e perdidas nas opções que possuem para investir seu capital, além da poupança

Mas investir mil reais, vale a pena? 

Primeiro, você deve entender que investir esse valor não te deixará rico do dia para a noite. O processo de enriquecimento demanda tempo, paciência e investimentos constantes. Mas o importante aqui é que você dê o primeiro passo rumo à sua independência financeira. 

Mas antes de investir seu capital, entender e seguir alguns passos são importantes: 

#1 Crie sua reserva de emergência

Como o próprio nome já diz, a reserva de emergência nada mais é do que um fundo emergencial que deve ser usado em situações emergenciais. 

É comum encontrar pessoas que ficam com as mãos atadas quando passam por situações imprevisíveis, como problemas de saúde, manutenção do carro, desemprego ou falência de um negócio. Para não passar por sufocos, possuir uma reserva de emergência te ajuda a se proteger desses cenários e faz com que você esteja mais preparado. 

Por isso, antes de começar a investir seu dinheiro, é importante que você já tenha uma reserva de emergência, ou considere utilizar esses 1.000 reais para começar a sua. 

Segundo especialistas do mercado financeiro, uma reserva de emergência deve conter o equivalente em média de três a seis meses de custos de vida. Essa reserva é o valor de gastos mensais, vezes a quantidade de meses que você deseja guardar. Por exemplo, se você tem gastos de R$ 2 mil por mês, você deverá possuir R$ 12 mil guardados para uma reserva de seis meses. 

Feito a sua reserva, você poderá seguir para o próximo passo. 

#2 Conheça seu perfil de investidor

O perfil de investidor é o resultado de quem é você no mundo dos investimentos e é ele quem demonstra seu apetite a riscos. Assim você entende melhor onde deve ou não investir, ou em qual proporção tomar riscos. 

O perfil de risco ou questionário suitability é uma série de perguntas que você responde ao criar sua conta em uma corretora. O resultado pode variar em escalas de 1 a 5 ou em classificações como: conservador, moderado e arrojado.

Conheça mais sobre eles:

Conservador

Esse é o perfil de pessoas que não gostam de correr riscos logo de cara e preferem não expor seu capital a possibilidades de perdas, por isso optam por investimentos mais conservadores, com menor risco. 

Moderado

Esse é um perfil para quem balanceia segurança e risco, na intenção de alcançar maiores rentabilidades. Aqui, o investidor aceita a possibilidade de assumir mais riscos em busca de maiores retornos.

Arrojado

Esse perfil é caracterizado por uma aceitação da tomada de riscos como forma de alcançar altas rentabilidades. Esse é geralmente o investidor que aposta boa parte do seu capital em ações, por exemplo, aceitando que a volatilidade do mercado poderá levar seu patrimônio a grandes altas ou baixas. 

Para conhecer seu perfil de investidor, abra sua conta na Pi clicando aqui.

Ao conhecer seu perfil, você poderá partir para o último passo.

#3 Conheça seus objetivos 

Quais são seus objetivos ao querer investir 1000 reais? Fazer uma viagem, comprar um carro, se preparar para aposentadoria, guardar para a faculdade dos filhos, estão entre os objetivos mais comuns de quem deseja começar a aplicar

Defina o objetivo para entender por quanto tempo deseja investir e quais são os investimentos que poderão fazer com que você chegue nele mais rápidamente. 

Além disso, ao conhecer seus objetivos você também consegue realizar um planejamento financeiro. Nele, poderá entender quais seus gastos, quanto pode investir mensalmente, em que ano você deseja realizar seu objetivo, entre outras coisas. 

Por isso, a definição de um objetivo é fundamental antes de começar a investir. Lembre-se: quem não sabe o que quer, não chega a lugar nenhum 

Após ter realizado os três pontos acima, você poderá conhecer as opções de investimento para o seu dinheiro. 

Onde investir mil reais? Conheça 3 formas

Abaixo, apresentamos três investimentos diferentes possíveis para investir 1000 reais:

Tesouro Direto

Os títulos públicos disponibilizados por meio do Tesouro Direto, são opções de investimento onde o investidor ao aplicar, emprestará seu dinheiro ao Tesouro Nacional e receberá o valor com o acréscimo de juros, no tempo pré-determinado em cada título. 

Alguns títulos apresentam aplicação mínima a partir de R$ 30 e são opções buscadas por investidores mais conservadores. 

Alguns títulos do Tesouro Direto são: 

Tesouro Selic 2025: que acompanha a taxa básica de juros, Selic, e é recomendado para investimentos que buscam rentabilidade a curto prazo ou para a criação de uma reserva de emergência.

Tesouro IPCA+ Com Juros Semestrais: é uma opção que protege seu capital contra a inflação, rende uma taxa fixa de juros e é recomendado para o longo prazo.

Tesouro PREFIXADO Com Juros Semestrais: é indicado para quem não quer ter surpresas, positivas ou negativas, no resgate de seu investimento na data de vencimento. O investidor saberá exatamente quando receberá ao final da aplicação.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

O CDB é um título de renda fixa, no qual o investidor empresta seu dinheiro a uma instituição financeira, e em troca e tempo determinado, o investidor receberá o valor de volta com o acréscimo de juros. 

A aplicação mínima de um CDB é de geralmente 1000 reais, sendo incomum encontrar opções abaixo deste valor. 

Sua rentabilidade é similar à de outros títulos de renda fixa. Confira:

– Remuneração prefixada: o investidor sabe no momento da compra do título o valor da taxa de juros que irá receber no vencimento (por exemplo, 3% ao ano). Dessa forma, consegue calcular, junto ao valor investido, quanto terá ao final da aplicação.

– Remuneração pós-fixada: aqui o investidor saberá apenas qual índice que servirá de referência para a remuneração desde o início. Esse indicador geralmente é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), principal índice da renda fixa. Dessa forma, se um CDB oferece 100% do CDI ao final da aplicação, em agosto de 2020, ele oferecerá 1,90% ao ano. 

No entanto, o retorno efetivo da aplicação é desconhecido, pois seguirá as variações do indicador. Se subir ou cair ao longo do tempo, a remuneração poderá ser maior ou menor.

Vale lembrar que também é comum encontrar CDBs com a fórmula CDI mais uma taxa. Por exemplo: 100% do CDI + 3% ao ano – o que torna o título mais atraente. 

Fundos de investimento

Os fundos de investimento podem ser opções de curto, médio ou longo prazo. Aqui, o investidor pode optar por escolher entre fundos de renda fixa, que investem, em sua boa parte, em títulos públicos e privados; os multimercados, que diversificam seu portfólio entre ativos de renda fixa e variável; os de ações, que investem no mercado acionário e os cambiais, que investem em títulos atrelados a moedas estrangeiras.

A aplicação inicial de um fundo de investimento irá variar de produto para produto. Na Pi por exemplo, é possível encontrar fundos disponíveis a partir de R$ 30 e existem diversas opções para aplicações de 1.000 reais.

A vantagem de investir em fundos de investimento é a possibilidade de terceirizar seu patrimônio para gestores profissionais do mercado financeiro, que dedicam todo seu tempo a trazerem retornos para seus cotistas. Essa é uma opção para quem não possui tempo de investir sozinho, ou não possui conhecimento suficiente.

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Risco sistêmico e não sistêmico: saiba mais sobre a importância deles na hora de investir

Investir no mercado de capitais é algo que temos convicção de que pode mudar a vida das pessoas. Especialmente daquelas que o fazem com uma filosofia apropriada, buscando ganhos consistentes no longo prazo, sem alimentar ilusões de enriquecimento rápido. Mesmo assim, o mercado não deixa de oferecer riscos. Aqueles que desejam adentrar nesse mundo precisam compreender os riscos existentes e identificar aqueles dos quais podem se proteger.

Sob essa ótica, podemos dividir os riscos existentes no mercado em dois tipos: sistêmico e não sistêmico. A seguir, um pouco mais de detalhe sobre cada um deles.

O risco sistêmico é aquele que está alheio à influência de uma só empresa ou setor. Todas as empresas estão sujeitas a ele. Se você possui uma carteira de investimentos, ela estará exposta da mesma forma a esse risco independentemente do número de ativos ou dos ativos específicos que você possui.

Assim, esse risco não é diversificável e sempre estará presente. É simplesmente algo que precisamos conviver, como investidores. As grandes crises (como a bolha imobiliária americana em 2008 – a crise do subprime – ou, mais recente, a crise do coronavírus) são exemplos desse risco.

Vale lembrar que passar por uma situação dessas não é “o fim” para nenhuma carteira de investimentos que seja bem montada. Mesmo que uma crise dessas ocasione uma perda momentânea no valor dos ativos, a tendência, com o tempo, é de recuperação. Atualmente, por exemplo, os mercados já recuperaram boa parte das perdas ocorridas meses atrás com o temor por conta do coronavírus.

O outro tipo de risco é o risco não sistêmico. Esse é o risco específico de uma empresa ou setor.

Por exemplo, uma carteira concentrada no setor imobiliário sofreu bem mais nos anos de crise no Brasil do que a média do mercado. Da mesma forma, alguém que possua investimentos concentrados nos grandes bancos poderá sofrer mais em caso de novas regulações que prejudiquem de alguma forma a rentabilidade desse setor.

O interessante é que, diferentemente do caso anterior, o risco não sistêmico pode ser diminuído de alguma forma. A maneira de conseguir isso é através da diversificação.

Para isso, é preciso construir um portfólio que contenha ativos de setores diversos, não correlacionados entre si. Diminuindo esse risco, o investidor diminui o da carteira como um todo. Abaixo, é possível ver esse efeito ilustrado.

Para atingir uma composição adequada em termos de diminuição do risco não sistêmico, uma carteira contendo de 10 a 15 ativos bem diversificados já proporciona segurança suficiente. Acima disso, ganhos de diversificação são marginais.

Isso não quer dizer que uma carteira deva necessariamente conter essa quantidade de ações. Uma maior concentração, mesmo mais exposta ao risco, pode dar ganhos melhores para quem sabe o que está fazendo. Nesse caso, porém, é preciso ser ainda mais diligente e possuir maior confiança, de forma a compensar a menor diversificação.

Também não há problema em ter uma carteira maior, mesmo sem ganho adicional de segurança quanto ao risco não sistêmico, mas é importante não aumentar tanto sua carteira a ponto de ser incapaz de acompanhá-la.

Seja como for, independentemente da preferência quanto ao número de ativos específicos, conhecer esses tipos de risco é fundamental para que o investidor consiga planejar de forma mais adequada a sua construção de um portfólio de investimentos de longo prazo. O risco sempre vai existir, mas ao saber lidar com ele, nós podemos atravessar os períodos de dificuldade com muito mais tranquilidade.

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REITs: como investir em fundos imobiliários americanos?

O que são REITs?

REITs é a sigla em inglês para Real Estate Investment Trusts, que na prática são fundos imobiliários (FIIs) americanos. Os REITs, assim como os FIIs, são ativos de empresas que possuem, financiam ou operam imóveis rentáveis. 

Esse ativo proporciona ao investidor a oportunidade de adquirir participações em imóveis variados, administrados por uma equipe de profissionais, sem a necessidade de comprá-los.

Os REITs são originados nos Estados Unidos, na década de 1960, e são ativos criados para fornecer renda baseada em dividendos e retornos de ganho de capital, enquanto ajudam  as comunidades locais a crescerem e se desenvolverem. Os recursos angariados pelos REITs, assim como os FIIs, destinam-se ao desenvolvimento imobiliários, tais como construção e aquisição de imóveis prontos para posterior alienação, locação ou arrendamento.

Assim como no mercado brasileiro, escritórios corporativos, shopping centers, hospitais, hotéis, galpões logísticos podem compor os ativos imobiliários geradores de receita dos REITs.

A maioria dos REITs correspondem aos chamados “equity REITs”, similares aos nossos fundos de tijolos, nos quais a empresa imobiliária possui ou gerencia uma propriedade voltada para a geração de renda.

Existem ainda os “mortgages REITs”, equivalentes aos nossos fundos de papéis, e os “hybrid REITs”, que seriam um misto das duas categorias anteriores.

Como funcionam os REITs?

Algumas condições especiais devem ser atendidas para que uma companhia esteja categorizada como Real Estate Investment Trust.

Conheça algumas das principais características de um REIT:

  • Minimamente 90% do lucro tributável deve ser distribuído entre os seus acionistas ativos;
  • o REIT precisa ter 100 ou mais acionistas em sua composição após seu primeiro ano como tal;
  • as propriedades e ativos da companhia devem ser majoritariamente relacionados ao setor imobiliário;
  • ao menos 75% da receita bruta deve vir da cobrança de aluguel, ganhos com hipotecas ou comercialização de imóveis (ou seja, relacionados com a atividade principal);
  • o REIT não pode conter apenas cinco acionistas ou menos com o controle de 50% ou mais do total de ações;
  • os REITs devem ser administrados por um conselho de diretores ou administradores (trustees).
  • também devem ser uma entidade tributável, assim como uma corporação;

Diferenças entre REITs e FIIs

É comum encontrar muitas dúvidas entre as reais diferenças entre REITs e FIIs, afinal ambos os ativos buscam gerar renda através de imóveis.

O primeiro ponto de diferenciação é em relação às suas constituições. Um REIT é uma empresa, enquanto que um fundo de investimento imobiliários é, como o nome sugere, apenas um fundo.

Dessa forma, um investidor que aplica seu dinheiro em um REIT está atuando como um acionista desta organização, assim como acontece dentro da bolsa de valores. Ele, por se tornar um acionista, terá direito a uma parte dos lucros que serão distribuídos.

Além disso, de forma superficial, pode-se considerar que os REIT’s são os fundos imobiliários dos Estados Unidos mas com as diferenças citadas. Ainda, caso o investidor opte por aplicar em um REIT, ele deverá lembrar de que os valores são em dólares e haverá a necessidade de fazer uma conversão cambial.

Vale a pena investir em REITS?

Assim como acontece com os FIIs, a dinâmica dos REITs está ligada a questões do mercado imobiliário e ao ambiente macroeconômico. Em momentos de juros mais baixos há um favorecimento da busca de investidores por aplicações de maior risco, dentre os quais os REITs e FIIs se encontram.

Uma vez que as cotas dos REITs são negociadas na bolsa, o produto torna-se mais acessível e tende a oferecer liquidez ao investidor, além de possibilitar a diversificação ao portfólio, seja com a aplicação em um fundo com diversos ativos imobiliários ou construindo uma carteira com diferentes tipos de REITs.

Uma parte dos rendimentos dos REITs parte da variação das cotas no mercado e outra dos dividendos distribuídos periodicamente pela empresa. Por se tratar de um investimento negociado na bolsa, é importante se atentar aos riscos associados ao mercado de renda variável antes de investir. Além do risco de mercado também existem os relacionados aos próprios ativos dos fundos, como a taxa de ocupação dos imóveis e uma eventual desvalorização de preços, devido a momentos de crise econômica, por exemplo.

Vale lembrar que a rentabilidade relacionada ao setor imobiliário é cíclica. Sempre existirão períodos de altas e baixas. Contudo, no longo prazo as taxas de aluguel e os fluxos de caixa tendem a aumentar.

Uma sugestão de muitos analistas é que o investidor de REITs ou FIIs seja conservador ao projetar o crescimento e rentabilidade de seus ativos, uma vez que os imóveis sozinhos não apresentam crescimentos exponenciais como ações podem apresentar.

Como os REITs não podem reinvestir a maior parte de seu lucro em suas operações, extrapolar em projeções de rentabilidade elevada provavelmente poderá levar o investidor a observar retornos que não condizem com a realidade.

Como investir em REITs?

O investidor brasileiro que possui interesse em aplicar em REITs deve ter conta em uma corretora no exterior, que também poderá ser usada para acessar outros tipos de produtos, como as ações das mais de 5 mil empresas norte-americanas.

Vale ainda ficar atento à tributação e custos como conversões cambiais e transferência dos recursos para a conta internacional.

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Como investir em ouro? Conheça 4 formas!

Em momentos de crise financeira, o ouro é uma dos investimentos mais procurados por investidores que buscam proteger seu capital da desvalorização cambial e oscilações do mercado. 

O ouro, atualmente, é considerado por muitos especialistas um porto seguro dos investimentos uma vez que ele é valioso e resiliente no mercado. Ele funciona basicamente como uma reserva de valor para momentos de incerteza ou quedas bruscas no mercado financeiro.

Em agosto de 2020, o contrato futuro mais líquido do ouro fechou acima de US$ 2 mil a onça-troy, pela primeira vez na história, em meio a um rali nos preços dos metais preciosos, apoiados pela incerteza do coronavírus, uma tendência de baixa no dólar e pelo juros baixos e até negativos ao redor no mundo .

Mas você realmente entende sobre investimento em ouro e sabe como investir nele? Nesta matéria explicaremos tudo sobre o assunto! 

Ouro como proteção/hedge

O ouro é uma alternativa de investimento para proteger a carteira de investidores em momentos de crise no mercado financeiro. Esse metal funciona como uma reserva de valor, uma vez que, quando os investidores começam a perceber grandes riscos no mercado financeiro procuram pelo ouro visto que suas chances de perca de valor ou liquidez reduzida são menores.

Por isso, ele é um ativo principalmente demandado para proteção de patrimônio e não para aqueles que buscam alcançar grandes rentabilidades. Se eventualmente o ouro se valoriza, os investidores lucram, mas seu principal objetivo é a proteção do capital contra as desvalorizações.

Mas por que o ouro é tão seguro?

O metal é considerado seguro, pois existe de fato fisicamente e também é um produto escasso que serve como reserva monetária para grandes economias do mundo, assim como o dólar em diversos momentos. 

Imagine, por exemplo, que você tenha 50% de seu patrimônio em renda fixa, 40% em renda variável e 10% em ouro. Quando uma crise internacional provoca queda brusca nos índices acionários, ele tende a se valorizar, uma vez que sua demanda aumenta em momentos de incerteza sobre a renda variável e até sobre moedas como o dólar.

Assim, esses 10% da sua carteira, investidos em ouro irão reduzir os impactos da queda dos outros 40%, funcionando como uma proteção para os seus investimentos. Neste momento de crise, o ouro poderá ainda se valorizar drasticamente, o que poderá compensar suas perdas da renda variável.

A título de comparação, de janeiro a julho de 2020, o ouro já acumulava uma rentabilidade de 61,85%, enquanto em 2019 ele havia atingido uma rentabilidade de 240%, quase cinco vezes a valorização do Ibovespa na mesma época.

Como investir em ouro? 

1 – Diretamente na Bolsa de Valores

Uma das formas mais fáceis de investir em ouro é por meio da Bolsa de Valores, de forma direta e como se fossem ações de uma empresa.

A B3, Bolsa de Valores brasileira, oferece três contratos futuros muito similares para quem deseja comprar ouro, com mudanças apenas na quantidade de ouro negociada em cada um deles.

OZ1D – Ouro 250g: lote padrão dos contratos de ouro

OZ2D – Ouro 10g: é uma fração do contrato padrão e tem menor liquidez

OZ3D – Ouro 0,225g: mais uma fração do contrato padrão.

Na prática, a lógica de investir em ouro por meio dos contratos é a mesma de qualquer outro ativo financeiro – você negocia contratos, sem precisar possuir o produto em si. Vale lembrar, que investir em ouro, na bolsa, isenta o investidor do Imposto de Renda, em operações com lucro de até R$ 20 mil.

O OZD1 é o único contrato de compra de ouro que permite a retirada física do metal em uma data pré-estabelecida. Esse contrato corresponde a um ouro com grau de pureza de 99,99%.

Além disso, esse é o contrato de ouro mais comum na bolsa e com maior liquidez disponível no mercado, o que significa que sua dificuldade para encontrar compradores e vendedores é muito baixa. Frequentemente, o investidor que contrata esse tipo de operação deseja retirar o produto que é entregue sob forma de lingote fundido por uma empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas credenciadas pela B3.

Já outros investidores optam por manter o ouro sob custódia em uma instituição bancária credenciada, o que também pode ser interessante, uma vez que essa opção oferece mais segurança ao investidor.

Os outros dois lotes de 10g e 0,225g não permitem a retirada do produto.

Para comprar ouro na bolsa, você precisará de uma conta em uma corretora. Na hora de escolher a sua, vale a pena conferir as taxas – como a de corretagem e a de custódia – e os serviços oferecidos.

Dependendo da sua corretora, é possível comprar ouro pelo home broker, mas há corretoras que só permitem essa transação por meio de ligações para o balcão da B3. Para negociá-lo por meio do home broker, basta digitar o código e você terá acesso às ordens de compra e venda do ativo, exatamente igual ao mercado de ações.

2 – Fundos de investimento em ouro 

Outra opção simples e prática de investir em ouro é através dos fundos de investimento que aplicam no metal. O investidor aplica seu dinheiro em um fundo, junto com outros investidores, e o patrimônio será aplicado pelo gestor em contratos futuros de ouro ou outros ativos que tenham como principal fator de risco a variação do preço do ouro. 

A gestão do fundo fica por conta do gestor que pode vender ou comprar ativos de acordo com uma estratégia pré-estabelecida pelo fundo. Dessa forma, o investidor precisará apenas remunerar o gestor pelo trabalho realizado, por meio da taxa de administração cobrada pelo fundo. 

Outra vantagem de investir nos fundos é a possibilidade de terceirizar a gestão do ativo para um gestor especializado, o que diminui o risco de algum erro na operação. Além disso, os custos para se investir em fundos de ouros geralmente são bem menores do que na Bolsa de Valores. Atualmente, existem no mercado opções que oferecem aplicação inicial a partir de R$ 100 para investimento em ouro.

3 – COE (Certificado de Operações Estruturadas)

Esse tipo de ativo é utilizado para captar recursos aos bancos e une as características da renda fixa com as da renda variável, gerando mais diversificação em sua carteira. Além disso, o investimento em COE é flexível a ponto de permitir uma seleção do grau de risco com o qual o investidor deseja lidar.

Ao emitir o COE, a instituição financeira gera cenários para prever seu desempenho. Dessa forma, os rendimentos do COE podem variar de acordo uma cotação, como a do ouro por exemplo.

Os ganhos e as perdas são restringidos. Se o valor do ouro cair, você vai receber o dinheiro de volta, sem prejuízo. Por outro lado, se houver uma valorização, acima do limite acordado pela instituição bancária, os rendimentos são interrompidos na porcentagem previamente combinada.

Uma das principais vantagens do COE está em sua tributação regressiva do Imposto de Renda, ou seja, quanto mais tempo o dinheiro permanecer aplicado menores serão os valores a serem pagos.

O COE conta com dois riscos principais: a chance de perder dinheiro caso o investidor decida sacar os recursos antes do vencimento e a falta de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que o expõe a possibilidade de não receber seus recursos em caso da emissora do título falir. 

4 – Comprar ouro em barra

Enfim, a última opção e também a mais perigosa e incomum é a compra de barras de ouros de forma direta, na qual o investidor negocia barras de ouro. 

Nessa opção, o investidor terá de abrir conta em uma corretora autorizada pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a vender ouro em barras. Após comprar, o investidor terá que escolher se levará o material para casa – o que pode ser muito perigoso -, ou pagar para uma empresa fazer a custódia – o que custará parte do valor guardado. 

Ainda, ao optar por guardar o ouro em casa, o investidor corre o risco de ver o seu investimento ruir, caso o metal seja roubado ou extraviado.

Outra desvantagem de comprar ouro fora da bolsa é a falta de liquidez caso o investidor tente vender o ativo, pois poderá ser muito mais difícil encontrar compradores que queiram comprar seu ouro pelo mesmo preço em que ele é negociado nas instituições financeiras.

Quanto investir em ouro?

Nesse caso, a resposta dependerá do seu perfil de investidor e o quanto você acha viável investir em proteção para o seu patrimônio. 

Há gestores do mercado que defendem uma fatia de até 30% para investimento em ouro. O investidor mais conservador que deseja diminuir suas chances de perdas poderá aplicar uma fatia como essa para proteger seu patrimônio de crises financeiras e ainda observar sua valorização ao longo do tempo. 

Já outros gestores e analistas podem apontar que o investidor deve investir pouco e gradualmente nesse ativo e direcionar uma parte maior do patrimônio para ativos de alta volatilidade, com maior rentabilidade. Vale lembrar ainda que o investidor terá de avaliar o timing da compra. Ele poderá por exemplo, comprar ouro quando este já se encontrar muito caro no mercado. Ele ainda poderá proteger seu patrimônio, mas poderá não usufruir de altas significativas do metal. 

Vantagens e desvantagens de investir em ouro 

Assim como qualquer outro investimento, o ouro também oferece vantagens e desvantagens a serem conhecidas pelo investidor antes da aplicação. Conheça algumas: 

Vantagens:

  • Alternativa de investimento de fácil acesso atualmente;
  • funciona como uma reserva de de valor;
  • oferece proteção contra oscilações do mercado;
  • é um produto escasso e por isso sempre terá valor no mercado;
  • é uma opção de diversificação;
  • o preço pode se valorizar em momentos de crise

Desvantagens: 

  • Possui preço volátil;
  • o contrato com maior liquidez (OZD1) é mais caro; 
  • não possui cobertura do FGC (Fundo Garantidor de crédito);
  • o preço poderá cair em momentos de otimismo do mercado com outros ativos;
  • há riscos de roubo quando mantido em casa;
  • falta de previsibilidade

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